quinta-feira, 19 de julho de 2018

Discos para história: Night Life, de Ray Price (1963)


Trabalho foi o primeiro de cinco álbuns do cantor que chegaram ao topo das paradas

História do disco

Poucos devem saber, mas Ray Price largou a faculdade de veterinária após ser considerado muito pequeno para tomar conta de cavalos. Era um período muito difícil após a Segunda Guerra Mundial, então largar os estudos foi uma decisão muito difícil por parte dele. Ele seguiu ajudando o pai na fazenda da família enquanto fazia uma apresentação ou outra pela região de Abilene, no Texas.

Em 1948, cantou pela primeira vez em uma estação de rádio local e é o que dizem: um pequeno passo para um homem é sempre o início de uma grande carreira. No caso de Price era bem sério e ele só se aposentaria em 2013, ano de sua morte. E se era um cantor country, o lugar para se estar era Nashville. E ele foi. E com um contrato assinado com a gravadora Bullet, graças a influência do cantor Lefty Frizzell, um dos grandes nomes da história do country dos Estados Unidos.

Mais discos dos anos 1960:
Discos para história: A Girl Called Dusty, de Dusty Springfield (1964)
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Até hoje, Nashville é considerada uma espécie de Meca da música country, mesmo com essa onda de modernização do estilo que deixa os mais experientes de cabelo em pé. Na década de 1950, era o lugar ideal para conseguir apresentações e contatos. Lá, Price conheceu Hank Williams e ficou morando com ele até sua morte, em 1953. Por um período, ele herdou a banda do amigo, mas não conseguiu nada muito importante nas paradas.

A coisa só virou em 1954, com o sucesso de "Release Me". Mas o movimento começou um ano antes, com a criação do nome da banda que o acompanharia até o fim da vida: Cherokee Cowboys. Roger Miller, Willie Nelson (demitido após matar um dos galos de Price), Darrell McCall, Van Howard, Johnny Paycheck, Johnny Bush, Buddy Emmons, Pete Wade, Jan Kurtis, Shorty Lavender e Buddy Spicher foram alguns dos importantes nomes que passaram por lá. Foi com ajuda deles que Price conseguiu desenvolver o estilo próprio que ficaria tão conhecido ao longo das décadas seguintes: o honky-tonk (um country mais de bar, basicamente), fundamental em “Night Life”, o sexto e considerado por críticos e fãs o melhor disco de estúdio de sua longa e duradoura carreira.

Veja também:
Discos para história: Fever to Tell, do Yeah Yeah Yeahs (2003)
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Lançado em abril de 1963, o disco foi o primeiro da carreira de Prince a chegar ao topo da parada. O impressionante é que ainda não havia a fusão da parada pop com as outras, mas, mesmo assim, o disco manteve-se estável tempo suficiente para ficar na segunda colocação na estreia do modelo. Foi o primeiro de cinco discos do cantor a conseguiu tal feito.


Resenha de “Night Life”

O disco começa com uma introdução, como se fosse mesmo uma apresentação em um bar. Depois surge a melancólica faixa-título, uma mistura entre country e blues para falar sobre a vida não ser tão boa, mas, ainda assim, sua vida. E o country para falar de como é tocar blues na noite retorna logo na seguinte, chamada "Lonely Street".

O abandono da pessoa amada aparece em "The Wild Side of Life", história do homem que vê a mulher que ele ama trocá-lo pela vida noturna e para lugares onde “o vinho e o licor fluem”, e a bebida aparece novamente em "Sittin' and Thinkin'" – no caso, como vilã – em uma faixa de andamento muito melancólico. Na única faixa composta por Ray Price, "The Twenty-Fourth Hour" conta a triste história da solidão de um homem que aguenta o sofrimento por 23 horas, mas desmorona na 24ª.



Sabe a melancolia? Então, ela segue em "A Girl in the Night" e em "There's No Fool Like a Young Fool", mas a coisa muda de figura em “Pride”. De andamento bem animado, a faixa fala sobre a famosa dúvida que permeia todo e qualquer ser humano: agir com a razão ou com o coração? O refrão é um ótimo destaque por logo ficar na cabeça.

A parte final traz "If She Could See Me Now" (sobre lamentação e arrependimento), "Bright Lights and Blonde Haired Women" (sobre estar cansado de perambular pelo mundo sozinho), "Are You Sure" (sobre ver a pessoa amada rodeada de gente falsa) e "Let Me Talk to You" (sobre não conseguir chegar na pessoa amada).

O fundamental de Night Life é entender que é a resposta do country para In The Wee Small Hours, de Frank Sinatra, lançado quase uma década antes. O disco é fundamental para qualquer pessoa bêbada que tenha perdido um amor recentemente, um claro momento de hora de fechar o bar e (tentar) ir para casa de qualquer jeito. Ray Price nunca mais fez algo parecido, mas foi suficiente para uma vida toda.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Introduction and Theme" / "Night Life" (Walt Breeland, Paul Buskirk, Willie Nelson) (6:46)
2 - "Lonely Street" (Carl Belew, Kenny Sowder, W.S. Stevenson) (3:01)
3 - "The Wild Side of Life" (Arlie Carter, William Warren) (2:59)
4 - "Sittin' and Thinkin'" (Charlie Rich) (2:47)
5 - "The Twenty-Fourth Hour" (Ray Price) (2:53)
6 - "A Girl in the Night" (Hank Thompson) (2:49)
7 - "Pride" (Wayne P. Walker, Irene Stanton) (2:39)
8 - "There's No Fool Like a Young Fool" (Bette Thomasson) (2:58)
9 - "If She Could See Me Now" (Hank Cochran) (2:42)
10 - "Bright Lights and Blonde Haired Women" (Eddie Kirkland) (2:26)
11 - "Are You Sure" (Buddy Emmons, Willie Nelson) (2:23)
12 - "Let Me Talk to You" (Don Stewart Davis, Danny Dill) (3:05)

Gravadora: Columbia
Produção: Don Law e Frank Jones
Duração: 37min36s

Ray Price: vocais e violão
Willie Nelson: vocais e baixo
Johnny Paycheck: vocais, violão, guitarra, baixo e guitarra steel
Buddy Emmons: guitarra pedal-steel
Floyd Cramer: piano



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