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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Festival: In-Edit Brasil 2021


Ontem, 16, começou a 13ª edição do In-Edit Brasil, a segunda na pandemia -- um oferecimento do Governo Federal. Mais uma vez online, o festival tem uma grande variedade de documentários musicais. Vai até o dia 27.

Clique aqui para mais informações sobre o festival e aqui para ver como foi a cobertura do blog em 2020.

Documentários vistos:
Resenha: Moby Doc, de Rob Gordon Bralver
Resenha: The Go-go’s, de Alison Ellwood
Resenha: Suzi Q, de Liam Firmager
Resenha: The Rumba Kings, de Alan Brain
Resenha: All I Can Say, de Danny Clinch, Taryn Gould, Colleen Hennessy e Shannon Hoon
Resenha: Sisters with Transistors, de Lisa Rovner
Resenha: The Rise of the Synths, de Iván Castell
Resenha: Rockfield - A Fazenda do Rock, de Hannah Berryman
Resenha: Poly Styrene - I Am a Cliché, de Celeste Bell e Paul Sng
Resenha: Phil Lynott - Songs For While I'm Away, de Emer Reynolds
Resenha: Fanny - The Right to Rock, de Bobbi Jo Hart
Resenha: Crock of Gold - A Few Rounds with Shane MacGowan, de Julien Temple

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"Aquilo que eu nunca perdi" (2021)

Direção: Marina Thomé. Duração: 86 min. Elenco: Alzira E, Tetê Espindola, Arrigo Barnabé, Anelis Assumpção. País: Brasil.

Alzira E é uma artista cheia de força, coragem e um talento dos mais raros: é uma compositora de mão-cheia, dessas de impressionar pela quantidade de material ainda não gravado. O documentário "Aquilo que eu nunca perdi", de Marina Thomé, tenta contar a história dessa artista cheia de momentos intensos.

Misturado com um ensaio para uma apresentação recheada de convidados, como Arrigo Barnabé e imagens de arquivo, o longa tem um problema de ritmo em pouco menos de uma hora e meia. Em alguns momentos, o trabalho embala e é possível saber as origens dela e da família Espindola, o envolvimento musical deles, a chegada dela em São Paulo e o envolvimento com a Vanguarda Paulista, movimento artístico e cultural dos mais importantes.

O problema é que a edição se perde em determinados pormenores apenas pela beleza das imagens ou pelo conteúdo da entrevista que, muitas vezes, não ajudam no desenvolvimento do material todo. Em determinados momentos, fica chato. Muito chato.

Acaba sendo uma pena essa irregularidade do material, porque Alzira é uma personagem muito fascinante, com um grande arquivo da carreira pouco explorado e, no fim das contas, acaba sendo desperdiçada a oportunidade de contar com um pouco mais de profundidade a história de alguém com tantas qualidades musicais.

Avaliação: regular


"Yo volveré a triunfar" (2019)

Direção: Gabriel Gallardo e Heidy Iareski. Duração: 80 min. Elenco: Jorge Farías, Alejandro Silva, Gerardo López, Mario Solar, Rosa Guerra. País: Chile.

Em Valparaíso, no Chile, só duas categorias de pessoas não conhecem Jorge Farías: os recém-nascidos e os turistas. De resto, o cantor é figura carimbada nos bares, nas conversas e nas cantorias pela cidade. Morto em 2007, a cidade resolve homenageá-lo com a colocação de uma estátua na principal praça.

Gabriel Gallardo e Heidy Iareski usam esse momento da homenagem para entrevistar companheiros de banda e amigos para contar quem foi esse músico tão famoso naquela região que, muitos dizem, tinha imenso talento para ser o maior cantor chileno de todos os tempos, mas acabou não sendo.

A estátua é frequentada, digamos, por toda figura: de fãs e amigos que passam ali diariamente até os bêbados da cidade, que param para bater um papo, e moradores de rua. Isso, claro, gera situações cômicas e constrangedoras -- às vezes, tudo em simultâneo. Problemas fazem da estátua motivo de queixas constantes por parte de quem passa no local e a vê cada vez pior e menos bem tratada.

