quinta-feira, 29 de março de 2018

Discos para história: Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong (2008)


Estreia em estúdio é considerada um dos melhores discos da primeira década dos anos 2000 no Brasil

História do disco

"Hoje o mercado da música não depende mais da venda dos CDs, existem diversas outras plataformas e oportunidades para a difusão de nosso trabalho. Quanto mais fácil for o acesso para o nosso público, melhor para as novas oportunidades de negócios. Sem falar que tudo o que fazemos aqui em Cuiabá se baseia na lógica do software livre, ao acesso livre das músicas", contou o guitarrista e líder do Macaco Bong Bruno Kayapy em entrevista a Paulo Terron, em 2008, disponibilizada no site do Ministério da Cultura, sobre lançar um disco virtual e físico ao mesmo tempo.

"A proposta da [gravadora] Trama veio de encontro a tudo isso. Não interferiu em nada o que queríamos fazer e ainda contribuiu de uma maneira muito bacana para chegarmos ao que realmente queríamos, que era lançar por dois selos independentes bacaníssimos e também disponibilizar de forma gratuita todas as faixas", completou.

Mais discos dos anos 2000:
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"É uma trajetória muito louca. O Artista Igual Pedreiro foi um marco na nossa história. A mensagem daquele trabalho é, hoje, na prática, o que o Macaco Bong vive. Esse é o rolê. Essa coisa de processo histórico, de trajetória, não passa muito pela nossa cabeça. Estamos é tocando o pau de fazer música, fazer show e gravar disco, sem nos preocupar muito com o que está sendo construído. O que a gente quer é dar continuidade, e nisso estamos com muito gás", falou Kayapy, em entrevista ao site do jornal 'O Tempo', publicada em fevereiro de 2012.


“Esse título foi criado pela galera lá em Cuiabá”, disse Kayapy, em entrevista ao site da revista 'Rolling Stone Brasil', em setembro de 2015. “Tínhamos uma produtora e volta e meia tínhamos que fazer obra, por que é caro pagar pedreiro [risos]. Era uma 'zoação' e resolvemos colocar Artista Igual Pedreiro. No dia a gente ficou pensando no que colocar, e nos acabamos de rir. Não foi uma coisa muito pensada, foi um negócio mais irônico.”

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“Toda a associação do nome, com o estilo da banda, todo o ‘rala’, o fato de ser instrumental, era a gente indo para um outro lado”, continuou. “Enquanto o pessoal investia pesado em estrutura e coisa do tipo, nós estávamos enxugando as coisas. Isso na época foi um pouco provocativo, ver a gente saindo de Cuiabá e tocando pelo Brasil todo. Não que o Macaco Bong propriamente tenha desbravado algo novo, só acho que talvez o Artista Igual Pedreiro mostrou que não é preciso ter um estilo de música específico para ter público".

“Este prêmio foi um divisor de águas não somente na história da banda, mas na história da música underground brasileira”, relembrou Bruno Kayapy, em 2016, à 'Rolling Stone', sobre como foi ter o disco de estreia da banda eleito o melhor do ano. "Artista Igual Pedreiro quebrou preconceitos. O disco rompeu aquela barreira que havia entre a música instrumental e a música cantada, entre o underground e o mainstream, aquele velho dilema: ‘Ser ou não ser comercial, eis a questão’ foi de fato desconstruído através da premiação deste álbum", encerrou.


Resenha de Artista Igual Pedreiro

Uma década após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, é incrível como Artista Igual Pedreiro segue muito bom e um poderoso disco instrumental. A faixa de abertura, "Amendoim", mostra bem isso ao ser quase um stoner de tão forte em seu arranjo, já "Fuck You Lady" traz uma delicadeza no arranjo e cria um clima muito leve e bonito logo na segunda música.

Se dá para chamar uma música instrumental de clássica, "Noise James" e "Shift" são. Atrativas, as faixas são duas das melhores que o Macaco Bong já apresentou ao longo da carreira. Consistentes do início ao fim, são ótimos exemplos de como dá para fazer duas 'pauladas' instrumentais sem parecer que estão enrolando ou algo do tipo. E a segunda é um sucesso da banda até os dias de hoje.



Depois de duas faixas mais curtas, o grupo retoma o ritmo do início com "Black's Fuck" e seus oito minutos. A delicadeza também retorna e é mesclada com agressividade, resultado apresentado em "Rancho" – essa apostando mais na guitarra, principalmente na capacidade para extrair o máximo do som, para ajudar no desenvolvimento da faixa. E "Bananas for You All" é uma baita aula de como construir a sonoridade aos poucos até chegar ao ápice.

"Belezza" chega com um ar mais pop, mas que também apela para força dos instrumentos, já "Compasso em ferrovia" é mais delicada e usa mais riffs para manter a pegada mais 'bluseira'. E o encerramento surge com "Vamodahmaisuma", outra poderosa faixa em que a banda parece estar em um grande momento de pura improvisação.

O Macaco Bong ainda segue muito bem no cenário nacional depois de dez anos do lançamento de sua estreia em estúdio, principalmente ao mostrar que é possível fazer música instrumental de qualidade e manter uma legião de fãs fiéis. Isso é suficiente.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Amendoim" (7:19)
2 - "Fuck You Lady" (8:21)
3 - "Noise James" (4:51)
4 - "Shift" (3:42)
5 - "Black's Fuck" (8:01)
6 - "Rancho" (5:10)
7 - "Bananas for You All" (8:22)
8 - "Belezza" (7:03)
9 - "Compasso em ferrovia" (7:33)
10 - "Vamodahmaisuma" (7:37)

Todas as músicas foram assinadas pelo Macaco Bong

Gravadora: Monstros Discos/Trama
Produção: Macaco Bong/Gustavo Vasquez
Duração: 67min59s

Bruno Kayapy: guitarra e violão
Ney Hugo: baixo
Ynaiã Benthroldo: bateria

Convidados:

Gustavo Vasquez, Vivis, Higor, Ahmad e Elimara: apoio no estúdio
Luis Maldonalle: guitarra



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