Mais no blog:

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Discos para história: Gorillaz, do Gorillaz (2001)


História do álbum

A história do Gorillaz começa nos últimos dias do Blur, em 1997, ou no que pensou ser isso já que a banda acabou voltando às atividades pouco mais de uma década depois. A relação entre os integrantes da banda já não era mais a mesma e piorou ainda mais quando o guitarrista Graham Coxon disse que "eles não eram mais amigos, mas sócios em uma empresa". Com ambições musicais e percebendo que o grupo corria o risco de entrar no novo século separado, Damon Albarn se mexeu ao convidar o desenhista Jamie Hewlett para um ambicioso projeto: uma banda formada por personagens específicos e totalmente diferente do trabalho dele no Blur. Isso era 1998.

Mas o fundamental da parceria era que ambos estavam cansados do modelo padronizado da MTV para fazer clipes e conseguir os primeiros lugares nas paradas de sucesso. Eles queriam algo diferente e único, então criaram os personagens e todo um universo muito diferente, único e especial. Assim nasceu o Gorillaz, em que cada personagem não só existe, como tem personalidade própria e uma história por trás.

Mais discos dos anos 2000:
Discos para história: Hybrid Theory, do Linkin Park (2000)
Discos para história: Kid A, do Radiohead (2000)
Discos para história: São Paulo Confessions, de Suba (2000)
Discos para história: Stories from the City, Stories from the Sea, de PJ Harvey (2000)
Discos para história: Jogos de Armar - Faça Você Mesmo, de Tom Zé (2000)
Discos para história: All That You Can't Leave Behind, do U2 (2000)

Albarn estava destruído emocionalmente pelos problemas no Blur, pelo fim do relacionamento com Justine Frischmann, vocalista da banda Elastica, por problemas com drogas que o levaram a se isolar na Islândia e a entrar na reabilitação na Jamaica. E, no meio de tudo isso, ele foi pai em 1999. Mais do que nunca, Albarn precisava renascer na música. E o Gorillaz seria, ao mesmo tempo, sua salvação e sua consagração como músico.

"Gorillaz foi uma coisa realmente maravilhosa e espontânea. Tudo começou com duas pessoas sentadas em um sofá, dizendo: 'Vamos fazer uma banda'; 'Tudo bem, vou para o meu estúdio e desenhar alguns personagens'; 'Vou entrar no meu e fazer uma melodia, e vamos colocá-los juntos'", contou Albarn em entrevista ao jornal britânico 'The Guardian'.

Foi dois anos trabalhando nas músicas que entraram no primeiro EP do grupo virtual, chamado "Tomorrow Comes Today", também nome do clipe da faixa-título -- a apresentação oficial deles para o mundo. Foi um choque quando isso aconteceu, já que, musical e visualmente, o Gorillaz estava completamente fora do padrão da música da época. E foi isso que gerou o burburinho necessário para atrair atenção e a expectativa necessárias para o lançamento do disco cheio, prometido para 2001.

Lançado em 26 de março, o primeiro disco do Gorillaz foi uma verdadeira revolução ao mostrar toda a gama de influências musicais de Albarn ao convidar diferentes músicos e produtores para colaborar. Isso se tornaria praxe nos trabalhos seguintes, quando as formações em estúdio sofreram muitas alterações. Como um verdadeiro artista do século XXI, o Gorillaz jamais soaria 100% igual nos álbuns.

Veja também:
Discos para história: Blood Sugar Sex Magik, do Red Hot Chili Peppers (1991)
Discos para história: Ghost in the Machine, do Police (1981)
Discos para história: Hunky Dory, de David Bowie (1971)
Discos para história: Coda, do Led Zeppelin (1982)
Discos para história: This Is Happening, do LCD Soundsystem (2010)
Discos para história: High Violet, do The National (2010)

O Gorillaz não só foi importante musicalmente, como também foi muito importante visualmente. Os detalhes de cada personagens, suas roupas e como cada música era uma história gerava muita expectativa pelos fãs, ainda mais alimentados pelo site oficial da banda que fazia questão jogar isso à décima potência. Com isso, ninguém se importava ou procurava saber quem eram os responsáveis pelo projeto, revelados publicamente muitos e muitos anos depois -- para choque de uma parte considerável dos fãs e até mesmo dos críticos. Em parte, essa falta de curiosidade vinha pelo mérito do Universo Gorillaz ser tão bem feito, que descobrir os responsáveis estragariam tudo. O primeiro disco foi só o início da virada na carreira de Damon Albarn, hoje consolidado como um dos grandes músicos de sua geração.

Gostou do post? Compartilhe nas redes sociais e indique o blog aos amigos!

