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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Discos para história: Juju, de Siouxsie and the Banshees (1981)


História do disco

Se existe uma banda que representa muito bem o pós-punk, da roupa até a sonoridade, essa banda é Siouxsie and the Banshees. Formado no auge da cena punk na Inglaterra, o grupo foi se moldando ao longo dos álbuns sem nunca fazer um trabalho parecido com o anterior. Começaram agitando tudo, mas em 1981, com "Juju", viraram referências da emergente cena gótica local.

Não precisava ter uma bola de cristal para vislumbrar o futuro brilhante para o grupo liderado por Siouxsie Sioux. Ela mesma, anos depois, sabia da própria influência e do potencial do material que entregava em cada disco e em cada canção.

"Sempre achei que um dos nossos maiores pontos fortes era a capacidade de criar tensão na música e no assunto", disse, em entrevista pata 'Louder' em 2018. "'Juju' tinha uma identidade forte, que as bandas góticas que vieram em nosso rastro tentaram imitar, mas eles simplesmente acabaram diluindo-o", completou.

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Mas, afinal, o que seria de 1981? Eles vinham de uma sequência de três anos seguidos lançando álbuns, sendo o otimista "Kaleidoscope" (1980), quinto lugar na parada do Reino Unido e considerado um grande trabalho nos primeiros dias nas lojas, o mais recente. E era muito também pelo fato de ser a estreia de John McGeoch e Budgie na guitarra e bateria, respectivamente.

Era uma nova banda com o mesmo nome de antes, no fim das contas. E tudo isso acabou gerando uma mudança na maneira de trabalhar. Antes, Siouxsie and the Banshees compunha as canções e fazia testes nos shows antes de gravá-las. Para o novo álbum, tudo seria diferente. Desta vez, todas as músicas seriam rigorosamente ensaiadas e tocadas várias vezes durante um mês de folga para fazer isso.

"Se o álbum parece uma peça só, é porque foi preparado dessa forma. Foi rigorosamente ensaiado e tocado. Foi a primeira vez que fizemos, na falta de uma palavra melhor, um álbum ‘conceito'. Não foi pré-planejado, mas vimos uma linha percorrendo as músicas... Quase uma narrativa", falou o baixista Steven Severin a Mark Paytress para o encarte da edição remasterizada do disco lançada em 2006.

Eles vinham em uma ascensão importante e estavam fazendo shows lotados para cada vez mais pessoas. É claro que isso, de uma forma ou outra, impacta na concepção da própria banda e, por que não, nos integrantes também.

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"Ainda éramos uma banda jovem e mal podíamos esperar para passar para o próximo assunto. A maior parte de 1980 foi gasta para formar uma banda, mas 1981 foi praticamente trabalho sem parar. Isso certamente nos ajudou a obter um público mais amplo", disse Severin.

"Parecia um grupo sólido e unificado naquela época. Tudo era compreendido sem que ninguém necessariamente dissesse algo", completou Siouxsie Sioux.

Lançado em 19 de junho de 1981, "Juju" chegou na sétima colocação da parada no Reino Unido e ficou entre os 100 álbuns mais vendidos por 17 semanas seguidas, um feito e tanto para uma banda atrevida que, querendo ou não, mudou para sempre a história do rock alternativo.

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Resenha de "Juju"

A primeira canção de "Juju" é um clássico dos anos 1980. "Spellbound" fala sobre como é estar apaixonado sob um feitiço. E o jeito como a faixa é construída, com clímax e tudo, é como se fosse um curta-metragem. Quando você percebe, já está totalmente envolvido e cantando junto.

A vocalista Siouxsie Sioux coloca o ouvinte para refletir sobre a morte e o que vem depois na profunda "Into the Light", em que o andamento é o grande destaque e, de novo, envolve o ouvinte a querer ouvir várias vezes a mesma faixa. Depois vem outro sucesso e segundo single do trabalho, "Arabian Knights", momento em que o álbum ganha mais peso.

Em um trabalho de ar gótico e com uma atmosfera sombria, não poderia faltar uma canção sobre o Halloween, que surge na quarta faixa, momento dominado pela guitarra, enquanto os efeitos, distorções e outras coisas ajudam a fechar o lado A com "Monitor".

Um dos fascínios dos compositores britânicos é escrever sobre serial killers famosos. Em "Night Shift", começo do lado B, a banda conta a história de Peter Sutcliffe, o Estripador de Yorkshire. O clima da faixa impressiona e praticamente coloca o ouvinte dentro de um filme de terror — de novo, uso o cinema como referência.

Duas das melhores do disco são "Sin in My Heart" e "Head Cut". Fáceis de aprender, tem no arranjo o grande trunfo em fazer o coração de qualquer um pulsar — imagina só como não deveria ser ouvi-las ao vivo. E o trabalho encerra com a sinistra "Voodoo Dolly".

Um álbum de nome inspirado em uma estátua africana — que estampa a capa — presente Museu Horniman, em Londres, só poderia gerar um trabalho arriscado, cheio de texturas e, merecidamente, um dos melhores dos anos 1980. "Juju" seria, e é até hoje, referência para diversas bandas.

Ficha técnica

Lado A

1 - "Spellbound" (Steven Severin) (3:20)
2 - "Into the Light" (4:15)
3 - "Arabian Knights" (3:05)
4 - "Halloween" (Severin) (3:37)
5 - "Monitor" (5:33)

Lado B

1 - "Night Shift" (6:06)
2 - "Sin in My Heart" (3:37)
3 - "Head Cut" (4:22)
4 - "Voodoo Dolly" (7:04)

Todas as letras foram compostas por Siouxsie Sioux, exceto as marcadas

Gravadora: Polydor / PVC
Produção: Nigel Gray e Siouxsie and the Banshees
Duração: 41min06s

Siouxsie Sioux: vocal; guitarra em "Sin in My Heart"
Steven Severin: baixo
Budgie: bateria e percussão
John McGeoch: guitarra

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