A dupla consegue preencher a história com imagens de arquivo do cantor para provar o que dizem dele. E o filme ainda vê dois ex-companheiros de banda e boêmia passarem exatamente pelos mesmos problemas com álcool. Tudo isso com idas e vindas da estátua. No fim, com ou sem estátua, Jorge Farías jamais será esquecido pela pequena e apaixonada população de Valparaíso.

Avaliação: bom


"Don’t go gentle - a film about the IDLES" (2020)

Direção: Mark Archer. Duração: 75 min. Elenco: Joe Talbot, Adam 'Dev' Devonshire, Mark Bowen, Lee Kiernan, Jon Beavis. País: Reino Unido.

O que muita gente pergunta para bandas iniciantes é se elas sonham em tocar em lugares grandes e fazer imenso sucesso? Em 100% das vezes, a resposta é sim. Mas a realidade é completamente diferente de qualquer sonho. Em "Don’t go gentle - a film about the IDLES", é possível ver como nem sempre de holofotes e sucesso vive um grupo.

Por ser um grupo relativamente jovem e com muita estrada pela frente, a história de cada integrante é contada de maneira bem rápida para o espectador se ambientar sobre quem é quem. E, como é de se esperar de uma banda iniciante que não deu sorte, as coisas demoraram para acontecer. Para completar, as tragédias pessoais de integrantes colocaram uma sombra em cima deles.

Apesar disso, eles encaram tudo com o melhor humor possível, união e bastante apoio. Quando eles perceberam, acabaram criando uma comunidade forte e uma rede de apoio entre pessoas da gravadora, fãs e eles mesmos. À medida que cresciam nos palcos, atraindo cada vez mais gente e tocando em lugares cada vez maiores, eles também cresciam internamente ao superar os diversos problemas, pessoais ou não.

Talvez o Idles nunca chegue a ser uma banda que toque para dezenas de milhares de pessoas em estádios pelo mundo. E, segundo o documentário, parece que tudo bem se não acontecer. Existem coisas mais importantes.

Avaliação: bom


"Ventos que Sopram Maranhão" (2021)

Direção: Neto Borges. Duração: 77 min. Elenco: Zeca Baleiro e convidados. País: Brasil.

Iniciada em 2020 com um longa sobre a música do Pará, "Ventos que Sopram" retorna com mais um episódio sobre a música feita em um estado brasileiro. O lugar escolhido foi o Maranhão e quem conduz as entrevistas e participa dos números musicais é o maranhense Zeca Baleiro.

Com ajuda dos amigos e antigos ídolos, ele percorre com bastante competência a história da música local e explica didaticamente as referências dos primeiros cantores e músicos de sucesso no estado. É fundamental entender a contribuição dos indígenas e dos negros escravizados nesse processo, principalmente como a forma de tocar o tambor ajudou na evolução do ritmo ao longo dos anos.

Do passado dos tambores e da viola até reggae e hip-hop, a música maranhense foi transformada que ajudam a entender como a música é algo fluido e muda com o passar dos anos, mas é importante entender como eles chegaram até ali, incluindo o próprio Zeca Baleiro. E nisso, "Ventos que Sopram" tem uma contribuição imensa ao apresentar essas pessoas e essa música para mais brasileiros.

Avaliação: bom


"Secos & Molhados" (2021)

Direção: Otávio Juliano. Duração: 90 min. Elenco: João Ricardo. País: Brasil.

Os Secos & Molhados durou pouco tempo, mas é um dos grupos mais marcantes na música brasileira até hoje. Entre brigas, ressentimentos e sucesso entre Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad, acaba sendo uma história com vários ângulos e perspectivas. Desta vez, com ajuda do diretor Otávio Juliano, Ricardo fala seu ponto de vista pela primeira vez.

Intercalando com as músicas de sucesso, o português João Ricardo conta a própria história ao longo de 90 minutos. Fala da própria vida, da imigração ao Brasil ainda muito novo para fugir de uma ditadura e entrar em outra, no início da música, das formações do Secos & Molhados até os dias atuais em que, sob a perspectiva da experiência, mostra-se satisfeito com a própria trajetória.

