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sexta-feira, 19 de março de 2021

Discos para história: Roupa Nova, do Roupa Nova (1981)


História do disco

Quase nenhuma banda brasileira teve tanto apelo junto ao público quanto o Roupa Nova. Ao longo de 40 anos de atividade, o grupo entrou no imaginário popular pela qualidade das músicas e pelo uso e abuso do repertório em novelas de sucesso. Apenas para ficar em um exemplo mais recente, o canal Viva está reprisando "A Viagem" (1995) e o tema de abertura da novela é da banda. E segue sendo um sucesso até hoje.

Mas tudo tem um passado e o Roupa Nova não é diferente. Tudo começou com os Famks. E foi com esse nome que o grupo na fez sucesso tocando nos bailes e casas de show do Rio de Janeiro e também como músicos de estúdio ao longo de diversas formações. Muitas gravações famosas contaram com os Famks -- eles eram a banda de apoio de estúdio de Zé Rodrix, por exemplo.

Mais álbuns dos anos 1980:
Discos para história: Ghost in the Machine, do Police (1981)
Discos para história: Coda, do Led Zeppelin (1982)
Discos para história: Women and Children First, do Van Halen (1980)
Discos para história: Elis, de Elis Regina (1980)
Discos para história: Closer, do Joy Division (1980)
Discos para história: Brasil Mestiço, de Clara Nunes (1980)

Foi em meados dos anos 1970 que a formação do que viria a ser o Roupa Nova ganhou corpo. Com a entrada de Feghali e Serginho, o grupo gravou dois álbuns com o nome do grupo em 1975 e 1978. A curiosidade desse início da carreira do grupo foi a gravação de uma coletânea com dez álbuns sob o nome de Os Motokas, que consistia em regravar sucessos da época em medleys com três canções em cada faixa -- eram dez dessas por álbum. Foi um sucesso, é claro, já que eram 30 músicas pelo preço de um LP simples.

Sem uma carreira de sucesso e ainda como músicos de estúdio, o grupo foi indicado pelo maestro Eduardo Souto Neto para Mariozinho Rocha, futuro homem forte do braço musical da Globo para novelas e programas, para um trabalho. Rocha ouviu um jingle gravado por eles, gostou bastante e os convidou para gravar na Polygram, gravadora em que era produtor e uma espécie de rastreador de talentos. Lá, ele teve a ideia de mudar o nome do grupo e, inspirado pela música de Milton Nascimento e Fernando Brant, sugeriu Roupa Nova. Isso era 1980, ano em que, com o novo nome, o grupo defendeu no festival MPB Shell a canção "No Colo D’el Rey". Foi a primeira de algumas participações em eventos do tipo naquele ano.

O novo nome abriu novas oportunidades para o Roupa Nova, responsável pelas gravações de temas de aberturas de programas como Jornal Nacional,"Chico City", "Cassino do Chacrinha" e o "Tema da Vitória", aquele mesmo que embalou as manhãs de domingo. Mas havia a intenção que gravar material próprio, afinal era isso que toda banda deseja. E era isso que dava dinheiro de verdade, no fim das contas. Esses trabalhos eram bons e ajudavam a pagar as contas, mas eles queriam mais. E com razão.

Veja também:
Discos para história: Roberto Carlos, de Roberto Carlos (1971)
Discos para história: Gospel Train, de Sister Rosetta Tharpe (1956)
Discos para história: Coltrane Jazz, de John Coltrane (1961)
Discos para história: Wasting light, do Foo Fighters (2011)
Discos para história: Gorillaz, do Gorillaz (2001)
Discos para história: Blood Sugar Sex Magik, do Red Hot Chili Peppers (1991)

Eles entraram em estúdio e gravaram o primeiro dos três álbuns na Polygram, e dá para falar que eles "só" atingiram o objetivo para um grupo estreante ao vender apenas 15 mil cópias. Seria frustrante se, ainda em 1981, a banda simplesmente explodiu com os sucessos nacionais "Canção de Verão", "Sapato Velho" e "Bem Simples". Disso, eles passaram a aparecer nos principais programas de auditório e ficarem ainda mais conhecidos. Até 1982, eles estariam com temas nas três principais novelas do Brasil e iniciariam uma das caminhadas mais bonitas da música brasileira.

