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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Resenha: The Go-go’s, de Alison Ellwood


Assistido na 13ª edição do In-Edit Brasil, festival de documentários musicais, realizado dos dias 16 a 27 de junho

Duração: 97 min. Elenco: Charlotte Caffey, Belinda Carlisle, Gina Schock, Kathy Valentine e Jane Wiedlin. País: Estados Unidos.

As Go-go's foram um verdadeiro fenômeno de público e crítica no início dos anos 1980. Era uma banda só de mulheres que gravavam as próprias músicas, algo inédito até ali. Elas chegaram ao primeiro lugar das paradas e rumaram ao estrelato, virando uma dessas bandas eternas nos corações de quem viveu aquela época intensamente.

Então, como contar essa história? A diretora Alison Ellwood optou pelo caminho mais simples possível: pelo começo. O ponto de partida delas foi a cena punk de Los Angeles, uma das mais interessantes do ponto de vista criativo e da inclusão de qualquer pessoa que estivesse disposto a entrar nela. Obviamente, as dificuldades existiram. Primeiro, elas não sabiam tocar; depois, uma banda só de mulheres? Mesmo? Tem certeza? Sim, mesmo, com toda certeza.

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Charlotte Caffey, Belinda Carlisle, Gina Schock, Kathy Valentine e Jane Wiedlin contam a própria história, de como elas saíram da cena punk de Los Angeles para virar uma banda com um tremendo apelo pop. Cada uma tem um tempo para falar sobre si mesma no começo, como se conheceram e como as coisas aconteceram até chegar na formação do primeiro disco, "Beauty and the Beat" (1981).

Ellwood é muito simples, coesa e praticamente pega na mão do espectador para explicar cada momento da vida delas. Por mais que elas sejam indivíduos com personalidades distintas, as Go-go's funcionavam como uma unidade, uma coisa única que compartilhava vitórias (o sucesso na Inglaterra do single "We Got the Beat") e derrotas (massacradas pelos nacionalistas britânicos em uma turnê com os Specials e Madness).

Ao longo de 97 minutos, vemos a história de uma legítima banda de rock. Da ambição em fazer sucesso, e isso gerar a demissão de uma integrante e uma fratura entre banda e parte do público, até as capas de revistas, o primeiro lugar nas paradas e o merecido reconhecimento. Mas, é claro, a própria banda começa a gerar problemas internos, seja pelo abuso de drogas, seja por inveja pela diferença de dinheiro recebida entre as integrantes. A queda começa definitivamente quando a empresária, Ginger Canzoneri, é demitida em prol de uma empresa maior. A partir disso, elas se afundaram nos próprios problemas. E como se afundaram!

Mais da metade do documentário é reservada para o início e a gravação do primeiro álbum. A outra parte mostra um grupo que não se comportava mais como antes, não conseguia mais hits como antes e o auge foi a primeira edição do Rock in Rio, quando elas mal se falavam. O resultado disso foi o fim da banda. Mas elas são amigas, se resolveram e voltaram algumas vezes desde então.

"The Go-go’s" funciona absurdamente bem pela simplicidade em contar a história de uma banda desenhada para o fracasso, segundo alguns responsáveis de gravadora. Mas, como elas mesmas falam em uma das entrevistas de arquivo: elas tinham talento e contaram com um pouco de sorte também. E neste ano, após uma incrível demanda de público e crítica, elas entraram no Hall da fama do Rock. E isso não foi sorte.

Avaliação: muito bom

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