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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Disco para história: Out of Time, do R.E.M. (1991)


Trabalho levou banda a ser um fenômeno mundial

História do disco

Toda grande banda tem o grande momento, aquela hora em que o mundo olha para ela e diz: "eles são bons, hein?". Com o R.E.M. não foi diferente. Até o fim dos anos 1980, a banda da Georgia formada por Bill Berry (bateria), Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixista) e Michael Stipe (vocal) já tinha um público fiel nos Estados Unidos, principalmente depois de "Document" (1987), mas foi com "Out of Time" que eles explodiram mundialmente.

Um dos discos mais populares dos anos 1990 começou a nascer logo após o final da longa turnê de "Green" (1988). Uma nuvem de tédio estava pairando sobre os quatro integrantes, já cansados de fazer a mesma coisa com seus respectivos instrumentos há mais de uma década, quando eles ainda eram jovens idealistas que compunham canções de protesto.

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"Eu estava um pouco entediado com a guitarra", disse Peter Buck à Rolling Stone, em 2016, nas comemorações de 25 anos de "Out of Time". "E eu tocava oito horas por dia todos os dias sem cansar", completou o guitarrista, o primeiro a partir para um novo instrumento quando, na volta para casa, comprou um bandolim e ficou treinando alguns dias com ele.

Os outros integrantes fizeram movimentos parecidos. Mike Mills largou um pouco o baixo e partiu para o teclado; Bill Berry deixou a bateria de lado e foi para o baixo; e Michael Stipe se impôs o desafio de escrever canções de amor pela primeira vez na vida. Todos partiram para novas abordagens dentro da banda.

"Com Peter não querendo tocar guitarra, começamos a escrever de forma diferente", disse Mills, também à Rolling Stone. "As músicas que você escreve em um violão, bandolim, balalaika ou o que você tem, tendem a ser diferentes do que se você escreve em uma guitarra. Decidimos que poderíamos escrever em instrumentos diferentes, em vez de nos forçar a escrever músicas de diferentes sonoridades", completou.

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Lançado em 12 de março de 1991, "Out of Time" foi o segundo disco da banda para a Warner e chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e no Reino Unido. "Todos na empresa estavam convencidos de que seria um sucesso. Apenas não sabíamos se seria um sucesso estupendo, mas era a nossa prioridade", disse Jeff Gold, vice-presidente sênior da gravadora na época.

O resultado desse trabalho acabou sendo mostrado no Grammy, com quatro indicações e quatro vitórias -- incluindo Álbum do Ano. E a banda estava tão empolgada com a nova forma de trabalho que acabou aproveitando o tempo em que não fez turnê para trabalhar no que viria a ser "Automatic for the People" (1992). "A maneira como os caras estavam escrevendo os abriu. 'Out of Time' e 'Automatic...' são dois registros que caminham juntos", falou o produtor Scott Litt.


Resenha de "Out of Time"

"Radio Song" abre o disco e Michael Stipe espera que todos percebam a provocação na letra é feita para irritar mesmo -- até o cantor disse ter ficado irritado com a faixa. É uma canção animada e soa ter sido feita para abertura mesmo, porque não há vejo em qualquer outro lugar do álbum. E o rapper KRS-One faz uma boa participação especial.

Mas a grande canção do disco mesmo é "Losing My Religion". Segundo Stipe, a letra foi inspirada em "Every Breath You Take", do Police, é sobre obsessão por alguém e foi composta para ser assim desde quase sempre. Baseada no bandolim de Buck, a faixa tinha um tom um pouco mais alegre na primeira demo, mas acabou ganhando esse arranjo mais melancólico e assim permaneceu. É uma das melhores canções da banda e é a mais reproduzida no Spotify.



A mudança musical do R.E.M. entre um disco e outro se faz bem presente em "Low". O tom misterioso e até mesmo perturbador pode levar o ouvinte a achar que Stipe sofria algum tipo de depressão ou qualquer coisa do tipo, mas isso já foi negado por ele algumas vezes -- o violino surge para quebrar em pedaços qualquer coração. A seguinte, "Near Wild Heaven", é cantada pelo baixista Mike Mills. Assim como muitas canções pop bonitinhas e inofensivas, ela tem estrutura simples, é bem melódica e funciona muito bem dentro da proposta.

Instrumental, "Endgame" parece dividir o disco em duas partes, o que deve funcionar muito bem na versão em vinil. Aqui também podemos ouvir como a nova abordagem instrumental dos quatro estava indo de vento em popa. Dentro dessas imensas coincidências da vida, "Shiny Happy People", uma prateleira de otimismo, foi lançada justamente após o fim da Guerra do Golfo. E fez muito sucesso. Primeiro, pelo tom pra cima da letra; segundo, Kate Pierson, do B52s, no auge da carreira, faz uma participação especial; terceiro, ela é completamente diferente de qualquer coisa gravada pela banda até então e depois. É uma anomalia, em resumo. Mas é uma anomalia de sucesso. A banda a tocou poucas vezes ao vivo, sendo duas delas na TV -- uma no 'Saturday Night Live' e em um especial dos 'Muppets'.

