sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Discos para história: Led Zeppelin, do Led Zeppelin (1969)


O primeiro Discos para história de 2014 é uma homenagem aos 70 anos de Jimmy Page, fundador e guitarrista do Led Zeppelin. A nova edição da seção trata da estreia da banda em estúdio, e que fez a passagem entre a geração do início dos anos 1960 e aquela que viria a dominar as paradas na década seguinte.

História do disco

Com o Yardbirds buscando uma renovação em seu som para deixá-lo mais pop, Jimmy Page, Jim McCarty, Keith Relf e Chris Dreja seguiram suas vidas após as inúmeras crises envolvendo Relf e o ex-baixista Paul Samwell-Smith, que deixara a banda meses antes. Page não queria um grupo que fizesse sucesso comercial forçado, por isso ele já acenava com uma mistura de rock psicodélico e world music (algo que seria um dos pilares do Led Zeppelin) – algo que causou discordância entre os agentes da banda.

Por fim, McCarty e Relf anunciaram que estavam de saída da banda, encerrando as atividades dos Yardbirds. Porém eles ainda tinham que cumprir uma série de shows na Escandinávia, foi aí que Page colocou as mangas de fora. Músico de estúdio experiente, ele estava procurando a banda ideal. Sem dois membros, logo ele foi atrás de Terry Reid para assumir o vocal, mas ele não aceitou. Reid indicou Robert Plant para o posto, e Plant indicou John Bonham para ocupar a bateria. Com a saída de Dreja, John Paul Jones, amigo dos tempos de estúdio de Jimmy, foi procurado e aceitou completar o que seria o New Yardbirds.


Completada a última tarefa como a antiga banda, um nome precisaria ser encontrado. Seguindo a sugestão do empresário Peter Grant, eles adotaram o nome de Led Zeppelin – Zeppelin era um tipo de dirigível voador inventado pelo Conde Ferdinand von Zeppelin. O veículo foi muito utilizado pelos alemães para bombardear a Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial.

Duro nos negócios e defensor de seus clientes até a morte, Grant conseguiu um adiantamento da gravadora Atlantic de US$ 143 mil pelo primeiro contrato do Led Zeppelin, então o maior contrato de uma banda novata na história da música. Assim, Jimmy Page, John Paul Jones, Robert Plant e John Bonham já tinham um lugar para gravar o primeiro trabalho de estúdio, e era justamente a gravadora de Ahmet Ertegun, que seria homenageado no trabalho mais recente da banda.

Entre setembro e outubro de 1969, no Olympic Studios, Londres, eles gravaram o que viria a ser o primeiro trabalho, que levaria apenas o nome do grupo e uma bela foto de um Zeppelin na capa – a montagem da capa que tem o Hindenburg, nome do dirigível, pouco tempo antes de cair foi feita por Dreja, que havia abandonado a carreira como músico para dedicar-se a fotografia.

Muito do material usado no disco foi ideia de Page, que vinha escrevendo e trabalhando em algumas melodias durante o período em que dividiu a guitarra com Jeff Beck nos Yardbirds e quando assumiu o posto de guitarrista solo depois da saída do amigo. Ele também ficou com a incumbência de ser o produtor do álbum, algo que ele desejava havia anos – o período final antes do Led Zeppelin, tendo que aguentar imposições de empresários e da gravadora, foi crucial para que ele sempre assumisse o posto de produtor quando o assunto era sua banda (algo que acontece até hoje).

Como boa parte das faixas eram executadas pela banda nas apresentações, Led Zeppelin acabou sendo um disco praticamente ao vivo, já que o trabalho nesse início era focar na turnê inglesa e pensar na futura turnê americana. Algum tempo depois do lançamento, algumas canções e melodias foram reconhecidas e a banda sofreu alguns processos de plágio ("You Shook Me" e "I Can't Quit You Baby" são baseadas em duas canções de Willie Dixon, que recebe os créditos diretos da primeira nas novas versões de Led Zeppelin; “You Shook Me” também foi alvo de polêmica entre Page e Beck, sendo o segundo acusando o primeiro de roubar sua ideia; “Babe I'm Gonna Leave You”, anos depois, foi creditada a Anne Bredon/ Page/Plant).

