quinta-feira, 5 de julho de 2018

Discos para história: Tom Petty and the Heartbreakers, de Tom Petty and the Heartbreakers (1976)


Estreia em estúdio aconteceu após uma experiência fracassada em outra banda

História do disco

Tom Petty nasceu Thomas Earl Petty em 20 de outubro de 1950 e acabou, como quase toda sua geração, pegando uma época em que o rock já estava mais consolidado como gênero musical da juventude da época. Como não poderia deixar de ser, ele começou por Elvis Presley e seus filmes – o cantor estrelou mais de 30 deles. E ele ainda conseguiu ver a filmagem de “Em Cada Sonho um Amor” (1962) bem de perto, já que um tio dele trabalhava na produção e o levou para assistir.

O então garoto Thomas também ficou bem impactado, como uma imensa parcela da população dos Estados Unidos, quando os Beatles foram ao Ed Sullivan Show. Perto do fim da década, ele aprendeu a tocar baixo e largou a escola para formar uma banda. Como precisava comer, passou por diversos empregos – desde ser um faz tudo na Universidade da Flórida até coveiro.

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Petty sabia que trabalhar com música era seu maior desejo, mas não foi fácil. O caminho começou a ser aberto quando ele, ao lado do guitarrista Mike Campbell e o tecladista Benmont Tench, entrou na banda Mudcrutch. E eles trabalharam muito. Muito mesmo. Em 1974, conseguiram um contrato com a gravadora Shelter e foram direto morar em Hollywood para trabalhar em um futuro álbum. O single "Depot Street" chegou a ser lançado, mas não atingiu um bom lugar nas paradas. E a banda simplesmente implodiu.

O motivo? Havia uma divisão entre os músicos nascidos no estado da Flórida e os nascidos em Los Angeles. O ambiente ficou impossível, principalmente para uma banda novata que precisava ficar junta o tempo inteiro para economizar um trocado. Tench foi o primeiro a sair e logo saiu atrás de maneiras para gravar uma fita demo. Já que seus conterrâneos da Flórida estavam por lá, por que não os convidar nessa empreitada?

O baterista Stan Lynch, o baixista Ron Blair, Campbell e Petty estiveram no estúdio para a primeira sessão. Começaram por faixas da antiga banda e logo estavam praticando algumas composições escritas por Petty. Isso foi em um único ensaio. No dia seguinte, eles formaram uma banda, os Heartbreakers, ainda sem Petty. Eles foram atrás daquele cara que tinha só tocado gaita justamente por terem gostado do material do cantor. E foi aí que Tom Petty apresentou sua proposta: o grupo se chamaria Tom Petty and the Heartbreakers, porque. Eles toparam.

Eles acabaram assinando (de novo) com a Shelter, agora com o novo nome. Com ajuda de Denny Cordell, um dos sócios da gravadora, o disco de estreia foi gravado em duas semanas – trabalho facilitado pela banda já saber o repertório completo por ter horas de ensaios nas costas.

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Lançado em 9 de novembro de 1976, a estreia de Tom Petty and the Heartbreakers foi um fracasso. Primeiro, o punk estava em alta, então quem ouviria um disco que tem inspirações em Rolling Stones, Bo Diddley, Chuck Berry, Beatles e Eagles; segundo, a capa atrapalhou um pouco, porque muita gente achou que era um disco... punk.

Em uma turnê pelo Reino Unido, os singles “Anything That Rock'n Roll” e “American Girl” explodiram e fizeram da banda um sucesso repentino na ilha. Só em 1977, no relançamento de "Breakdown" como música de trabalho, foi que eles explodiram nos Estados Unidos. Paralelamente, eles seguiam em turnê em locais cada vez mais cheios enquanto iam subindo nas paradas. Demorou, mas Tom Petty iniciava uma das trajetórias mais importantes do rock americano.


Resenha de Tom Petty and the Heartbreakers

Se pensarmos nas referências de Tom Petty nas composições, "Rockin' Around (With You)" poderia tranquilamente ter sido composta em algum momento do nascimento do rock para o grande público entre 1955 e 1958. Simples e curta, a faixa tem bom apelo para qualquer jovem que deseja “agitar um pouco por aí”, como diziam os antigos. A sequência traz "Breakdown", primeiro single a explodir nos Estados Unidos. E era exatamente o tipo de música que as estações de rádio AM no país adoravam tocar naquela época por ter uma estrutura bem simples e falar de amor sem metáforas.

Outra bem curta, "Hometown Blues" coloca aquela a ansiedade juvenil pela salvação através do amor como tema principal com um andamento bom para dançar – um tipo de canção que deixaria Buddy Holly orgulhoso. E "The Wild One, Forever" é o tipo de balada que o Eagles fez aos borbotões ao longo da carreira, e Tom Petty conseguiu reproduzir usando palavras bonitas em um tempo mais curto.



"Anything That's Rock 'n' Roll" é um country rock sem tirar nem pôr nada, principalmente pela letra exaltar a liberdade de dançar ao som do rock and roll – e a faixa tem certa atitude punk, no fim das contas. Já "Strangered in the Night" é uma tentativa de contar uma história à Bob Dylan. Não é das melhores faixas, mas funciona bem no disco, assim como "Fooled Again (I Don't Like It)". Já "Mystery Man" poderia ter sido alguma faixa gravada pelo Lynyrd Skynyrd com total tranquilidade.

"Luna" soa um poema cantado e até faz sentido ser a maior em duração do disco, mas não supera o clássico "American Girl". Como bem definiu o crítico da Rolling Stone nas 100 Melhores Músicas com Guitarra, “a faixa é uma mistura de Byrds com a energia juvenil da new wave”. E é isso mesmo. E a letra, de novo, usa uma fórmula imbatível: simplicidade.

A estreia de Tom Petty liderando os Heartbreakers demorou para fazer sucesso nos Estados Unidos, mas virou um símbolo de uma parte do país ignorada pelas costas: o Meio-Oeste americano. Ninguém soube cantar as alegrias e tristezas dessa região. A estreia em estúdio foi só o começo de uma bonita trajetória.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Rockin' Around (With You)" (Tom Petty e Mike Campbell) (2:29)
2 - "Breakdown" (2:43)
3 - "Hometown Blues" (2:14)
4 - "The Wild One, Forever" (3:03)
5 - "Anything That's Rock 'n' Roll" (2:24)
6 - "Strangered in the Night" (3:34)
7 - "Fooled Again (I Don't Like It)" (3:50)
8 - "Mystery Man" (3:03)
9 - "Luna" (3:58)
10 - "American Girl" (3:34)

Todas as faixas foram escritas por Tom Petty, exceto a marcada.

Tom Petty: vocal, guitarra, violão e teclado
Mike Campbell: guitarra e violão
Benmont Tench: piano, órgão Hammond e teclado
Ron Blair: baixo e violoncelo
Stan Lynch: bateria e piano

Convidados:

Jeff Jourard: guitarra nas faixas 2, 6, 7 e 8
Donald "Duck" Dunn: baixo na faixa 3
Emory Gordy: baixo na faixa 6
Randall Marsh: bateria na faixa 3
Jim Gordon: bateria na faixa 6
Noah Shark: maracas, tambourine e guizo
Charlie Souza: saxofone na faixa 3
Phil Seymour: vocal de apoio nas faixas 2 e 10
Dwight Twilley: vocal de apoio na faixa 6



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