Estou no Twitter e assine o canal no YouTube. Compre livros na Amazon e fortaleça o trabalho do blog!


Resenha de "Gorillaz"

O arranjo de "Re-Hash" é muito convidativo para o ouvinte seguir cantando junto, então é um grande acerto abrir o álbum. E ainda mais uma faixa que fala sobre como o manuseio de dinheiro entre os seres humanos é uma roda que gira sem parar e continua se repetindo, só mudando a direção dos valores. A curta "5/4" é uma homenagem ao compasso de mesmo nome -- o detalhe é que só a guitarra está em 5/4 ao longo de toda música.

Presente no EP de mesmo nome lançado no ano anterior, "Tomorrow Comes Today" tem uma batida bem simples e traz uma melancolia pela qual o Gorillaz não é muito conhecido nas músicas principais, mas faz parte da banda e é importante para entender o conceito e a história do álbum. Com sampler de "Hit and Miss", de Bo Didley, "New Genious (Brother)" é sombria ao trazer referências ao blues -- e no arranjo também, em uma mistura com rap. Mas é em "Clint Eastwood" que o Gorlliaz conseguiu o primeiro grande sucesso da carreira ao chamar a atenção em uma música sobre o ego versus o espírito e como nossas decisões podem mudar muito de acordo com a abordagem.

O lado mais experimental e com gêneros se misturando mais aparece em "Man Research (Clapper)", "Sound Check (Gravity)", "Double Bass", e Albarn também faz desabafos sobre a vida pessoal como em "Punk" e "Latin Simone (¿Qué Pasa Contigo?)". E eles ainda colocam todo mundo para dançar em "Rock the House", com sampler de "Modesty Blaise", de John Dankworth. Outro grande sucesso do grupo virtual, "19-2000" fala sobre a passagem do século XX para o século XXI e como o tempo está passando muito rápido. Eletrônica e de refrão grudento, é um desses sucessos inesquecíveis para quem viveu essa época.

"Starshine" abre a parte final do também trazendo novamente a melancolia de uma forma que Albarn não teria espaço no Blur para fazer, enquanto "Slow Country" soa um resumo da carreira do músico até aquele momento. "M1 A1", a canção mais pesada, musicalmente falando, do repertório -- por dois anos foi a abertura dos shows do grupo.

O primeiro álbum do Gorillaz, lançado há quase 20 anos, não envelheceu absolutamente nada e está dentro que a música pede hoje em dia: mistura de gêneros, ritmos e, se possível, um pouco de originalidade. E assim, Damon Albarn e Jamie Hewlett fizeram história ao criarem juntos a banda mais 'cool' do mundo.

Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Re-Hash" (3:40)
2 - "5/4" (2:42)
3 - "Tomorrow Comes Today" (3:13)
4 - "New Genious (Brother)" (Damon Albarn/Odetta Gordon) (4:00)
5 - "Clint Eastwood" (feat. Del the Funky Homosapien) (Albarn/Teren Jones) (5:41)
6 - "Man Research (Clapper)" (4:32)
7 - "Punk" (1:38)
8 - "Sound Check (Gravity)" (4:42)
9 - "Double Bass" (4:46)
10 - "Rock the House" (feat. Del the Funky Homosapien) (Albarn/Jones/Dan Nakamura/John Dankworth) (4:09)
11 - "19-2000" (3:30)
12 - "Latin Simone (¿Qué Pasa Contigo?)" (feat. Ibrahim Ferrer) (Albarn/Ibrahim Ferrer/Lázaro Villa) (3:38)
13 - "Starshine" (3:33)
14 - "Slow Country" (3:37)
15 - "M1 A1" (Albarn/John Harrison) (4:01)

Gravadora: Parlophone
Produção: Gorillaz, Dan the Automator, Tom Girling e Jason Cox
Duração: 57min22

Damon Albarn: vocal, teclado, escaleta, guitarra, violão, baixo e bateria eletrônica
Junior Dan: baixo
Jason Cox: bateria, bateria eletrônica e engenheiro de som
Dan the Automator: samplers, bateria eletrônica e sintetizadores Tom Girling: bateria eletrônica
Kid Koala: scraches
Miho Hatori: vocal de apoio nas faixas 1, 2 e 11
Del the Funky Homosapien: vocal nas faixas 5 e 10
Dave Rowntree: bateria nas faixas 7 e 15
Tina Weymouth: vocal de apoio e percussão na faixa 11
Chris Frantz: percussão na faixa 11
Ibrahim Ferrer: vocal na faixa 12

Convidados:

Tom Girling: engenheiro de som e Pro Tools
Toby Whelan: engenheiro de som assistente
Howie Weinberg: masterização

Continue no blog: