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sexta-feira, 4 de junho de 2021

Discos para história: White Blood Cells, do White Stripes (2001)


História do disco

Muitas pessoas, por vontade ou sobrevivência, precisam definir qual é a próxima salvação do rock. Se esse movimento é bastante comum nas redes sociais e canais no YouTube espalhados pelo mundo, no início dos anos 2000 isso vinha diretamente da ansiosa imprensa musical em busca de uma novidade para vender jornais e revistas. Uma dessas novidades era o White Stripes, duo formado por Jack e Meg White.

Elogiados por John Peel, famoso apresentador da BBC Radio 6, a dupla vinha de dois trabalhos que misturava o blues rock e o country rock, conseguindo formar algo único para essa nova geração de fãs. E era mesmo bem empolgante ouvir só duas pessoas fazendo tanto barulho nos shows e nos comentários entre críticos e fãs.

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Uma coisa que também fazia bastante barulho era como eles conseguiam se vender. Primeiro, era o esquema de cores, vermelho e branco, que ajudava a destacá-los do resto -- aliás, esse esquema de cores é fundamental na vida de Jack White até hoje, vide que a carreira solo dele é dominada pelo azul e a gravadora, a Third Man Records, é amarela. Segundo, eles misteriosos sobre a relação. Eram irmãos gêmeos? Eram casados? Eram uma dupla de vigaristas? Ninguém sabia direito, então as especulações ajudavam a inflamar ainda mais a curiosidade sobre eles.

Além desses fatores, um revival na imprensa especializada sobre bandas de rock de garagem, com som mais cru e menos produzido, estava acontecendo com a descoberta de várias bandas do tipo surgindo pelos Estados Unidos -- uma muito famosa nos anos seguintes foi o Strokes com "Is This It" (2001). Parecia ser a hora ideal de fazer algo do tipo, mas o White Stripes parecia sempre estar um passo a frente do resto. O que pouca gente sabe é o processo de evolução deles. "The White Stripes" (1999) e "De Stijl" (2000) eram homenagens aos ídolos do country, do blues e de Detroit, cidade natal da dupla, mas o próximo álbum seria teria algo diferente em comparação com os outros. Sem covers, sem homenagens. Mas ainda teria só Jack e Meg nos instrumentos e na produção.

Segundo Ben Blackwell, arquivista oficial da banda e sobrinho de Jack White, "White Blood Cells" começou a ser feito em 2000 ou 2001, mas no início da carreira do músico.

"Para mim, 'White Blood Cells' era Jack finalmente se deparando com um monte de canções soltas e esquecidas que ele havia tocado nos anos anteriores. Com melodias bombásticas que fazem sua estreia nessa época. O que você tem é essencialmente um disco do White Stripes perfeito", contou a 'The Atlantic'.

Em uma entrevista ao jornal britânico 'The Guardian', Jack era muito firme sobre a pureza da música que fazia e fez uma revelação muito importante e fundamental para entender o método de trabalho dele ao longo dos primeiros anos de carreira.

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"Se não podemos produzir algo que soe bem, então não é real para começar. Envolver-se com computadores é se envolver com o excesso, especialmente quando você começa a mudar as batidas de bateria para torná-las perfeitas ou para tornar a melodia vocal completa. Está tão longe da honestidade. Como você pode se orgulhar disso se nem mesmo é você quem está fazendo?", disse.

Lançado em 6 de julho de 2001, "White Blood Cells" mantinha a essência dos primeiros discos do White Stripes e, fundamental, sem canções covers e 100% feito pela dupla. O trabalho não foi um sucesso estrondoso nas paradas de sucesso, mas os ajudou a entrar nesse clubinho de "salvadores do rock" com um álbum coeso do início ao fim em uma pequena mostra do que Jack White seria capaz de fazer nos anos seguintes.

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Resenha de "White Blood Cells"

Pela estética ou pelas músicas, se você era adolescente em 2001, era muito difícil não se encantar com o White Stripes. A dominação do pop punk, do hip-hop e do rap fazia quem gostava de guitarra um estranho no ninho. Ao abrir com "Dead Leaves and the Dirty Ground", Jack e Meg conseguem atrair justamente esse público mais afastado das paradas de sucesso com esse country rock cheio de potência.

O trabalho embala de vez na animada "Hotel Yorba", o primeiro single do trabalho. E é aqui que podemos ver como Meg White é competente em conseguir ditar o ritmo sem apoio de um baixista em uma canção que lembra muito alguns dos grandes momentos do Grand Ole Opry, programa de música country de bastante sucesso no século XX. E como não tem jeito, o blues tem que estar presente, papel de "I'm Finding It Harder to Be a Gentleman" -- a canção foi alvo de protestos por ser machista; White alega ser uma homenagem aos cantores de blues do início dos anos 1900.

Como os grandes ídolos que têm, Jack e Meg acabaram fazendo sucesso com uma canção com menos de dois minutos de duração. "Fell in Love with a Girl" é animada e cativa qualquer um muito, muito rápido. Hoje, faz parte da abertura do programa "Futebol no Mundo", da ESPN Brasil.

Uma boa parte do álbum mostra como Jack queria fazer algo completamente cru. Canções como "Expecting" ou "Little Room" explicitam a pouca produção, apenas com ajustes aqui e ali. Talvez você ache o guitarrista uma farsa, talvez você o ame, mas é impossível negar que ele consegue fazer as coisas muito bem. À medida que o trabalho avança, o clima ganha em variação entre algo mais pesado ("The Union Forever"), melancólico, ("We're Going to Be Friends") e romântico ("The Same Boy You've Always Known").

Entre a guitarra de "Offend in Every Way" e "This Protector", o White Stripes mostrava ter muito potencial para tirar o melhor de cada um na proposta. "White Blood Cells" fez da dupla de Detroit um sucesso, que aumentaria drasticamente com um dos hinos da primeira década dos anos 2000: "Seven Nation Army".

Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Dead Leaves and the Dirty Ground"
2 - "Hotel Yorba"
3 - "I'm Finding It Harder to Be a Gentleman"
4 - "Fell in Love with a Girl"
5 - "Expecting"
6 - "Little Room"
7 - "The Union Forever"
8 - "The Same Boy You've Always Known"
9 - "We're Going to Be Friends"
10 - "Offend in Every Way"
11 - "I Think I Smell a Rat"
12 - "Aluminum"
13 - "I Can't Wait"
14 - "Now Mary"
15 - "I Can Learn"
16 - "This Protector"

Todas as músicas foram escritas por Jack White

Gravadora: Sympathy for the Record Industry
Produção: Jack White
Duração: 40min25s

Jack White: vocal, guitarra, piano e órgão
Meg White: bateria, pandeiro e vocal de apoio

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