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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Discos para história: Raising Hell, do Run-D.M.C. (1986)


Trabalho é um clássico do rap e um dos melhores álbuns dos anos 1980

História do disco

O Run-D.M.C. virou um dos grupos de rap mais importantes da história ao conseguir ser mais direto no discurso do que as lendas Grandmaster Flash e Afrika Bambaataa, ao abrir portas para o discurso político do Public Enemy e para o "gangsta rap" do N.W.A. Eles também foram os primeiros a ultrapassar a barreira de singles ao entregarem discos cheios ao público, coisa que o rap ainda não fazia.

O início do grupo até 1985, acabaram atingindo uma popularidade inimaginável para um trio de rapazes negros da periferia do Queens, Nova York -- eles foram o único grupo de rap convidado para o Live Aid, mas só tiveram duas músicas transmitidas. Não era apenas o caso de misturar o rock clássico, algo ouvido durante toda juventude, com o ritmo que vinha do gueto. Era o jeito da coisa. Era esperto, hábil, cheio de batidas fortes, vocais poderosos e letras ousadas. O lançamento de "King of Rock" naquele ano levou o Run-D.M.C., definitivamente, ao sucesso.

Aproveitando o embalo desse sucesso, eles logo entraram em estúdio novamente no fim de 1985 já projetando um novo lançamento na praça. Para o novo trabalho, eles foram atrás de Rick Rubin, que já havia mixado o disco anterior. Mas foi o trabalho do produtor em "Radio" (1985), de LL Cool J, que chamou muito a atenção deles.

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O trabalho estava indo bem como sempre, mas Rubin achava que faltava um toque a mais de rock, algo que atraísse os fãs de rap e do rock para o álbum. Faltava uma canção poderosa, reconhecível para gente da velha guarda e famosa o suficiente para atrair os novo fãs. Faltava algo inesquecível. Foi aí que veio a ideia de gravar "Walk This Way", do Aerosmith.

"Não parecia, para mim, [a união do Run-D.M.C. com o Aerosmith] tão incomum quanto para outras pessoas. Eu cresci com rap e rock, e sempre me pareceu versões diferentes da mesma coisa. As pessoas os viam como opostos. Não consigo dizer quantas vezes falaram comigo sobre o rap não ser música. Mas, se você ouvir 'Walk This Way', não é tão diferente do rap. Tem muito em comum". disse Rubin, em entrevista ao site 'Mixonline', em 2000.

A faixa já era conhecida da banda, que usava trechos do arranjo misturados com letras originais e faziam rimas nos shows. Rubin gostou e, para surpresa do trio, entrou em contato direto com o guitarrista Joe Perry e com o vocalista Steven Tyler. O início foi meio travado, mas, cinco horas e muita cerveja depois, saiu uma das gravações mais icônicas dos anos 1980. A faixa serviu para ressuscitar a carreira do Aerosmith, em baixa por conta dos problemas com álcool de drogas dos integrantes.

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Lançado em 15 de agosto de 1986, o disco acordou como líder de vendas nos Estados Unidos no dia seguinte. Foi o primeiro LP de rap a chegar ao topo das paradas e garantiu a eles o certificado de Platina. Graças ao sucesso do trio, dois anos depois, o Grammy criou uma categoria exclusiva para o rap -- até então, o gênero estava dentro do R&B.

Quando completou 30 anos do lançamento, o álbum foi celebrado como a abertura do rap ao mundo. Superados pelos pupilos nos anos seguintes, o Run-D.M.C. encerrou os trabalhos em 2002, quando o DJ Jam-Master Jay foi assassinado em um estúdio, no Queens. O legado desse disco ainda esta por aí e, mais de três décadas depois, ainda segue influenciado o rap.


Resenha de "Raising Hell"

O disco começa com a contagiante "Peter Piper", o que foi explicada pelos membros como o mais próximo de uma canção de ninar feita por eles. Cheias de referências a livros infantis, histórias em quadrinhos e contos de fadas, ela é preenchida por rimas velozes e ótimas sacadas sobre o próprio grupo. E ela ainda traz o sample de "Take Me to Mardi Gras”, de Bob James.

