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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Discos para história: Houses of the Holy, do Led Zeppelin (1973)


Quinto disco de estúdio da banda saiu nno auge das turnês

História do disco

Qual era o limite do Led Zeppelin? Em poucos anos de carreira, a banda formada por Jimmy Page, John Paul Jones, Robert Plant e John Bonham já estava na história do rock com seus quatro primeiros discos de estúdio. Do I ao IV, eles não se fixaram em um estilo ou em um jeito de gravar. Diferentes entre si, mas inteiramente ligados, os álbuns mostravam ao mundo o potencial musical desses quatro caras. Qual seria o próximo passo? Onde eles iriam parar?

Depois de quatro registros em três anos, o Led Zeppelin ganhou um refresco – ou se deu um refresco. Entre o IV e o seguinte, o que viria a ser Houses of the Holy, foram 16 meses. Jimmy Page, mais uma vez, produziria o trabalho. Em entrevista para o livro Luz e Sombra: Conversas com Jimmy Page (288 págs, Ed. Globo, R$ 40 em média), o guitarrista contou a intenção do então novo álbum.

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"Minha intenção principal era seguir em frente. Embora estivessem clamando por outro Led Zeppelin IV, é muito arriscado tentar se repetir. Não vou dar nome aos bois, mas é certo que você já ouviu muitas bandas que ficam se repetindo eternamente. Depois de quatro ou cinco álbuns elas simplesmente se esgotam. Com a gente, você nunca sabia o que estava por vir. Acho que dá para ouvir a diversão que tivemos e também ouvir a dedicação, o compromisso", contou.

Um fato consumado naquela época: o Led era a maior banda do mundo, inclusive superando o recorde de público dos Beatles em uma apresentação em um estádio. Era um momento grandioso para todos os envolvidos com a banda. Em lotação de shows, eles superavam os Rolling Stones em 50% a mais – apesar de não serem a máquina de marketing que Mick Jagger sempre foi. Por isso, um disco despretensioso era a última coisa que os fãs e a imprensa especializada esperavam. Previsto para agosto de 1972, o LP só seria lançado em 28 de março de 1973. Problemas na concepção da capa e da mixagem acabaram atrasando em sete meses o cronograma da gravadora e de Page. Mas o período não foi ocioso: a banda estava na estrada quase interruptamente a até o fim de janeiro. Eles não sabiam, mas o período abrangeu a última turnê deles no Reino Unido – foram 25 shows no total.

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Mas o período de gravação foi tranquilo, animado e muito produtivo. Pela primeira vez, não existia pressão interna ou externa. Todos estavam relaxados e o trabalho fluiu como nunca se tinha visto. Eles contaram o estúdio móvel dos Rolling Stones mais uma vez e alugaram a Stargroves House, também propriedade da banda rival em popularidade. Surpreendentemente, Page estava relaxado no papel de produtor. Parece que o sucesso deu uma tranquilidade inesperada a ele, apesar de não querer se repetir musicalmente.

O engenheiro de som Eddie Kramer, já dominando completamente o equipamento alugado, fez testes sonoros pela casa para tentar captar naturalidade no som. O resultado foi um disco completamente diferente dos anteriores – talvez o disco mais leve dos 11 anos de atividade do Led Zeppelin. As letras também ajudavam, assim como a própria banda. Mais maduros, eles souberam aproveitar como nunca as semanas de gravação ao longo de quase toda primavera.

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A capa, uma das mais emblemáticas da música pop dos anos 1970, foi inspirada no livro O Fim da Infância (224 págs, Ed. Aleph, R$ 30 em média), de Arthur C. Clarke, publicado em 1953, em que centenas de milhões de crianças da Terra se reúnem para serem levadas para o espaço. Stefan Gates, futuramente um popular apresentador do programa da BBC chamado Cooking in the Danger Zone, e sua irmã, Samantha, foram os modelos fotografados ao longo de dez dias em dois períodos, incluindo dias de uma torrencial chuva. "Era nossa chance de viajar para um lugar (Irlanda) que nunca tínhamos ido antes (...) Eu ouvi pessoas dizendo que eles colocaram perucas em várias crianças. Mas havia apenas eu e minha irmã, e esse é o nosso cabelo real. Eu tinha cinco anos, não me importava em ficar pelado, então eu estava na minha. Minha irmã era mais velha, então ela provavelmente estava um pouco mais preocupada", contou Gates.

