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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Discos para história: Raising Sand, de Robert Plant e Alison Krauss (2007)


A edição 147 da seção traz mais uma parceria, desta vez uma que levou os principais prêmios do Grammy em 2009

História do disco

Calculem o tamanho da ideia em juntar Robert Plant, ex-vocalista do Led Zeppelin, Alison Krauss, uma das grandes cantoras saídas de Nashville nos anos 1990 e ganhadora de inúmeros prêmios ao longo da carreira, e o lendário produtor T Bone Burnett. O disco Raising Sand saiu da união desse trio de talento acima da média em estúdio. E eles nem sabiam que um clássico do início século 21 estava para nascer dessa junção enorme de grandes nomes.

"Robert e eu fizemos isso para nos divertimos e ver o que aconteceria, mas, no começo, era muito assustador. porque nós dois estávamos fora de nossas zonas de conforto. Estávamos longe de nossos ambientes habituais, então tivemos que usar nossos sentimentos - isso fez o processo de gravação muito emocionante. Lembro-me de chamá-lo antes de começar a gravar e dizer: 'Estou preocupada', e ele disse: 'Isso é bom, porque também estou'. Ele é um grande cara", disse Krauss ao site do jornal 'Daily Mail', em 2011.

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Apesar de conhecer os Estados Unidos desde o tempo das turnês malucas com o Zeppelin, Plant não conhecia a fundo alguns dos detalhes da música americana. Pode-se dizer que o blues ele conhecia bem, mas o country ainda era algo desconhecido. Grande cantora do estilo, Krauss o ajudou nesse processo, assim como T Bone Burnett. O vocalista não ficou muito atrás e levou muito de sua expertise em world music às gravações, gerando uma mistura muito agradável de estilos.

"Sem ele [T Bone Burnett], não teríamos ideia do que fazer. Quero dizer, eu estava olhando para um lado e ela estava olhando para outro, mas T Bone chegou com alguns ângulos musicais surpreendentes. E não só ele tinha isso, mas ele conhecia pessoas confiáveis para criar um som que vem de dentro", contou Plant ao site 'Nashville Scene', em 2008.

O trabalho foi lançado em 23 de outubro de 2007 e encantou público e crítica ao estrear na segunda posição na parada dos Estados Unidos. Para muitos, era a chance de conhecer o talento de Krauss; para outros, a chance de ver Plant como alguém além do vocalista de uma das melhores bandas de todos os tempos. O registro foi aclamado e considerado um dos bons trabalhos daquele ano – muitos o consideraram o melhor.

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"Meu ponto de vista sobre essa união é: Robert queria fazer o álbum como uma banda. Ele não queria fazer isso um 'disco de dueto' - ele canta um verso, ela canta um verso, eles cantam o coro juntos e olham um para o outro sonhadoramente [risos]. Ele queria criar uma banda e pensei ser uma ideia emocionante [fazer isso]. Esses dois cantores são tão extraordinários, que eu sabia que tê-los juntos seria extraordinariamente poderoso.", contou Burnett, em 2008, ao site 'Mix Online'.

No Grammy de 2009, a dupla levou cinco prêmios, entre eles Disco do Ano e Gravação do Ano. A improvável parceria gerou algo que ficará para sempre na história: um álbum incrivelmente bom.



Resenha de Raising Sand

"Rich Woman" abre o registro com um quê de country e tem muito da world music que Robert Plant se apoiou nos últimos 15 anos. Além das belas vozes, funcionando muito bem, temos uma bela harmonia. A delicada "Killing the Blues" é uma das mais belas canções gravadas pela dupla no registro, que mostrou toda potência melódica do grupo que os acompanhou – a parte instrumental é de chorar de tão linda. Os vocais suaves também mostram como duas pessoas tão diferentes podem unir-se em um trabalho maravilhoso.

Depois de um momento de Plant e outro da dupla, Alison Krauss aparece sozinha em "Sister Rosetta Goes Before Us". E se você espera alguma coisa perto do country, você estará enganado. Porém ela foi além ao emprestar sua bela voz para uma canção de teor celta, algo que parece ter saído de algum ponto da Escócia do século 16. De surpresa ao arrebatamento, nem três faixas completas e esse disco é um dos mais apaixonantes que ouvi.



Composta por Gene Clark (1944 – 1991), ex-Byrds, "Polly Come Home" ganhou um arranjo soturno e um vocal melancólico por parte de Plant, e "Gone Gone Gone (Done Moved On)" ganhou uma seção rítmica animada que contagiou os vocais. Se "Through the Morning, Through the Night" tem um ar country à la Willie Nelson, "Please Read the Letter" virou um country folk muito bom – nem parece ter sido gravada antes por Jimmy Page e Plant para o disco Walking into Clarksdale (1998).

"Trampled Rose" parece ser inspirada nos ritmos do norte da África, lugar do mundo onde esse tipo de estrutura de canção faz parte do cancioneiro regional. Várias bandas famosas gravaram "Fortune Teller", clássico de Allen Toussaint (1938 – 2015), mas a versão aqui soa algo retirado da música cigana com o acréscimo da guitarra. Ótima para dançar, diferente da balada country melancólica "Stick With Me Baby" e da depressiva "Nothin'".

A bonita "Let Your Loss Be Your Lesson" ganhou uma versão um pouco mais acelerada e, por fim, "Your Long Journey" foi muito bem escolhida para encerrar – a melancólica letra é das mais bonitas presentes no registro. Enfim, depois de todos os elogios, fica a dica: escutem esse disco. A inesperada parceria deu bons frutos. E até merece uma segunda edição.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Rich Woman" (Dorothy LaBostrie, McKinley Millet) (4:04)
2 - "Killing the Blues" (Roly Jon Salley) (4:16)
3 - "Sister Rosetta Goes Before Us" (Sam Phillips) (3:26)
4 - "Polly Come Home" (Gene Clark) (5:36)
5 - "Gone Gone Gone (Done Moved On)" (The Everly Brothers) (3:33)
6 - "Through the Morning, Through the Night" (Gene Clark) (4:01)
7 - "Please Read the Letter" (Charlie Jones, Michael Lee, Jimmy Page, Robert Plant) (5:53)
8 - "Trampled Rose" (Kathleen Brennan, Tom Waits) (5:34)
9 - "Fortune Teller" (Allen Toussaint) (4:30)
10 - "Stick With Me Baby" (Mel Tillis) (2:50)
11 - "Nothin'" (Townes Van Zandt) (5:33)
12 - "Let Your Loss Be Your Lesson" (Milton Campbell) (4:02)
13 - "Your Long Journey" (Doc Watson, Rosa Lee Watson) (3:55)

Gravadora: Rounder/Zoë
Produção: T Bone Burnett
Duração: 57min13s

Robert Plant: vocais
Alison Krauss: vocais e rabeca

Convidados:

Riley Baugus: banjo
Jay Bellerose: bateria
Norman Blake: violão
T Bone Burnett: violão, baixo de seis cordas e guitarra
Dennis Crouch: baixo acústico
Greg Leisz: guitarra
Marc Ribot: violão, banjo, dobro e guitarra
Mike Seeger: auto-harpa
Patrick Warren: teclado, harmônio e piano infantil



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