Logo que foi colocado nas lojas, o disco dividiu as opiniões dos críticos, sendo a mais contundente a da Rolling Stone USA que, basicamente, destruiu o trabalho. Essa crítica virou um dos clássicos do jornalismo musical americano, pois mostrou ao mundo que opiniões são apenas mera formalidade. Quem manda mesmo é o público, que gostou muito trabalho e o colocou entre os primeiros na lista dos mais vendidos por dois meses seguidos.



 Resenha de Led Zeppelin

Abrindo os trabalhos temos “Good Times Bad Times”, escolhido para ser o primeiro single da história da banda. Relativamente curta, ela pode ser chamada de embrião do que viria a ser o hard rock e o heavy metal, e tem um peso e uma força absurda de todos os integrantes. Aqui vemos o quão importante foi para o Led Zeppelin a bateria de John Bonham, certamente um dos melhores da história do rock.

Acústica, “Babe I'm Gonna Leave You” traz a influência do folk americano e do blues dos Yardbirds ao trabalho. Aqui podemos ouvir toda dedicação de Robert Plant na faixa, sendo ele o grande destaque. Bem maior no tempo de duração que as versões gravadas por Muddy Waters e Jeff Beck, “You Shook Me” ganhou um órgão, um piano, uma guitarra cheia de eco na nova versão e um belo solo de gaita. Uma ótima canção, apesar de toda polêmica gerada entre Page e Beck.



Mesmo “Dazed and Confused” tendo o mesmo nome de uma canção de Jake Holmes gravada em 1967, Page teve o cuidado de mudar algumas partes da melodia, evitando qualquer tipo de processo de plágio – mesmo assim, é um dos grandes trabalhos da banda em toda sua história. Durante os shows, o guitarrista costumava usar um arco para tocar a guitarra em seu momento solo no palco, que chegava a durar 40 minutos. E assim encerrava o lado A do vinil.

Abrindo o lado B, “Your Time Is Gonna Come” é suave e sombria como muitas das canções futuras da banda, enquanto “Black Mountain Side” tem muita influência da música indiana. Instrumental, ela uniu a tabla de Viram Jasani e a guitarra de Jimmy Page. Acelerando bem as coisas, “Communication Breakdown” é outro clássico do Led Zeppelin que mostra como os quatro funcionavam bem juntos.



“I Can't Quit You Baby”, de Willie Dixon, ganhou uma versão que misturava blues e psicodelia em mais um momento de puro egoísmo da banda no palco e nos discos. Finalizando o álbum, “How Many More Times” é creditada a Jimmy Page, John Paul Jones, e John Bonham, já que Robert Plant tinha contrato com a CBS e não recebeu nenhum crédito na primeira versão de Led Zeppelin. Começando com um bolero, semelhante a “Beck’s Bolero”, de Jeff Beck, depois ela retoma o caminho de blues psicodélico característico com toques épicos e segue nisso até o final.

Interessante desse trabalho é que ele é muito diferente do próximo que é muito diferente de Led Zeppelin III e IV, mostrando que a banda tinha uma habilidade incrível para mudar e tentar coisas novas.  Só que, no caso deste primeiro álbum, a eles ainda buscavam o melhor entrosamento e o melhor repertório, e isso aconteceria nos álbuns seguintes – mudando de vez o patamar do grupo para sempre.



Veja também:
Discos para história: Is This It, dos Strokes (2001)
Discos para história: Hot Rats, de Frank Zappa (1969)
Discos para história: Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges (1972)
Discos para história: Definitely Maybe, do Oasis (1994)
Discos para história: Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones (1967)

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