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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Discos para história: Cansei de Ser Sexy, do Cansei de Ser Sexy (2005)


História do disco

Oficialmente, o Cansei de Ser Sexy nunca acabou, mas está dando um tempo das atividades desde "Planta" (2013). Quem viveu o início dos anos 2000 deve se lembrar do surgimento de um dos grupos brasileiros mais divertidos e interessantes daquela década, sendo um dos poucos artistas brasileiros da mesma época a conseguir sucesso internacional -- incluindo aí um contrato com a Sub Pop.

Tudo começou como hobby para os integrantes do grupo formado por Luiza Lovefoxxx, Adriano Cintra, Carol Parra, Luiza Sá e Ana Rezende. Basicamente, apenas Cintra tinha mais experiência e repertório musical mais amplo. As mulheres, ao contrário, estavam mais pela tiração de sarro em tocar e cantar suas letras que mesclavam palavras em inglês e português.

Os tempos eram outros, a internet estava começando a ser algo mais comum na vida dos brasileiros. Foi esse poderio, aliado com uma boa estratégia, a jovialidade e o estilo das músicas que atraiu uma boa parcelas dos jovens para os shows. Os dois EPs do grupo, lançados de maneira independente no MySpace, fizeram um baita sucesso. Disso, a banda conseguiu assinar com a gravadora Trama Virtual.

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A Trama Virtual foi tudo que hoje está em SoundCloud, YouTube, iTunesStore e Bandcamp. Era a chance que muitas bandas então desconhecidas tinham para divulgar seus respectivos trabalhos e ganhar algum dinheiro, mesmo sendo grátis para o público -- um patrocinador bancava os valores, ainda que pequenos. O Cansei de Ser Sexy foi um dos primeiros grandes sucessos do site a ultrapassar a barreira do independente e atingir muita gente, que depois teve contato com outras bandas dentro do site. Isso fez a roda girar e ser algo bom para todo mundo.

"No primeiro CD, não sabíamos o que estávamos fazendo. Tocávamos num lugar tosco, sem estrutura. Nem nos preocupávamos. De que adiantava tocar uma guitarra se ficaria uma porcaria mesmo?", disse Adriano Cintra, 34, à "Folha de S. Paulo", em 2008, durante entrevista de divulgação do segundo álbum.

"Agora levamos a banda como a coisa principal de nossas vidas. Antes eu tinha outro emprego, o grupo era um hobby. Os temas das músicas são outros. Já fizemos uma coisa no primeiro disco, não teria por que repetir. No terceiro, falaremos de outras coisas. A vida vai em frente", completou o então baterista e compositor da banda.

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Lançado em 5 de outubro de 2005, o primeiro disco da banda caiu nas graças de boa parte de crítica e conseguiu arrematar um considerável público. O trabalho entrou em diversas listas de melhores do ano no Brasil e no Reino Unido, mostrando que eles haviam entrado em um seleto grupo de bandas que os principais críticos do mundo estavam de olho.

O CSS havia caído nas graças dos festivais pelo Brasil e pelo mundo. A agenda cheia era um reflexo e o sucesso era o caminho natural dessa banda dançante que havia encantado muita gente, sendo considerado "um dos grandes fenômenos musicais de 2006 ao lado de Arctic Monkeys e Lily Allen", segundo o periódico irlandês "Irish Independent". Eram outros tempos, mais leves e divertidos. O Cansei de Ser Sexy era um reflexo disso.


Resenha de "Cansei de Ser Sexy"

O Cansei de Ser Sexy é uma banda dançante, então começar com "Fuckoff Is Not the Only Thing You Have to Show" soa perfeitamente normal. O uso do eletrônico como base ajuda nisso e a letra em inglês é simples e fácil de decorar, ajudando a contagiar rapidamente quem se sentir suficientemente contagiado para sair dançando. É tudo muito simples e bem reflexo de uma época em que gravar música em casa estava virando padrão, não exceção.