A seguinte, "It's Tricky", exalta as complexidades do rap, resposta a quem viu o gênero como "fácil" e de "pouco valor musical". A banda de The Knack entrou com um processo contra o Run-D.M.C. pro conta do uso do sample de "My Sharonna" e o caso foi resolvido em um acordo. Já "My Adidas" celebra o fato de a empresa de roupas e tênis ser a mais usada por eles. Graças a isso, diretores da empresa foram ver um show, ficaram bem impressionados e garantiram ao trio um contrato de exclusividade de quase US$ 2 milhões.



E como um boa vem em seguida da outra, "Walk This Way" surge sem você nem perceber. Essa faixa é uma verdadeira explosão musical nos ouvidos, algo que fará qualquer um cantar e dançar por aí ao longo das próximas décadas. Essa fusão, tão inesperada, deu ao grupo de rap o atestado necessário para entrar na casa de várias pessoas. Sem dúvida alguma, é uma das grandes músicas daquela década.

Um dos segredos desse disco é a duração das faixas. Com um discurso direto, "Is It Live" funciona muito bem, assim como "Perfection", uma exaltação do status recém-adquirido pelo dinheiro. E "Hit It Run" celebra tudo isso em uma letra autobiográfica em que o o próprio trio é a referência (I'm better known to the world as the King of Rock / I like to speak my piece when I'm on the mic).



No início, quando estava maturando a ideia do disco com o trio, Rubin pensou em gravar algo com mais guitarras. Foi aí que surgiu "Raising Hell", uma das faixas mais difíceis de gravar do álbum, e, a partir dela, veio a ideia de convidar o Aerosmith. E fazia sentido, porque existiu a possibilidade de ela ser a única do tipo no trabalho -- coincidentemente, as duas com a fusão mais clara de rap com rock são as de maior duração.

Se "You Be Illin'" brinca com o comportamento doido de algumas pessoas em uma letra engraçada e uma batida simples, "Dumb Girl" fala sobre a relação de um homem rico com um garota que o passa para trás em vários momentos. Os 27 segundos de "Son of Byford" servem para abrir "Proud to Be Black", faixa em que o trio se orgulha da origem, expressão a frustração pela forma como o sistema funciona e esperam algo melhor no futuro.

"Raising Hell" foi elemento transformador do rap ao, definitivamente, chamar atenção de mais gente. A indústria ficou mais interessada no gênero e, ainda no fim dos anos 1980, uma onda de bons grupos surgiram usando o gênero para falar de coisas sérias e/ou banais. O rap não seria o mesmo sem o Run-D.M.C.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Peter Piper" (3:23)
2 - "It's Tricky" (Joseph Simmons, Darryl McDaniels, Doug Fieger, Berton Averre) (3:03)
3 - "My Adidas" (McDaniels, Simmons) (2:47)
4 - "Walk This Way" (Joe Perry, Steven Tyler) (5:09)
5 - "Is It Live" (3:07)
6 - "Perfection" (2:52)
7 - "Hit It Run" (3:10)
8 - "Raising Hell" (5:32)
9 - "You Be Illin'" (Simmons, McDaniels, Jason Mizell, Raymond White) (3:26)
10 - "Dumb Girl" (3:31)
11 - "Son of Byford" (0:27)
12 - "Proud to Be Black" (3:15)

Todas as letras são do Run-D.M.C., menos as marcadas

Gravadora: Profile / Arista
Produção: Russell Simmons e Rick Rubin
Duração: 39min46s

Run-D.M.C. (Joseph Simmons, Darryl McDaniels e Jason Mizell): vocal, arranjos e efeitos)

Convidados:

Jason Mizell: teclado e percussão
Joe Perry: guitarra em "Walk This Way
Steven Tyler: vocal em "Walk This Way"
Sam Sever: bateria eletrônica
Daniel Shulman: baixo
Rick Rubin: guitarra



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