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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Discos para história: Ágætis byrjun, do Sigur Rós (1999)


História do disco

As aristas islandeses vem chamando atenção desde o início dos anos 1990 com acensão de Bjork no cenário internacional. Uma das bandas que conseguiu entrar nesse meio foi o Sigur Rós. O grupo foi formado em 1994, mas só lançaria seus primeiros trabalhos entre 1997 e 1998. "Von" (1997) vendeu apenas 313 cópias na Islândia e foi um completo fracasso. O trabalho nem se quer chegou a ser vendido em outros lugares fora do país de origem.

O vocalista Jón Þór Birgisson lembrou recentemente desse período, quando foi perguntado do início difícil antes da consagração mundial que viria dali a pouco mais de um ano. "Quando você está na Islândia, você apenas isolado. Mas foi realmente um bom momento para crescer e tocar em uma banda. A única coisa que você faz é apenas brincar com seus amigos e se divertir. Se você faz isso e é honesto, provavelmente coisas boas acontecem com você", contou.

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Formada então por Jón Þór Birgisson, Georg Hólm e Ágúst Ævar Gunnarsson, a banda ganhou o acréscimo do tecladista Kjartan Sveinsson em 1998. O novo integrante era o único com algum tipo de formação musical, algo que faria enorme diferença na música do Sigur Rós dali em diante. Isso ajudou a pavimentar o caminho para o segundo álbum de estúdio. Nem mesmo o fracasso de vendas do primeiro trabalho parou o grupo. Ao contrário, eles foram incentivados pela gravadora, que pagou uma grande bastante considerável para bancar o então próximo projeto.

"Basicamente, éramos apenas confiantes, invisíveis e imortais. Nós apenas íamos fazer as coisas sem qualquer hesitação, e tivemos a sorte de ter uma gravadora que estava realmente disposta a pagar pelo álbum. Era meio caro naquela época para um álbum islandês", revelou Sveinsson, agora ex-tecladista do grupo.

A ambição musical do grupo combinava muito com esse tipo de pensamento à época. A ordem era inovar e encontrar um caminho longe do comum. Quando acharam, apostaram muito alto nele. Talvez, ninguém fosse ouvir o disco. Mas era o caso de soltar um "dane-se" e pronto.

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"As formas das músicas tem um jeito, mas não foi, e não é realmente complicado. É como qualquer outra música pop, mas os sons são um pouco diferentes. Mas se você quebrar uma música do Sigur Rós em um violão, você a ouvirá. É como qualquer outra música pop em algum sentido. É muito sobre a paisagem sonora. Esse é o elemento chave por trás de Sigur Rós, eu diria", falou Sveinsson.

O investimento da gravadora valeu a pena. Apesar de ter demorado quase um ano para chegar no Reino Unido e quase dois nos Estados Unidos, "Ágætis Byrjun" foi ganhando força com o boca a boca de gente famosa como Brad Pitt, Gwyneth Paltrow, Thom Yorke e Chris Martin. O segundo disco do grupo quebrou barreiras e os apresentou ao mundo. Em 2001, eles estariam abrindo a nova turnê do Radiohead. E três faixas do álbum estariam presentes na trilha sonora de "Vanilla Sky" (2001), o filme arrasa-quarteirão daquele ano.




Resenha de "Ágætis byrjun"

"Intro" abre o álbum, que começa a vera em "Svefn-g-englar". A segunda faixa do trabalho é a tradução do grupo para o processo de nascimento da perspectiva do recém-nascido. São pouco mais de dez minutos em que o arco de um violoncelo contra as cordas da guitarra dão o tom da canção, uma das mais bonitas da carreira do grupo. Mas é praticamente impossível não se apaixonar pelo grupo em "Starálfur", música em que é um tipo de conto de fadas. O arranjo dessa música é esplendoroso.

A complicadíssima de falar e escrever "Flugufrelsarinn" apresenta ao ouvinte um lado mais lúdico da banda, um lado mais experimental e pronto para te colocar em um lugar onde você jamais esteve. Enquanto "Ný batterí" apresenta a bateria com mais força do que nas canções anteriores, "Hjartað hamast (bamm bamm bamm)" tem aquela atmosfera de país com praia -- no caso, a Islândia.


Outra canção lindíssima, que não precisa de muita coisa, é "Viðrar vel til loftárása". Ao longo de mais de dez minutos, o clímax vai sendo criado e o ouvinte vai sendo envolvido em coisas e sentimentos difíceis de descrever. Só ouvindo mesmo. Ao aparece soando uma música tradicional islandesa, "Olsen Olsen" poderia ser trilha de qualquer filme com uma história um tanto irreal.



As duas últimas falam muito sobre a própria banda. "Ágætis byrjun" é sobre o disco de estreia mal-sucedido, mas fundamental para o pontapé inicial da banda. E "Avalon" fecha mostrando o quanto eles ainda poderiam crescer dali por diante.

Esse disco soa como algo futurista depois da simplicidade do grunge e do pop punk dos anos 1990. Fazendo um tipo de música muito intensa, a banda quebrou barreiras e rapidamente chegou ao estrelato. Não demoraria muito para ser consagrado como uma dos maiores grupos de sua geração.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Intro" (1:36)
2 - "Svefn-g-englar" (10:03)
3 - "Starálfur" (6:45)
4 - "Flugufrelsarinn" (7:47)
5 - "Ný batterí" (8:09)
6 - "Hjartað hamast (bamm bamm bamm)" (7:09)
7 - "Viðrar vel til loftárása" (10:16)
8 - "Olsen Olsen" (8:02)
9 - "Ágætis byrjun" (7:55)
10 - "Avalon" (4:01)

Gravadora: Smekkleysa
Produção: Ken Thomas
Duração: 71min43s

Jón Þór Birgisson: vocal e guitarra
Kjartan Sveinsson: teclado
Georg Hólm: baixo
Ágúst Ævar Gunnarsson: bateria (em algumas faixas)



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