O álbum de estreia do Roupa Nova pode não ter sido um estouro ao nível nacional no início, mas já mostrava o talento de seis músicos com bastante experiência no palco, nos estúdios e uma parte considerável do repertório de sucesso ao longo dos anos. Foi o primeiro passo de quatro décadas de sucesso.

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Resenha de "Roupa Nova (1981)"

O primeiro disco do Roupa Nova não é dos mais lembrados pelo público -- o de 1983 foi muito mais impactante. Mas um álbum que começa com "Sapato Velho", um dos clássicos da banda, não merece ser desprezado. Dos arranjos a combinação de vocal, é uma canção romântica que funciona muito bem em qualquer momento. Não é a toa que virou uma das mais pedidas do público em qualquer show. Na sequência vem "Pra Sempre", uma dessas faixas que soa datada pela produção da época, apesar de ainda funcionar bem.

Depois vem as baladas "Bem Simples" e "Um Pouco de Amor" e podemos ouvir como a música brasileira era bem produzida. Dá para ouvir o esforço dos músicos em fazer o melhor trabalho possível para entregar uma boa gravação. E só ajuda a mostrar como o Roupa Nova sempre teve músicos de alto nível desde sempre. Quando surge "E o Espetáculo Continua", o Roupa Nova mostra sua veia engraçada em uma canção que só poderia ter sido gravada nos anos 1980.

O uso do sintetizador no início deixa claro que "Recomeçar" foi gravada em 1980. E tudo bem. Então vem a agitada "Tanto Faz" de refrão fácil e arranjo grudento sobre aproveitar a vida. Outro grande sucesso da história da banda é "Canção de Verão", uma canção alegre, animada e quase um símbolo de dias melhores pela frente -- e estamos precisando disso mais do que nunca.

O trabalho encerra com a dançante "Quem Virá?", outra que também representa bem o tempo em que foi gravada, e a empolgante faixa-título composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, e acabou virando o nome de um dos grandes grupos da música brasileira até hoje.

A estreia pode não ter sido muito empolgante na época, mas, com o olhar de hoje, esse LP consegue mostrar a força da banda em um repertório muito sólido. Disso em diante, o Roupa Nova dominaria o imaginário brasileiro por muito anos.

Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Sapato Velho" (Mú, Paulinho Tapajós e Cláudio Nucci) (4:00)
2 - "Pra Sempre" (Flávio Venturini e Ana Terra) (3:11)
3 - "Bem Simples" (Ricardo Feghali e Mariozinho Rocha) (2:47)
4 - "Um Pouco de Amor" (Thomas Roth e Luiz Guedes) (2:21)
5 - "E o Espetáculo Continua" (Tavynho Bonfá e Ivan Wrigg) (3:20)
6 - "Recomeçar" (Eládio Sandoval e Jamil Joanes) (2:37)
7 - "Tanto Faz" (Ricardo Feghali e Fausto Nilo) (2:46)
8 - "Canção de Verão" (Thomas Roth e Luiz Guedes) (2:51)
9 - "Quem Virá?" (Feghali e Márcio Borges) (2:49)
10 - "Roupa Nova" (Milton Nascimento e Fernando Brant) (3:17)

Gravadora: Polygram
Produção: Mariozinho Rocha
Duração: 30min02s

Nando: baixo e vocal
Serginho: bateria e vocal
Kiko: guitarra
Cleberson e Ricardo Feghali: teclado
Paulinho: vocal e percussão

Jairo Gualberto e Ary Carvalhaes: engenheiros de som
Julinho: auxiliar de estúdio
Luigi Hoffer: mixagem
Ivan Lisnik: masterização

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