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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Discos para história: Women and Children First, do Van Halen (1980)


História do disco

O Van Halen estava em alto quando os fogos anunciaram a chegada de um novo ano em 1980. A jovem banda formada pelos irmãos Eddie e Alex, David Lee Roth e Michael Anthony conseguiu fazer uma parcela considerável de jovens olhar com carinho para o hard rock cheio de energia no palco. Ao conseguir lançar dois trabalhos ótimos em sequência, "Van Halen" (1978) e "Van Halen II" (1979), eles subiram rapidamente de patamar ao tornarem-se ídolos e inspiração muito rapidamente.

Mas Eddie Van Halen não queria fazer a mesma música a vida inteira, então começou a experimentar mais quando entraram em estúdio para a gravação do terceiro álbum para a Warner em três anos, como mudar o jeito de tocar guitarra e o efeitos nos pedais. O guitarrista relembraria o fato de ter espantado o produtor Ted Templeman quando começou a tocar teclado.

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"Na primeira vez que toquei teclado no estúdio. Ted disse: 'Uau! O que diabos é isso?';'Oh, nada, só eu zoando aqui'. Então, gravamos. Foi meu primeiro embate com a banda que não queria que eu tocasse teclado. Nos shows, [o baixista] Michael [Anthony] tocou. Eles não queriam um herói da guitarra tocando teclado no palco", contou. Pouco tempo depois, ele ficaria ainda mais popular quando foi para o teclado, em um movimento feito por muito músicos consagrados.

Assim como nos dois primeiros álbuns, a missão era reproduzir em estúdio a energia e vitalidade do quarteto nas apresentações. E havia o fato de, primeira vez, ser um trabalho formado por 100% de canções compostas pela banda -- não havia covers. Todos sabiam que o primeiro fator ajudou muito no sucesso dos anos anteriores, mas o segundo era um pouco mais complicado. Ainda assim, Eddie Van Halen e Roth confiavam muito no modo de trabalho.

"O que fizemos foi aplicar nosso show ao vivo ao vinil, enquanto gente como Boston e Foreigner fazem do jeito oposto (...). Conosco, na verdade, há mais sentimento e mais emoção ao vivo, porque é onde tudo se baseia. É de onde vem. Quer dizer, isso é o resultado. A única coisa que nos vende é o show ao vivo. Não é exagero", disse Eddie ao jornalista Jas Obrecht.

"Todas as melhores partes de nossa música são feitas na hora. A razão de haver tanta pressão que nos faz produzir tão bem é que esperamos até o último minuto. Você chega ao estúdio e espera, e enquanto estou lá, penso em algumas palavras para cantar. E é geralmente quando me saio melhor", explicou Roth.

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Mas nem tudo estava bem. A guerra de egos começava a ganhar corpo no Van Halen, e os embates entre os irmãos Alex e Eddie contra Roth eram cada vez mais intensos. Um dos motivos de uma briga pesada entre os três foi quando o vocalista chamou o famoso fotógrafo Helmut Newton para tirar as fotos da capa. Um pôster de Roth sem camisa e acorrentado foi incluído em um milhão de cópias da primeira tiragem do trabalho e deu um imenso problema. Que Roth era exibido todo mundo sabia, mas não queriam que isso chamasse mais a atenção do que a música. Era o início de um rompimento futuro.

A fúria juvenil ainda dominava o espírito do Van Halen em estúdio, a despeito dos problemas. Foi seis dias para escrever as músicas e oito para gravar todas as faixas do início ao fim. Claro que a gravadora adorava isso, já que era o mínimo de trabalho possível para o máximo de lucro. A garotada tinha sede por novas músicas, e o Van Halen tinha sede em gravá-las de um jeito mais rápido, brutal e imperfeito possível.

Lançado em 26 de março de 1980, "Women and Children First" atingiu o sexto lugar da parada americana e o 15º no Reino Unido. Elogiado, é considerado por muitos o disco um pouco mais sério do Van Halen e ajudou a mostrar como a banda conseguiria ser "a cara" do rock durante boa parte dos 1980.

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Resenha de "Women and Children First"

O trabalho começa ironizando a quem os chamavam de "bebês" e "tinha que comer muito" para chegar no nível dos grandes nomes. "And the Cradle Will Rock..." abre com a mudança prometida por Eddie Van Halen no jeito de tocar guitarra e o baixo de Michael Anthony se destacando para dar peso e força nesse início arrebatador.

Outro destaque é "Everybody Wants Some!!", com um longo início instrumental e letra fácil de decorar. É dessas que mostravam bem o público que o Van Halen queria: os jovens adolescentes cheios de energia e amor para dar. Para fechar o lado A, "Fools" e "Romeo Delight" são justamente feitas para esse público, para pular e zoar a noite inteira.

A instrumental "Tora! Tora!" abre o lado B e soa como uma homenagem aos melhores momentos da carreira do Black Sabbath, mas a seguinte, "Loss of Control", é feita sob medida para Roth se exibir no palco e correr de um lado para o outro -- tudo que ele fazia de melhor aos 26 anos. E ainda tem "Take Your Whiskey Home", uma típica música que diz muito sobre o estilo de vida da banda.

O Van Halen ainda traz um pouco da influência country na historinha para lá de sacana em "Could This Be Magic?" e encerra o álbum com "In a Simple Rhyme", que parece ter sido feita sob medida para o final. Tem cara de final, jeito de final e... finaliza mesmo ao conseguir amarrar bem o Van Halen em um trabalho sem tantos hits ou a força dos anteriores, mas fundamental para cimentar a base de fãs já formada e ainda conseguir mais alguns. Era o auge de uma das bandas mais criativas do rock.

Ficha técnica

Tracklist:

Lado A

1 - "And the Cradle Will Rock..." (3:31)
2 - "Everybody Wants Some!!" (5:05)
3 - "Fools" (5:55)
4 - "Romeo Delight" (4:19)

Lado B

5 - "Tora! Tora!" (0:57)
6 - "Loss of Control" (2:36)
7 - "Take Your Whiskey Home" (3:09)
8 - "Could This Be Magic?" (3:08)
9 - "In a Simple Rhyme" (4:18)

Todas as músicas foram compostas por Eddie Van Halen, Alex Van Halen, Michael Anthony e David Lee Roth.

Gravadora: Warner Bros.
Produção: Ted Templeman
Duração: 33min35s

David Lee Roth: vocal; violão em "Could This Be Magic?"
Eddie Van Halen: guitarra, teclado e vocal de apoio
Michael Anthony: baixo e vocal de apoio
Alex Van Halen: bateria

Convidado:

Nicolette Larson: vocal de apoio em "Could This Be Magic?"

Produção:

Chris Bellman: mixagem
Donn Landee e Gene Meros: engenheiro de som

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