Apesar de ter atingido o primeiro lugar das paradas americanas e britânicas, Houses of the Holy foi uma decepção para alguns críticos e fãs, que não perceberam uma banda mais relaxada e ansiavam por algo semelhante ao disco anterior. Mas podemos ver muito além disso: o sucesso não os prendeu em uma fórmula; ao contrário, os libertaram para voos ainda mais altos. Também foi o último disco lançado pela Atlantic – o próximo, Physical Graffiti (1975), seria lançado pela gravadora do grupo Swan Song.




Resenha de Houses of the Holy

A guitarra agitada de Jimmy Page abre o disco na clássica "The Song Remains the Same", nome de um filme com um show da banda lançado dois anos depois. A base do resto do álbum, menos "No Quarter", está toda aqui. A felicidade de viver Los Angeles naquela época era toda exposta aqui, além da recente influência da música indiana – Page e Robert Plant passaram pelo país dias antes de processo de gravação começar. Podemos chamá-la de "música solar", uma representação perfeita da primavera, da mudança, do amadurecimento e da boa fase do Led Zeppelin.

A balada "The Rain Song" era uma continuação de "The Overture", mas ganhou vida quando Plant resolveu escrever uma letra romântica comparando as estações do ano com momentos da vida das pessoas. John Paul Jones acrescentou o som de um melotron comprado poucos dias antes e colocou um efeito usado por muitas bandas de rock progressivo daquela época. O resultado deixou a faixa ainda mais delicada e com um arranjo dos mais bonitos.



Não perceberam, e quem iria imaginar, mas "Over the Hills and Far Away" é quase um protótipo do futuro de Robert Plant em sua opção por explorar músicas de diversas regiões do planeta e aliá-las a seu trabalho no Led Zeppelin. Se ele gravasse essa faixa hoje, ninguém estranharia – uma balada também com elementos da música indiana. A seguinte, "The Crunge", nasceu de uma jam no estúdio em que todos colaboraram na composição. Um funk estranho e apenas regular para fechar o lado A.

Talvez a mais otimista da história do Led Zeppelin, "Dancing Days" é a mais pura filosofia hippie sobre flores, felicidade e tudo aquilo que estava sendo superado pelos novos nomes da música - Plant ainda acreditava que era um hippie do fim dos aos 1960. E "D'yer Mak'er" soa reggae, mas é uma releitura do doo-woop, estilo de música dominado pelo vocal e expressões, e funciona melhor que a anterior.



Única faixa sombria do disco era "No Quarter", futuramente o grande momento solo de John Paul Jones no palco. Iniciada três anos antes, ela conta com a voz distorcida e efeitos ao longo dos pouco mais de sete minutos de duração. Diferente da felicidade latente do álbum, ela traz um tom muito mais denso (Walking side by side with death/ The devil mocks their every step/ The snow drives back the foot that's slow/ The dogs of doom are howling more/ They carry news that must get through é um dos versos). Acabou virando um clássico instantâneo ao casar com o repertório dos trabalhos anteriores. O encerramento vem no hard rock otimista e simples de "The Ocean", em que o riff de viciante de Page é um dos melhores da história do rock.

O quinto disco do Led Zeppelin não é sobre perfeição, é sobre se divertir. É sobre uma banda que atingiu o sucesso em pouco tempo e resolveu usar o novo trabalho para mostrar que também poderia soar alegre, mesmo com uma "No Quarter" no meio. Subestimado até os dias de hoje, Houses of the Holy merece mais crédito do público e da crítica por conseguir provar que esses quatro britânicos seriam capazes de gravar o que quisessem.



Ficha técnica

Tracklist:

Lado A

1 - "The Song Remains the Same" (Jimmy Page, Robert Plant) (5:32)
2 - "The Rain Song" (Page, Plant) (7:39)
3 - "Over the Hills and Far Away" (Page, Plant) (4:50)
4 - "The Crunge" (John Bonham, John Paul Jones, Page, Plant) (3:17)

Lado B

5 - "Dancing Days" (Page, Plant) (3:43)
6 - "D'yer Mak'er" (Bonham, Jones, Page, Plant) (4:23)
7 - "No Quarter" (Jones, Page, Plant) (7:00)
8 - "The Ocean" (Bonham, Jones, Page, Plant) (4:31)

Gravadora: Atlantic
Produção: Jimmy Page
Duração: 40min57s

John Bonham: bateria e vocais de apoio
John Paul Jones: baixo, teclado, sintetizadores e vocais de apoio
Jimmy Page: violão, guitarra, efeitos e teremim em "No Quarter"
Robert Plant: vocais



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