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sexta-feira, 21 de maio de 2021

Discos para história: Bandwagonesque, do Teenage Fanclub (1991)


História do disco

Clássico dos anos 1990, "Bandwagonesque" foi lançado pelo Teenage Fanclub em 19 de novembro de 1991 e mudou a história da banda escocesa, que havia trocado de gravadora recentemente e ainda não engrenou nenhum sucesso em dois anos de carreira. Para o guitarrista e vocalista Norman Blake, o trabalho conseguiu capturar muito bem o espírito naquela época cheia de incertezas, lugares nada confortáveis e comida de qualidade duvidosa.

"Como era nossa vida em 1991? Pobre! Mas quando você é jovem, tudo bem. Tiramos o colchão do meu quarto, colocamos na parte de trás de uma van alugada e saímos em turnê", disse ele ao jornal 'The Guardian', em 2019.

"'Bandwagonesque' captura esse espírito. Não havia muitas pessoas na época fazendo discos pop melódicos. Os vocais não são brilhantes, a gravação também não... Não foi arrumada como muitos discos são hoje em dia. Ele captura jovens tentando se encontrar. Isso é o que eu acho que as pessoas percebem", completou.

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Essencialmente, o grupo fazia música que faria sucesso no início dos anos 1990 com Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e outras bandas americanas. Mas eles eram escoceses. E não adiantou muito, na real. A vida deles mudaria completamente um dia, no CBGB's, lendária casa de shows localizada em Nova York. Durante um evento da gravadora Matador na cidade, a banda encontrou Don Fleming, do Dinosaur Jr., que fez a pergunta definitiva.

"Percebi que vocês sabem fazer harmonias, mas nunca fazem, por que não? Ninguém mais faz isso de verdade".

Isso veio como aquele estalo necessário para mudar de vida e avançar. Em março de 1991, eles começaram a compor algo para o novo álbum, inspirados por bandas como Byrds, Beach Boys, Big Star e Beatles. Tudo sob supervisão de Fleming, escolhido para produzir o álbum ao lado da banda e do engenheiro de som Paul Chisholm. Blake mostra bastante gratidão pela colaboração de Fleming não só no álbum, mas em outras coisas também.

"Nosso produtor nos aconselhou a beber Jack Daniel's no estúdio. Ele disse: 'É bom para cantar, tocar guitarra e tocar bateria'. Palavras de sabedoria! Ele era um líder por tornar o processo de gravação um evento ao invés de algo seco", contou ao site do jornal britânico.

"Don [Fleming] foi muito encorajador musicalmente também. Ele foi a primeira pessoa a nos fazer trabalhar em harmonias [...] Éramos mais preguiçosos e barulhentos naquela época, mas Don nos fez atingir algumas notas realmente altas", relembrou.

"Bandwagonesque" surgiu em um ano muito, muito bom para a música. Bandas como Nirvana, R.E.M., My Bloody Valentine e Primal Scream lançaram seus trabalhos mais clássicos, algo que poderia colocar o Teenage Fanclub em um lugar secundário na prateleira de grandes álbuns daquele ano. Mas não foi o que aconteceu.

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Com grande destaque, o disco esteve em várias listas de melhores do ano e a revista 'Spin' o colocou na primeira colocação, gerando fúria de alguns fãs e sarro de outros por ir em um caminho diferente da maioria, no caminho natural do então imbatível "Nevermind". Porém, isso gera discussões até hoje entre fãs e críticos, alguns dando razão à publicação americana por desafiar o hype da época.

Influenciador de músicos, produtores e de gente na crítica, o terceiro álbum do Teenage Fanclub foi aquele famoso clichê de divisor de águas entre o eles eram e o que viriam a ser no futuro. Não era um álbum inovador, nem vendeu milhões de cópias. Mas era tudo que qualquer fã de música deseja de um disco: uma coleção adorável de boas canções feitas por uma banda espetacular.

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Resenha de "Bandwagonesque"

O Teenage Fanclub é aquela banda impossível de não ficar apaixonado logo de cara. E a abertura de "Bandwagonesque" com "The Concept" mostra isso. Da melodia até o vocal, a faixa é o início que eles precisavam. A sequência apresenta a agitada "Satan" com seu pouco mais de um minuto para, logo depois, as harmonias voltarem com tudo em "December".

Uma das músicas mais encantadoras da discografia, "What You Do to Me" surge e mostra como eles realmente aproveitaram um disco cheio de harmonias para falar um pouco sobre a própria vida. Em "I Don't Know" e "Star Sign", o destaque vai para a guitarra que, de jeitos diferentes, consegue mostrar que ajuda muito uma banda com bons instrumentistas.

É incrível como das melhores músicas do disco, todas foram compostas por Normal Blake. A terceira dele solo no álbum, "Metal Baby", é uma aula de pop e de como colocar as palavras em uma música. fácil de decorar, deveria ser ensinada nas escolas, assim como a sequência formada por "Pet Rock" e "Sidewinder".

Os últimos momentos do álbum reservam espaço para dos grandes momentos da banda: "Alcoholiday" e "Is This Music?", com "Guiding Star" entre as duas. Um encerramento ideal para um trabalho praticamente perfeito do início ao fim.

Kurt Cobain chamou o Teenage Fanclub de "melhor banda do mundo". E ele tem razão. Os escoceses formam mesmo uma das melhores bandas do mundo e fizeram de "Bandwagonesque" um álbum inesquecível, três décadas após o lançamento. Isso é melhor que qualquer prêmio.

Ficha técnica

Tracklist:

1 - "The Concept" (Norman Blake) (6:07)
2 - "Satan" (Blake, Gerard Love, Raymond McGinley e Brendan O'Hare) (1:22)
3 - "December" (Love) (3:03)
4 - "What You Do to Me" (Blake) (2:00)
5 - "I Don't Know" (McGinley) (4:36)
6 - "Star Sign" (Love) (4:53)
7 - "Metal Baby" (Blake) (3:39)
8 - "Pet Rock" (Love) (2:35)
9 - "Sidewinder" (Love e O'Hare) (3:03)
10 - "Alcoholiday" (Blake) (5:26)
11 - "Guiding Star" (Love) (2:48)
12 - "Is This Music?" (Love) (3:18)

Gravadora: Creation
Produção: Don Fleming, Paul Chisholm e Teenage Fanclub
Duração: 42min56s

Norman Blake: vocal e guitarra; baixo em "Is This Music?"
Gerard Love: vocal e baixo; guitarra em "Is This Music?"
Raymond McGinley: guitarra; vocal em "I Don't Know"
Brendan O'Hare: bateria; vocal em "Sidewinder"

Convidados:

Joseph McAlinden: instrumentos de sopro e de cordas
Don Fleming: guitarra e vocal de apoio
Dave Buchanan: palmas

Equipe técnica

Paul Chisholm: engenheiro de som
Keith Hartley: engenheiro de som
Dave Buchanan: engenheiro de som assistente
George Peckham: masterização

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