O problema de um documentário com apenas uma pessoa falando, sem público, corre-se o risco de cair no tédio. E é exatamente o que acontece. Por mais que seja um personagem interessante e cheio de histórias sobre música, "Secos & Molhados" é entediante. Por mais que detalhes sobre as composições do álbum de estreia, a importância de Zé Rodrix no primeiro disco do trio, como Ney Matogrosso virou o vocalista e como a banda reflete a visão dele sobre música, é cansativo ouvi-lo falar por tanto tempo.

Se o Secos & Molhados foi inovador, o documentário falha em conseguir entreter o espectador com essa história. Talvez, quando for permitida o retorno das atividades das casas de show com público, o formato funcione melhor. Desse jeito, infelizmente, não deu certo.

Avaliação: ruim


"Uma banda Made in Brazil" (2017)

Direção: Egler Cordeiro. Duração: 93 min. Elenco: Oswaldo Vecchione, Celso Vecchione, Percy Weiss, Rolando Castello Júnior, Rick Vecchione, Serguei. País: Brasil.

O Made in Brazil é uma das bandas mais importantes da história do rock brasileiro quando ainda não havia um rock brasileiro de fato. Do início tocando covers de bandas americanas e inglesas até o material próprio, o grupo ficou conhecido pela influência pesadas outros futuros músicos e pela alta rotatividade de integrantes ao longo de mais de 50 anos de história.

Dirigido por Egler Cordeiro, "Uma banda Made in Brazil" parte do começo e com ajuda de Oswaldo Vecchione, Celso Vecchione, ex e novos integrantes e amigos, é possível conhecer os caminhos de uma banda inovadora e cheia de estilo nos anos 1970, passando por dois vocalistas, brigas, mudanças na formação e de estilo musical até os problemas com a censura em 1977 e a influência do jornalista Ezequiel Neves no grupo.

A edição do longa caminha bem até a meia hora final, quando se perde em pequenos pormenores e é esticada de maneira desnecessária para incluir depoimentos que dizem basicamente a mesma coisa. Caso fosse dez minutos mais curto, teria encerrado muito bem. Uma pena que isso não acontece.

Entre traumas e tragédias, o Made in Brazil segue firme e forte na ativa, fazendo shows e atraindo cada vez mais o público jovem em turnês pelo Brasil. Pode parecer pouco para alguns, mas, para eles, é a melhor conquista que poderiam ter.

Avaliação: regular


"7 Years of Lukas Graham" (2021)

Direção: René Sascha Johannsen. Duração: 77 min. Elenco: Mark Falgren, Lukas Forchhammer, Magnus Larsson e Morten Ristorp. País: Dinamarca.

O sucesso no século XXI é algo que merece ser estudado profundamente nos próximos anos porque, do nada, alguém pode ficar conhecido e cheio de seguidores nas redes sociais do dia para noite ou ter a música tocada no mundo inteiro de uma hora para outra. O estudo pode ser iniciado ao assistir "7 Years of Lukas Graham".

Levando o nome da principal música do grupo dinamarquês Lukas Graham, o documentário segue o grupo ao longo de sete anos para contar como eles saíram da Dinamarca para assinar contrato com uma grande gravadora e passaram a ser estrelas globais como que em um passe de mágica. O foco da história está no vocalista Lukas Forchhammer e como ele precisa entender rápido a mudança de situação e amadurecer.

Dos momentos tensos e dificuldades ao estrelato, Forchhammer passa por altos e baixos no período. Como administrar a fama em meio a morte do pai ou ver uma mensagem de ódio nas redes sociais em um dos poucos momentos de convivência com a filha recém-nascida? Não há cabeça que aguente, e isso tem consequências na banda.

"7 Years of Lukas Graham" aponta as consequência do sucesso e como é fundamental ter um tempo para si em algum momento. A lição aprendida é que nem todo dinheiro do mundo ou um Grammy valem a pena.

Avaliação: bom


"Chico Mário - A Melodia da Liberdade" (2020)

Direção: Silvio Tendler. Duração: 100 min. Elenco: Francisco Mário de Sousa, Orquestra Ouro Preto, Lenine, Bárbara Paz, Marcos de Souza, Karina de Souza, Lenine. País: Brasil.