(Um dia, de férias no Peru, Peter Buck ouviu a faixa no rádio duas décadas depois de gravá-la e contou à Rolling Stone: "soou maravilhoso. Eu não tinha ouvido desde que aquela época e apenas pensei: 'Uau. É ótima. Não me admira que as pessoas gostem'".)



Depois dela vem "Belong", esse um R.E.M. raiz que os anos 1980 produziram. Basicamente, a melancólica e melódica letra fala sobre liberdade e como sentir-se livre ao não pertencer aos meios comuns de comunicação -- serve para os tempos atuais. E "Half a World Away" traz um tom meio bardo solitário por conta do bandolim, que encaixou muito bem com a letra sobre estar sozinho.

Mills surge mais uma vez no vocal em "Texarkana", acrônimo de um pedaço dos Estados Unidos exatamente entre o Texas e o Arkansas, faixa que conseguiu o feito de entrar nas paradas de sucesso sem ser divulgada como single. "Country Feedback", uma das favoritas de Stipe por ter sido escrita e gravada em questão de minutos, surge para relembrar que a banda ainda era capaz de fazer uma música de tom mais sério. E "Me in Honey" é uma boa música romântica para encerrar o disco.

"Out of Time" mudou para sempre o patamar do R.E.M., transformando o grupo em fenômeno mundial. E isso aconteceu justamente quando eles apresentaram uma nova abordagem na composição, então é possível afirmar que há uma banda antes desse disco e uma depois.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Radio Song" (4:12)
2 - "Losing My Religion" (4:26)
3 - "Low" (4:55)
4 - "Near Wild Heaven" (3:17)
5 - "Endgame" (3:48)
6 - "Shiny Happy People" (3:44)
7 - "Belong" (4:03)
8 - "Half a World Away" (3:26)
9 - "Texarkana" (3:36)
10 - "Country Feedback" (4:07)
11 - "Me in Honey" (4:06)

Todas as faixas foram escritas por Bill Berry, Peter Buck, Mike Mills e Michael Stipe

Gravadora: Warner Bros. / Concord Records
Produção: Scott Litt e R.E.M.
Duração: 44min08s

Bill Berry: bateria, percussão; congas on "Low"; baixo em "Half a World Away" e "Country Feedback"; piano em "Near Wild Heaven"; vocal de apoio em Near Wild Heaven", "Belong" e "Country Feedback"

Peter Buck: guitarra, violão; bandolim em "Losing My Religion" e "Half a World Away"

Mike Mills: baixo, vocal de apoio; órgão em "Radio Song", "Low", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Country Feedback"; piano em "Belong"; cravo em "Half a World Away"; percussão em "Half a World Away"; vocal principal em "Near Wild Heaven" e "Texarkana"; teclado em "Losing My Religion" e "Texarkana"

Michael Stipe: vocal; gaita em "Endgame"; vocal de apoio em "Near Wild Heaven" e Texarkana"

Convidados:

David Arenz, Ellie Arenz, David Braitberg e Dave Kempers: violino em "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Texarkana"

Mark Bingham: arranjo de cordas em "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Texarkana"

Andrew Cox: violoncelo em "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Texarkana"

Reid Harris: viola em "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Texarkana"

Peter Holsapple: baixo emn "Radio Song" and "Low", acoustic guitar on "Losing My Religion", "Shiny Happy People" e "Texarkana"; guitarra em "Belong"

Ralph Jones: baixo duplo em "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" and "Texarkana"

Kidd Jordan: saxofone barítono em "Radio Song" e "Near Wild Heaven", tenor saxophone em "Radio Song" e "Endgame"; saxofone alto em "Radio Song"; clarinete em "Low" e "Endgame"

John Keane: guitarra steel em "Texarkana" e "Country Feedback"

KRS-One: letra em "Radio Song"

Scott Litt: efeitos em "Radio Song"

Elizabeth Murphy: violoncelo em "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Texarkana"

Paul Murphy: viola on "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Texarkana"

Kate Pierson: vocal de apoio em "Near Wild Heaven"; vocal em "Shiny Happy People" e "Me in Honey"

Jay Weigel: orquestra em "Radio Song", "Low", "Near Wild Heaven", "Endgame", "Shiny Happy People", "Half a World Away" e "Texarkana"

Cecil Welch: Fliscorne em "Endgame"



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