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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Discos para história: Led Zeppelin II, do Led Zeppelin (1969)


A 76ª edição do Discos para história falará sobre Led Zeppelin II, do Led Zeppelin. Logo após o sucesso do primeiro trabalho, Jimmy Page, John Paul Jones, Robert Plant e John Bonham aproveitaram uma turnê pelos Estados Unidos para gravar o segundo trabalho de estúdio da banda.

História do disco

O sucesso inesperado do primeiro álbum da banda fez crescer o encantamento do público pela música do Led Zeppelin. Se o primeiro disco era, basicamente, o setlist da banda ao vivo, o segundo seria algo mais trabalhado, mais cuidadoso, mas musicalmente diferente. Indo mais a fundo no blues e no folk, Led Zeppelin II seria um marco na carreira dos quatro membros do grupo.

No primeiro ano de banda, foram quatro turnês pelos Estados Unidos e quatro cobrindo quase toda Europa, tamanho o sucesso das apresentações de Bonham, Jones, Page e Plant. Por isso, a produção de um novo disco precisou ser feita na estrada. Em cada parada, eles alugavam um estúdio, gravavam as músicas e iam embora para fazer outra apresentação em um lugar diferente. À medida que a turnê continuava, canções eram escritas e mixadas. Foi uma loucura, porque quase não havia tempo para descanso. Por exemplo, nessa ordem, aconteceu de uma faixa ter os instrumentos gravados em Londres, o vocal em Nova York, um overdub de gaita no Canadá e ser finalizada em Nova York.

O Olympic e Morgan Studios, em Londres, o A&M, Quantum, Sunset, Mirror Sound e Mystic Studios, em Los Angeles, o Ardent Studios, em Memphis, o A&R, Juggy Sound, Groove e Mayfair Studios, em Nova York, e um estúdio desconhecido, chamado de "cabana", pela péssima qualidade, no Canadá. Esses foram os locais por onde o Led Zeppelin passou durante as gravações do álbum.

Neste disco, diferente do primeiro, houve uma maior cooperação de Robert Plant como compositor e aqui, pela primeira vez, ele consegue mostrar sua cara como cantor, incluindo seus maneirismos vocais, pausas e gritos agudos. É possível dizer que Led Zeppelin II apresentou Plant como cantor que conhecemos hoje. Com um estilo blues rock bem direto, muitos falam que esse trabalho é o ponto inicial do heavy metal – claro, anos de pesquisa mostraram que não, que algumas bandas antes já faziam esse som mais pesado. Como era novidade e estava fazendo sucesso, o Led Zeppelin acabou sendo o responsável por mostrar isso ao mundo.

A produção, mais uma vez, ficou com Jimmy Page e contou com o auxilio de Eddie Kramer como engenheiro de som. A dupla conseguiu capitalizar o que havia de melhor em cada um, com Page admitindo várias vezes que a ajuda de Kramer foi fundamental para conseguir o som característico deles. Já a capa foi inspirada em uma foto da Divisão Aérea alemã que combateu na Primeira Guerra Mundial, divisão liderada pelo famoso Barão Vermelho, um dos maiores aviadores da história. Os rostos dos membros da banda foram colocados de maneira artificial ao lado de personalidades da música e da cultura pop.

Lançado em 22 de outubro de 1969, Led Zeppelin II foi um sucesso comercial. Um sucesso tão grande, que venderam 400 mil cópias do álbum na pré-venda, um número absurdo. Número um nos Estados Unidos, o trabalho tirou Abbey Road, dos Beatles, do posto e lá ficou por sete semanas. Contra vontade da banda, "Whole Lotta Love" foi lançada como single, mas foi a última vez que isso aconteceu. Sem aparecer muito na TV e sem lançar singles, a banda preferia se concentrar nos shows e na produção de discos. E assim a lenda das apresentações insanas do Led Zeppelin só cresceu.


Resenha de Led Zeppelin II

Ao começar com a pedrada "Whole Lotta Love", um dos clássicos da banda, o Led Zeppelin mostrava força como grupo – os quatro juntos sempre foram imbatíveis no palco –, e Robert Plant dava as caras como cantor. Assim como no primeiro disco, houve polêmica na hora dos créditos, resolvida apenas em 1985 quando eles fizeram um acordo com o espólio e Willie Dixon foi incluído nos lançamentos seguintes como coautor. Assumidamente Plant copiou algumas frases de "You Need Love", gravada por Muddy Waters em 1965. Apesar de não ter dado briga na justiça, a versão também lembra muito “You Need Love”, do Small Faces, outra “inspirada” na canção de Waters.

