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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Discos para história: Rust Never Sleeps, de Neil Young with Crazy Horse (1979)


História do disco

Neil Young foi um sobrevivente. Ao final dos anos 1970, poucos músicos tinham ganhado tanto prestígio por parte do público e da crítica. O canadense foi um deles. Só entre 1970 e 1978, ele lançou "After the Gold Rush", "Harvest", "Time Fades Away", "On the Beach", "Tonight's the Night", "Zuma", "American Stars 'n Bars" e "Comes a Time", sendo os cinco primeiros seus maiores clássicos.

Mas ele estava insatisfeito, para variar. Durante a turnê de "Comes a Time", Young soava entediado com o que estava fazendo naquele momento -- apresentações acústicas e sozinho. Uma mudança estava por vir, como ele deixou claro em entrevista ao então jovem jornalista da revista 'Rolling Stone' Cameron Crowe."Eu o ouço no rádio e parece bom... Mas estou em outra agora. Eu gosto de rock & roll", explicou.

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Até hoje, Young é um músico muito mais impulsivo do que racional. Quando entra de cabeça em um projeto, ele vai com tudo mesmo e ninguém pode pará-lo. O resultado disso tudo foi a concepção de "Rust Never Sleeps", disco e turnê até hoje lembrados como seu grande auge no palco e um dos melhores materiais lançados no período.

O nome veio de quando ele conheceu o Devo, banda de Akron, Ohio, chamada por ele para ajudá-lo no filme de comédia "Human Highway". Ele ficou impressionado com o uso da frase que seria usada no título do álbum, então ligou para eles para saber o significado disso. Era uma criação de brincadeira de um slogan publicitário para o produto Rust-Oleum. Mas levaria Young a ligar seu lado mais selvagem, deixar o violão um pouco mais de lado para retornar com (quase) tudo ao peso das guitarras.

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"Rust Never Sleeps" é um álbum ao vivo, mas não é. Durante a turnê com a Crazy Horse, um gravador era ligado durante toda apresentação. Muitas das faixas foram usadas mais a gravação de uma passagem de som na casa de show Boarding House, em São Francisco, foi usada como complemento. Mas tudo foi editado em estúdio, com inclusão de vários overdubs durante a produção e pós-produção, além da inclusão em estúdio de "Pocohantas" e "Sail Away" -- ambas retiradas das sessões de "Comes a Time" --, que só teriam suas respectivas versões liberadas em "Hitchhiker" (2017).

Lançado em 22 de junho de 1979, o álbum era bom demais para qualquer pessoa se importar com as modificações. Fundamental nisso era o discurso de Young, favorável às mudanças sem esconder nada dos fãs e dos críticos. "Rust Never Sleeps" virou um dos discos mais celebrados e importantes do rock, um simbolo de como um homem pode fazer o que gosta com uma ajuda dos (ótimos) amigos.


Resenha de "Rust Never Sleeps"

O álbum abre com "My My, Hey Hey (Out of the Blue)", faixa sobre o medo do cantor em se tornar obsoleto no mundo da música. Young usa a música para dizer, basicamente, que ele prefere ser selvagem e queimar toda as forças do que ficar infinitamente de vagando de maneira medíocre por aí, mas é com "Thrasher" que podemos ouvir como ele conseguiu sobreviver aos anos 1970. Uma das mais bonitas peças acústicas dele, a segunda canção do trabalho fala sobre a liberdade de não fazer mais parte do Crosby, Stills, Nash & Young e como isso afetou positivamente a criatividade na carreira solo.

Se "Ride My Llama" e "Sail Away" apelam para o lado errático e homem solitário de Young, acompanhadas por um bonito coro, "Pocahontas" é ainda mais bonita nesse trabalho do que em qualquer outra versão que ele tenha mostrado anteriormente. O massacre de uma tribo indígena por parte dos invasores europeus é retratado de forma honesta e brilhante por parte do cantor. É um das melhores canções dos anos 1970.



O lado B abre com "Powderfinger", música que Neil Young ofereceu para Ronnie Van Zant em 1975, que usaria a faixa no próximo álbum do Lynyrd Skynyrd. Só que ele morreu em um acidente de avião e a banda nunca gravou, então sobrou para Young colocá-la em "Rust Never Sleeps". A triste letra fala sobre o sacrifício de um jovem para proteger sua família, metáfora que muitos pesquisadores afirmam ser sobre os jovens americanos indo para Guerra do Vietnã. É outra canção linda dele e subvalorizada na discografia.


A agitada "Welfare Mothers" chega para tentar dar um pouco de colorido ao álbum, mas é em "Sedan Delivery" que Young coloca o pessoal para dançar mesmo. Por fim, o disco encerra com "Hey Hey, My My (Into the Black)", canção que aborda o rock e como ele passava por mudanças significativas no final dos anos 1970 com a acensão do punk e de novos músicos.

Um dos melhores álbuns dos anos 1970 mostrava ao mundo do que Neil Young era capaz. Ganhou tamanha importância que o disco é colocado por estudiosos como pai do grunge -- anos depois, ele faria uma turnê com o Pearl Jam como banda de apoio.



Tracklist:

Lado A

1 - "My My, Hey Hey (Out of the Blue)" (Neil Young e Jeff Blackburn) (3:45)
2 - "Thrasher" (5:38)
3 - "Ride My Llama" (2:29)
4 - "Pocahontas" (3:22)
5 - "Sail Away" (3:46)

Lado B

1 - "Powderfinger" (5:30)
2 - "Welfare Mothers" (3:48)
3 - "Sedan Delivery" (4:40)
4 - "Hey Hey, My My (Into the Black)" (5:18)

Gravadora: Reprise
Produção: Neil Young, David Briggs e Tim Mulligan
Duração: 38min16s

Neil Young: vocal, guitarra, gaita, órgão e percussão

Crazy Horse:
Frank "Poncho" Sampedro: guitarra e vocal de apoio
Billy Talbot: baixo e vocal de apoio
Ralph Molina: bateria e vocal de apoio

(em "Sail Away")

Nicolette Larson: vocal
Joe Osborn: baixo
Karl T. Himmel: bateria



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