quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Discos para história: Queens of the Stone Age, do Queens of the Stone Age (1998)


Estreia da banda mostrou ao mundo o som do deserto

História do disco

Nenhuma banda conseguiu levar o chamado som do deserto, o feito no Palm Desert, na Califórnia, tão longe quanto o Queens of the Stone Age. A ideia da banda nasceu antes do fim do Kyuss, em 1996, quando John Garcia, (vocal), Josh Homme (guitarra), Scott Reeder (baixo) e Alfredo Hernández (bateria e percussão) – última formação do grupo –, resolveram que era hora de colocar um ponto final nas atividades após inúmeros problemas de convivência na turnê e na gravação dos discos “Welcome to Sky Valley” (1994) e “...And the Circus Leaves Town” (1995).

Homme estava cansado e, ainda em 1995, deixou o deserto e mudou-se para Seattle. Lá, acabou sendo convidado para tocar na turnê do Screaming Trees, banda liderada por Mark Lanegan – ele faria parte da banda de apoio nas turnês até 1998. No período em que ficou sem saber o que seria de sua antiga banda, ele trabalhou em algumas letras, sem saber o que seria feito com esse material.

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Quando viu potencial, convidou o produtor Chris Goss, o baixista Van Conner e o baterista Victor Indrizzo para entrar em estúdio. Disso nasceu o Gamma Ray, de curta duração e com apenas um EP lançado, já que existia uma banda alemã de mesmo nome. Para evitar confusão e um belo processo nas costas, nascia o Queens of the Stone Age. E ele insistiria de novo em gravar um disco, mas com uma formação diferente.

Nessa nova banda, Homme queria criar algo único e reconhecível de longe. Quando enxergou potencial em um novo material, ele recrutou Alfredo Hernández, o último baterista do Kyuss, para ajudá-lo nessa missão. Em estúdio, ele ainda contou com Chris Goss, Fred Drake e Dave Catching nos vocais de apoio e em alguns instrumentos, e em Joe Barresi na coprodução. Ele tocou baixo, bateria, teclado e piano – creditado como Carlo –, além de cantar e tocar guitarra. E aqui, finalmente, encontrou o som que almejava desde o início da busca.

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Pesado e único são palavras que podem definir o som do Queens of the Stone Age. Nascido das cinzas de uma das bandas mais influentes da cena alternativa dos Estados Unidos, o grupo liderado por Homme conseguiu trazer uma profusão de talentos nos anos seguintes para tocar na banda – de Lanegan a Dave Grohl, do Foo Fighters. Todos queriam saber como era tocar essas músicas poderosas em estúdio e ao vivo. E tudo começou neste álbum, quando Josh Homme resolveu que era hora da fênix voar.


Resenha de “Queens of the Stone Age”

A primeira faixa composta para o disco foi “Regular John”, e Homme contou, anos depois, que ela fala sobre um homem que solicita prostitutas em casa com regularidade – no inglês, Regular John é uma gíria para isso. Ela entrega o tipo de som característico do Queens of the Stone age, algo que ficaria marcado como único e, até hoje, inimitável. A seguinte, “Avon”, nasceu como “Nova” na Desert Sessions – reunião das sobras de estúdio do Kyuss lançada ao longo dos anos após o encerramento das atividades da banda. Curta, ela tem uma guitarra contagiante.

"If Only" também nasceu na Desert Session e chegou a ser lançada no EP “Kyuss / Queens of the Stone Age” com versos e nome diferentes. É uma canção que apela muito para guitarra na hora de fazer a ponte entre os versos, e isso faz uma enorme diferença. Primeira com mais de cinco minutos de duração, "Walkin' on the Sidewalks" nasceu de um sonho que o vocalista teve e, por isso, traz esse tom enigmático, sonhador e um tanto macabro.



Emendando com a anterior, "You Would Know" surge menos pesada e com um vocal mais falado, passando a impressão de ser uma mensagem dirigia a uma pessoa específica, mas a coisa fica realmente animada em "How to Handle a Rope" – mesmo para contar uma história tensa – e em “Mexicola”. Em ambas, o baixo atua de forma brilhante para ajudar no peso da melodia.

A instrumental "Hispanic Impressions" promete colocar o pessoal para dançar. E cumpre ao trazer um ritmo muito contagiante. Ela é seguida por "You Can't Quit Me Baby", a mais longa faixa do álbum fala sobre a obsessão por alguém ser tão grande a ponto de o suicídio ser a única opção para mantê-lo na cabeça para sempre. As duas últimas, "Give the Mule What He Wants" e "I Was a Teenage Hand Model", foram as canções que ajudaram a definir o som da banda até os dias de hoje.

O disco de estreia do Queens of the Stone Age foi gravado ao melhor estilo “faça você mesmo”, muito em voga nos anos 1990 com o avanço da tecnologia. O resultado é um trabalho muito bom e fora do comum. Josh Homme tentou e conseguiu criar algo único.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Regular John" (Homme, Hernandez, John McBain) (4:35)
2 - "Avon" (Homme) (3:22)
3 - "If Only" (Homme) (3:20)
4 - "Walkin' on the Sidewalks" (5:03)
5 - "You Would Know" (4:16)
6 - "How to Handle a Rope" (3:30)
7 - "Mexicola" (Homme) (4:54)
8 - "Hispanic Impressions" (2:44)
9 - "You Can't Quit Me Baby" (6:34)
10 - "Give the Mule What He Wants" (3:09)
11 - "I Was a Teenage Hand Model" (5:01)

Todas as faixas foram escritas por Josh Homme e Alfredo Hernández, exceto as marcadas

Gravadora: Loosegroove
Produção: Joe Barresi e Josh Homme
Duração: 46min27s

Josh Homme: vocal, guitarra, baixo, teclado e piano
Alfredo Hernández: bateria

Convidados:

Chris Goss: baixo e vocal de apoio em "You Would Know" e "Give the Mule What He Wants"
Fred Drake: bateria e vocal em "I Was a Teenage Hand Model"
Patrick "Hutch" Hutchinson: piano em "I Was a Teenage Hand Model"
Mike Johnson: "sofá" em "I Was a Teenage Hand Model"
Dave Catching: percussão em "I Was a Teenage Hand Model"



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