Apesar de ser uma canção ótima, é um dos momentos que mancharam a reputação da banda e colocaram em dúvida a capacidade da dupla Page/Plant em criar coisas novas. Obviamente, isso seria mostrado que eles eram realmente bons no que estavam fazendo, mas "Whole Lotta Love" era só uma prova de como o mundo da música funcionava.



Com uma pegada bem blues e ares psicodélicos, "What Is and What Should Never Be” é a primeira canção que leva os créditos da dupla Plant e Jimmy Page e, segundo uma das inúmeras biografias sobre o grupo, a faixa fala sobre o romance que o vocalista teve com a irmã mais nova de sua mulher. Outra canção que deu problema foi "The Lemon Song". A pegada blues da faixa era inegavelmente retirada de outro músico. E logo descobriram que parte da letra vinha de "Killing Floor", de Howlin' Wolf, outro que recebeu créditos, ainda que tardios, nos lançamentos futuros. Quem não recebeu nada foram os espólios de Robert Johnson e Albert King – ambos tiveram trechos de duas músicas colocados na canção gravada pelo Led Zeppelin.

Fechando o lado A, "Thank You" foi a primeira canção composta apenas por Plant, ele resolveu homenagear a então mulher Maureen usando uma mistura entre folk e psicodelia. E, de acordo com os biógrafos da banda, ela acabou sendo o empurrão necessário para ele começar a escrever o próprio material sem roubar nada de outros músicos. Nessa canção em especial, John Paul Jones toca um órgão Hammond, e Page faz os vocais de apoio pela primeira vez em uma faixa do Led Zeppelin.

Única creditada a todos, "Heartbreaker" usa muito do blues e do hard rock para criar a atmosfera até a explosão da segunda metade. Page conta que, como foi gravada em dois lugares diferentes, o som da guitarra, colocado depois, está muito mais alto do que o restante dos instrumentos e da voz. O blues rock de "Living Loving Maid (She's Just a Woman)” é dançante e fala sobre uma groupie que incomodou o grupo no primeiro ano deles na estrada – apesar de ser boa, ela nunca foi tocada ao vivo.



"Ramble On" é a primeira de muitas músicas do Led Zeppelin que seriam mais acústicas e inspiradas nas antigas canções celtas do século 17. E aqui temos a primeira letra inspirada no Senhor do Anéis, saga escrita por J. R. R. Tolkien. Em aulas de música em algumas faculdades no mundo, essa música é colocada como uma das grandes interações de quatro pessoas em uma banda.

Por muitas vezes, "Moby Dick" era o momento em que John Bonham mostrava sua habilidade na bateria, mas acaba sendo o momento mais fraco de todo álbum. Encerrando o álbum, "Bring It On Home" era outra em que o Led Zeppelin tentou levar os créditos, mas acabou tendo que fazer um acordo e Dixon apareceu sozinho como compositor de uma versão bem hard rock de sua música.

Lançado na esteira do sucesso de Led Zeppelin, Led Zeppelin II é considerado um dos clássicos dos anos 1960 e aumentou o patamar do grupo musicalmente. Problemas judiciais de lado, as canções desse trabalho são muito boas e reúnem a melhor gama de influências possíveis. E seria só o começo do auge de uma das bandas mais importantes do mundo.



Ficha técnica:

Tracklist:

Lado A

1 - "Whole Lotta Love" (John Bonham/Willie Dixon/John Paul Jones/Jimmy Page/Robert Plant)
2 - "What Is and What Should Never Be” (Page/Plant)
3 - "The Lemon Song" (Bonham/Chester Burnett/Jones/Page/Plant)
4 - "Thank You" (Page/Plant)

Lado B

5 - "Heartbreaker" (Bonham/Jones/Page/Plant)
6 - "Living Loving Maid (She's Just a Woman)" (Page/Plant)
7 - "Ramble On" (Page/Plant)
8 - "Moby Dick" (Bonham/Jones/Page)
9 - "Bring It On Home" (Dixon)

Gravadora: Atlantic
Produção: Jimmy Page
Duração: 41min24s

John Bonham: bateria e tímpano
John Paul Jones: baixo e órgão em "Thank You"
Jimmy Page: guitarra, violão, vocais de apoio e teremim em "Whole Lotta Love"
Robert Plant: vocais e gaita em "Bring It On Home"


Veja também:
Discos para história: (What's the Story) Morning Glory?, do Oasis (1995)
Discos para história: Bringing It All Back Home, de Bob Dylan (1965)
Discos para história: The Stone Roses, do Stones Roses (1989)
Discos para história: The Smiths, dos Smiths (1984)
Discos para história: Blizzard of Ozz, de Ozzy Osbourne (1980)
Discos para história: Horses, de Patti Smith (1975)

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