Chico Mário é o irmão mais novo de Betinho e Henfil, dois dos personagens mais importantes da cultura e da política brasileiras nos últimos 40 anos. Mas ele não se resume a apenas isso, então o documentário "Chico Mário - A Melodia da Liberdade" dá voz a essa história desconhecida por uma parcela gigante da sociedade brasileira.

Chico Mário era hemofílico como os irmãos e, entre as dores e as transfusões de sangue em que era submetido, ele criava melodias encantadoras para contar a própria história e a do Brasil. O longa aproveita uma homenagem da Orquestra Ouro Preto a ele para, com ajuda dos amigos e de dois dos três filhos, mostrar uma pequena parte do material composto por ele ao longo da curta carreira.

Músico independente e, como disse Tárik de Souza, um "versado em música brasileira, começou a carreira tarde sem fazer concessões ao que acreditava e pregava aos amigos mais próximos. Assim, sem saber, acabou influenciando toda uma geração de músicos com suas melodias feitas em todo tipo de estilo, uma versatilidade admirada e elogiada por quem dá entrevista no documentário.

Com narrações de Lenine e Bárbara Paz, trechos dos diários ajudam a mostrar um pouco da personalidade de Chico Mário, um brasileiro que merecia mais reconhecimento do Brasil. Ainda bem que o diretor Silvio Tendler conseguiu contar essa história tão nossa.

Avaliação: ótimo


"Faith & Branko" (2020)

Direção: Catherine Harte. Duração: 82 min. Elenco: Faith Elliott, Branko Ristic. País: Sérvia e Reino Unido.

A música pode, literalmente, criar uma paixão avassaladora entre duas pessoas ao ponto de uma delas mudar completamente de vida, porém, claro, o mundo não é movido apenas pelo amor. "Faith & Branko", dirigido por Catherine Harte, mostra a construção da relação profissional e amorosa da inglesa Faith Elliott e do sérvio Branko Ristic.

Ambos músicos, eles se conhecem na Sérvia quando Elliott está estudando a música cigana local. Rapidamente a parceria musical vira algo a mais e eles decidem morarem juntos, na casa em que ele divide com a tia super ciumenta e protetora e a avó amorosa e desbocada. Filmado ao longo de sete anos, é possível ver todos os picos de alegria e tristeza do casal e individualmente, quando Faith se adapta mais rápido ao lugar e ao idioma.

Quando chega o momento de deixar o lar em busca de uma vida melhor na Inglaterra, a relação entre eles muda, principalmente pelo autoisolamento imposto por Ristic, que forma poucas frases em inglês e não consegue se comunicar direito com os amigos da esposa. A relação sofre altos e baixos, enquanto a carreira começa a andar. Aí acontece uma reviravolta que muda para sempre o rumo dos dois.

Catherine Harte, de maneira simples e com uma edição muito direta, consegue contar essa bonita história de duas pessoas que não tinham nada em comum e, colocadas lado a lado pelo destino, decidiram dar uma chance a essa relação.

Avaliação: muito bom


"TOPOWA! Never Give Up" (2020)

Direção: Inigo Gilmore e Philip Sansom. Duração: 83 min. Elenco: Wynton Marsalis, Alison Balsom, Nabakooza Sumayya, Namugera Julius, Jess Gillam. País: Reino Unido.

Uma ONG fundada por um inglês no subúrbio da capital de Uganda realmente pode mudar a vida de alguém em um cenário em que esgoto, crianças, adultos e animais precisam conviver sem nenhum tipo de auxílio público para dar o mínimo de dignidade? Pode. Não só pode mudar como pode levá-los a um lugar inatingível: Londres. E para tocar com uma lenda do jazz.

Inigo Gilmore, Philip Sansom e equipe acompanham a história do projeto Brass For Africa, que ensina música a jovens do subúrbio de Kampala. O longa foca em quatro histórias principais em meio aos 12 integrantes da banda principal: um jovem rapaz que deseja tocar com o ídolo; outro sem os membros superiores e inferiores; um que passou por poucas e boas na infância; e a garota que precisa superar o machismo para seguir com o sonho.

Em pouco menos de 90 minutos, vemos sonho e muito trabalho caminhando juntos lado a lado em um esforço coletivo, de professores, alunos e responsáveis, pelo sucesso do projeto para incentivar novas crianças a fazer o mesmo. A coroação vem com uma viagem para tocar na capital da Inglaterra e conhecer o trompetista Wynton Marsalis. E, para quatro deles, uma chance de ficar na cidade caso passem em um importante teste.