A estreia da banda o tipo de disco que toca uma música atrás da outra quase sem respiro. "Alala" surge também dançante, mas um pouco mais sombria nos efeitos. A letra em si não faz muito sentido. Sinceramente? Isso pouco importa se a intenção é dançar, como o caso da grudenta "Let's Make Love and Listen to Death from Above". Essa faixa é tão grudenta que não me espanta os ingleses gostarem tanto do Cansei de Ser Sexy.



A zoeira do grupo resultou na composição de "Meeting Paris Hilton", uma tiração de sarro de uma das primeiras personalidades de mídia do mundo moderno (não me perguntem o que é isso), e em "Alcohol", sobre um dia bem maluco na vida de alguém. E "Bezzi" fala sobre a vocalista ter pegado uma pessoa com o nome da música de vários jeitos, além de falar de todas as suas manias. O disco não para nenhum minuto. Todas as canções são dançantes de algum jeito.

"Off the Hook" foi outra faixa de bastante sucesso nos shows. Um tanto mais leve e um pouco mais melódica do que as anteriores, acaba não tendo a parte eletrônica e serve para mostrar um pouco mais da banda em si. Se "Art Bitch" é mais séria e soa como um relato real de alguma coisa, "Acho Um Pouco Bom" é cantada inteiramente em português e é uma ilha em meio ao oceano. E "Computer Heat", mesmo com um ritmo bem dançante, é bem sombria e melancólica.


A parte final do álbum encaminha para "Music Is My Hot Hot Sex", metade em português e metade em inglês. De ritmo mais leve, diminui um pouco o ritmo do trabalho. Mas tudo retoma ao que era antes em "This Month, Day 10" e, principalmente, na extremamente viciante "Superafim" -- dessas que fica na sua cabeça por dias. O álbum encerra com a romântica e bonitinha "Poney Honey Money".

O Cansei de Ser Sexy soa como uma paixão de verão, algo que só quem viveu pode contar como foi. O primeiro álbum deles impactou toda uma geração de artistas que veio depois e pessoas que puderam usar o gosto pela banda para fazer amizades duradouras até hoje. Em hiato, ainda não se sabe se haverá volta. Mas foi bom (para o público) enquanto durou.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Fuckoff Is Not the Only Thing You Have to Show" (4:02)
2 - "Alala" (Cintra, Carolina Parra, Lovefoxxx) (3:58)
3 - "Let's Make Love and Listen to Death from Above" (3:31)
4 - "Meeting Paris Hilton" (3:11)
5 - "Alcohol" (2:49)
6 - "Bezzi" (Cintra, Luiza Sá, Lovefoxxx) (3:04)
7 - "Off the Hook" (Cintra) (2:40)
8 - "Art Bitch" (3:09)
9 - "Acho Um Pouco Bom" (Cintra) (2:58)
10 - "Computer Heat" (5:03)
11 - "Music Is My Hot Hot Sex" (3:07)
12 - "This Month, Day 10" (3:57)
13 - "Superafim" (Cintra, Carlos Dias, Clara Ribeiro) (3:43)
14 - "Poney Honey Money" (2:38)

Todas as músicas foram escritas por Adriano Cintra e Lovefoxxx, exceto as marcadas.

Gravadora: Trama
Produção: Adriano Cintra
Duração: 48 minutos

Lovefoxxx: vocal e vocal de apoio
Ana Rezende: guitarra
Luiza Sá: guitarra
Carolina Parra: guitarra, bateria, teclado e vocal de apoio
Iracema Trevisan: baixo
Adriano Cintra: bateria, guitarra, teclado, baixo, gaita, vocal e vocal de apoio

Convidados:

Clara Ribeiro: vocal em "Superafim"; vocal de apoio
Maria Helena Zerba: teclado em "Art Bitch"
Shimby: vocal em "Computer Heat"



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