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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Discos para história: Kinks, do Kinks (1964)


Estreia de uma das melhores bandas inglesas está na edição 148 da seção

História do disco

Os irmãos Ray e Dave Davies forma influenciados por música durante toda infância de juventude, principalmente pelas festas que eles viam os pais e as irmãs mais velhas organizando, então ter uma banda parecia algo natural para eles. A vida era bem comum para eles, inclusive ao começar uma banda no colégio e seguir tentando ao longo do período na faculdade. Tocar em bares era fundamental para ganhar experiência em apresentações ao vivo.

Ray Davies foi parar em uma faculdade de artes, lugar em que aprimorou-se em temas como cinema, pintura e teatro. Foi nesse período que ele entrou na Dave Hunt Band, grupo profissional de blues e jazz com bastante experiência. Era a primeira e última separação do irmão antes da formação do Kinks, que aconteceu quando o Davis mais velho abandonou tudo e voltou para casa com a ideia de ter uma banda para chamar de sua.

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"Em 1963, sentia que algo imenso estava para acontecer e mudaria nossas vidas. A Swinging London [termo usado para explicar a revolução cultural vivida na capital inglesa nos anos 1960] viu grandes talentos espalhados por toda cidade", explicou Dave Davis em entrevista ao site 'The Long Plays', neste ano.

Vários nomes foram escolhidos no ressurgimento do Ray Davies Quartet, entre eles Pete Quaife Band, Bo-Weevils e Ramrod. A coisa começou a caminhar de verdade quando Larry Page assumiu como empresário - era o terceiro em menos de dois anos – e Arthur Howes começou a agendar as apresentações. Mas faltava o nome, então, reza a lenda, o empresário queria chamar a atenção para atrair um pouco de publicidade. Kinks vem da palavra kinky que, em tradução literal, significa excêntrico - o vestuário dos jovens chamou a atenção de Page. Ou seja, em bom português, o grupo se chamaria Os Excêntricos. Aqui também fechou a formação original, com o baixista Pete Quaife e o baterista Mick Avory acompanhando os irmãos Davies, que detestaram o nome.

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Diferente de alguns de seus contemporâneos, como os Rolling Stones e os Yardbirds, os Kinks tinham mais a ver com os Beatles quando o assunto era material de apresentação. Enquanto os dois primeiros baseavam seus shows em covers de cantores e bandas de blues dos Estados Unidos, os dois últimos também usavam canções de outras pessoas para complementar, mas tinham material inédito para inserir no meio. Isso fez uma enorme diferença quando a gravadora Pye se interessou pelo trabalho deles.

Lançado em 2 de outubro de 1964, impulsionado pelo sucesso do single "You Really Got Me", o disco chegou ao quarto posto da parada do Reino Unido. Isso abriu as portas para o sucesso do grupo na ilha. Depois disso, eles viveriam um período criativo dos mais notáveis até o início dos anos 1970.



Resenha de Kinks

Para abrir um disco, nada melhor do que uma homenagem a quem foi fonte de inspiração da maioria dos astros do rock britânico no início dos anos 1960: Chuck Berry. A dançante "Beautiful Delilah" chega para empolgar o ouvinte e deve ter feito imenso sucesso ao vivo. A primeira canção de Ray Davies no disco, "So Mystifying", tem estrutura bem parecida com a anterior, e isso é o suficiente para grudar na sua cabeça.

Já a terceira faixa, "Just Can't Go to Sleep", tem uma letra bem bobinha e romântica e está dentro daquilo que é esperado de um estreante. "Long Tall Shorty" e "I Took My Baby Home", um cover e uma original, mostram que colocar para fora os problemas em conseguir garotas na juventude eram fundamentais para eles. Se a primeira tem uma levada mais rockabilly, a segunda é dançante e bem pulsante, ideal para os jovens de qualquer época.



Uma dos grandes acontecimentos da gravação desse disco é a presença de Jimmy Page nos créditos de "I'm a Lover Not a Fighter". Os irmãos Davies já tentaram negar, mas não adianta: todo mundo sabe que o guitarrista foi um dos músicos de estúdio mais requisitado até ser contratado pelo Yardbirds. Por isso, e por ser mais habilidoso, ele tocou violão e um violão de 12 cordas na gravação dessa faixa de harmonia bem agitada.

Composta do início ao fim no piano que a família Davies tinha em casa, "You Really Got Me" foi um grande estouro poucas semanas antes do lançamento do disco completo. Até pelo estilo, ela guarda muitas semelhanças com algumas das agitadas canções de Jerry Lee Lewis, mas, aqui, temos uma guitarra muito forte e uma estética bem 'bluseira' com mais peso – quase o hard rock que o Led Zeppelin apresentaria ao mundo anos depois. Outra curiosidade que envolve a gravação é Jon Lord (1941 – 2012), que gravou parte do piano antes de entrar no Deep Purple.



A clássica "Cadillac", de Bo Diddley (1928 –2008), ganhou uma versão bem agitada, enquanto o blues "Bald Headed Woman" foi transformada em uma balada típica dos anos 1960. Depois vem a instrumental e bem comum "Revenge", que poderia ter ficado de fora numa boa - não acrescenta muita coisa, mas, como era tocada ao vivo, natural que entrasse.

Na parte final temos mais um cover de Chuck Berry ("Too Much Monkey Business") e mais uma feita para dançar ("I've Been Driving on Bald Mountain"). Daí surge "Stop Your Sobbing", o segundo single, escrito depois de Ray Davies ter uma briga feia com uma namorada por conta de reclamações o possível futuro sucesso. Mas o registro encerra com a romântica "Got Love If You Want It", um blues que ganhou mais força nos instrumentos.

Criativos e conseguindo surfar na borbulha que era a cena musical inglesa no meio dos anos 1960, o Kinks conseguiu apresentar um disco bem interessante em escolhas musicais e uma canção que mudaria para sempre o patamar deles na indústria.



Ficha técnica

Tracklist:

Lado A

1 - "Beautiful Delilah" (Chuck Berry) (2:07)
2 - "So Mystifying" (Ray Davies) (2:58)
3 - "Just Can't Go to Sleep" (Davies) (1:58)
4 - "Long Tall Shorty" (Herb Abramson, Don Covay) (2:50)
5 - "I Took My Baby Home" (Davies) (1:48)
6 - "I'm a Lover Not a Fighter" (J. D. "Jay" Miller) (2:03)
7 - "You Really Got Me" (Davies) (2:13)

Lado B

8 - "Cadillac" (Bo Diddley) (2:44)
9 - "Bald Headed Woman" (Shel Talmy) (2:41)
10 - "Revenge" (Davies, Larry Page) (1:29)
11 - "Too Much Monkey Business" (Chuck Berry) (2:16)
12 - "I've Been Driving on Bald Mountain" (Talmy) (2:01)
13 - "Stop Your Sobbing" (Davies) (2:06)
14 - "Got Love If You Want It" (James Moore) (3:46)

Gravadora: Pye
Produção: Shel Talmy
Duração: 32min54s

Ray Davies: vocais, guitarra, teclado e gaita
Dave Davies: guitarra, vocal e vocal de apoio
Pete Quaife: baixo e vocal de apoio
Mick Avory: bateria e tambourine

Convidados:

Jimmy Page: violão de 12 cordas e violão
Jon Lord: piano em "You Really Got Me"
Bobby Graham: bateria
Rasa Didzpetris-Davies: vocal de apoio em "Stop Your Sobbing"
Arthur Greenslade: piano em "You Really Got Me"



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