Bem editado e muitas vezes encenado para dar mais leveza para o material, "TOPOWA! Never Give Up" é a história que todo mundo deveria conhecer. E fica a lição: o local de nascimento não define o futuro de ninguém.

Avaliação: muito bom


"Gritando!" (2021)

Direção: Alexandre Mapa. Duração: 52 min. Elenco: Marcio Calixto, Rogério Felipe, Elaine Souza, Ritchie, Dio Pinheiro. País: Brasil.

Uma das bandas mais influentes do hardcore brasileiro, o Gritando HC fez história graças ao trabalho duro do fundador Marcelo Paulo de Freitas, o Donald. Quase 30 anos depois da fundação, a história do grupo é contada em menos de uma hora e ajuda a entender o sucesso, os fracassos e a continuidade após a morte do vocalista.

Entre a ideia do nome, a demo e algumas formações, tudo acontece muito rápido. Inclusive, com ajuda de João Gordo para gravar o primeiro álbum. Assim, a cena do punk/hardcore ganhou um nome para chamar de seu. E isso atraiu público, principalmente o jovem entre 13 e 16 anos. No meio dos anos 1990, o Gritando HC foi fundamental na formação de diversos desses garotos e garotas através das letras fortes.

O documentário tem o mérito de não ficar preso em pequenas coisas e conta a história de maneira muito firme e sem rodeios, inclusive a briga que tirou um dos integrantes mais longêvos da formação. Entre os anos parados e trocas de integrantes, o Gritanco HC segue firme e forte com as bandeiras e ideais pregados por Donald nos primeiros anos, combustível necessário para continuar.

Avaliação: bom


"Canto de Família" (2020)

Direção: Paula Bessa Braz e Mihai Andrei Leaha. Duração: 74 min. Elenco: Família Cruz. País: Brasil.

Uma família na perferia de Fortaleza, capital do Ceará, recebe inúmeras crianças e adolescentes em um projeto social para tirá-los das ruas e dar uma oportunidade para aprender música.

"Canto de Família" tem como centro da a história a Família Cruz, que, literalmente, abre as portas de casa para receber quem deseja o aprendizado de um instrumento musical. Lá, os filhos são professores e ensinam os colegas, enquanto também precisam aprender e melhorar as próprias habilidades.

A falta de identificação dos personagens na primeira metade é compensada quando a história da família é contada durante uma apresentação e é possível saber não só sobre eles, mas como a música sempre esteve presente em casa desde muito antes dos jovens músicos terem nascido.

Entre a emoção de tocar, doações da prefeitura local, ensino e aprendizado, o projeto de mestrado de Paula Bessa Braz e Mihai Andrei Leaha é competente ao mostrar algo merece mais atenção de empresas e do Estado. Dizem que o amor move montanhas. Aqui, a montanha da dificuldade encontra um sopro de leveza com a música.

Avaliação: bom


"Pakko Huutaa" (2019)

Direção: Kati Grönholm. Duração: 56 min. Elenco: Mathias Lillmåns, Lotta Green, Staffan Holmström, Owe Innbor, Juuso Englund, Joakim Stolpe. País: Finlândia.

O heavy metal é extremamente popular na Finlândia e está muito presente na cultura local. No país, ter uma banda e almejar o sucesso é meta de vários jovens ao longo da vida. Em "Pakko Huutaa", isso é mostrar sob três perspectivas diferentes.

A primeira delas é de uma jovem que treina diariamente para atingir o nível vocal necessário; a segunda é de uma banda que roda o mundo, mas ainda busca o sucesso; o terceiro é de um jovem fã do gênero.

Diferentemente do passado, quando o metal estava envolvido em escândalos religiosos e tinha má fama, os três apresentam algo em comum: uma nova visão musical para o gênero ao abordar assuntos mais atuais. Sai a mitologia e rituais, entram a preocupação com o meio-ambiente e o futuro da humanidade.

Em pouco menos de uma hora, é possível entender que vem uma nova geração aí disposta a fazer sucesso de outra maneira. Resta saber se dará certo.

Avaliação: bom


"SpeedfreakS: Psicopata Camarada" (2021)

Diretor: Rafael Porto. Duração: 49 min. Elenco: Speedfrea$. País: Brasil.

Claudio Marcio de Souza Santos, o Speedfreak$, tinha tudo para fazer sucesso. Um dos grandes rappers do Brasil entre os anos 1990 e a primeira década dos anos 2000, ele acabou assassinado e, infelizmente, não teve tempo para mostrar todo potencial.

"SpeedfreakS: Psicopata Camarada" usa depoimentos e imagens de arquivo colhidas ao longo dos anos para próprio rapper contar a história. Do início em uma banda de rock até a independência no rap, ele fez de tudo um pouco com grandes parceiros musicais.

Com menos de 50 minutos de duração, o longa acaba contando a história do rap nacional por tabela e as diferencças entre a cena no Rio de Janeiro e em São Paulo, e acaba sendo uma bonita homenagem a quem ainda tinha muito para fazer na música.

Avaliação: bom


"Contradict" (2020)

Diretores: Peter Guyer e Thomas Burkhalter. Duração: 89 min. Elenco: Mutombo da Poet, Worlasi, Potera Asantewa, Mensa, M3NSA, Wanlov The Kubulor, Akan, Adomaa. País: Suíça.

Accra, capital de Gana, é um lugar cheio de contradições. De um lado, uma geração de jovens que usa a música como instrumento para protestar, discutir e reinvindicar melhores condições de vida; do outro, pastores usam do charlatanismo religioso para fazer a cabeça das pessoas com coisas absurdas e inacreditáveis.

"Contradict" tenta equilibrar essas duas histórias e até consegue em pouco menos de 90 minutos, mas parece sempre falta alguma coisa ou um aprofundamento um pouco maior. Caso o título do documentário não fosse tão explícito, haveria dificuldade em acompanhar o raciocínio da edição, misturada entre histórias de nomes da cena musical, a congregação de um pastor e discussões sobre essa mistura na vida das pessoas.

Diversos assuntos são discutidos e só é possível se apegar a uma personagem: a talentosa Adomaa. De resto, a edição não colabora muito para entendermos mais os personagens. No fim, é mais fácil entender a luta dessas pessoas e a música feita do que os seres humanos por trás disso. E isso não é bom.

Avaliação: regular


"It's yours: a story of Hip Hop and the Internet" (2020)

Diretora: Marguerite de Bourgoing. Duração: 74 min. Elenco: Wiz Khalifa, Lil B, Odd Future, Syd the Kid, Chuck D, B-Real. País: Suíça.

Muitos diretores e diretoras se colocam como parte da narrativa da história que contam. "It's yours: a story of Hip Hop and the Internet" começa com Marguerite de Bourgoing contando as motivações para fazer o longa e contar a história de como a internet ajudou uma nova geração de artistas do hip-hop a atingirem o sucesso de forma independente e inesperada.

A edição lembra muito a feita pela "Vice" na HBO, hoje no Showtime, em praticamente tudo: de dividir o roteiro entre personagens até a forma como os depoimentos são tomados e o caminho da narrativa -- que começa com a música e temina em algo muito maior e mais importante para a comunidade.

A história passa pelo Napster contra as gravadoras, de nomes famosos falando do passado e se adequando para o futuro e o surgimento de novos músicos com ambições e tendo nas mãos a internet com suas imensas possibilidades para divulgação do material gravado em casa ou em estúdios pequenos.

Muitos rappers hoje famosos aproveitaram ferramentas no início, como o barateamento de softwares e o surgimento do Twitter, para irem no esquema "faça você mesmo" na produção e na divulgação do próprio trabalho. A aproximação com os fãs é destaque nessa mudança na indústria da música. Hoje todos fazem parte de uma imensa comunidade, muitas vezes desconhecida das pessoas.

O final é reservado para mostrar como essa nova forma também ajudou a mudar a vida de muitos deles e fazer a diferença. Bourgoing consegue contar tudo isso de forma consisa e coerente, ajudando a mostrar como as redes sociais nem sempre foram tomadas pelo lixo de hoje.

Avaliação: bom

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