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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Discos para história: (What's the Story) Morning Glory?, do Oasis (1995)


A 75ª edição do Discos para história falará sobre um dos grandes clássicos dos anos 1990: (What's the Story) Morning Glory?, segundo álbum de estúdio do Oasis, que completa 20 anos em 2015. Depois do sucesso de Definitely Maybe, de 1994, a banda inglesa não perdeu tempo e lançou outro disco pouco mais de um ano depois, consolidando o sucesso conquistado em poucos meses.

História do disco

O Oasis virou um fenômeno após lançar o primeiro disco em agosto de 1994. Depois disso, a rápida ascensão do grupo não parou e eles fizeram sua estreia no concorrido Top of the Pops, da BBC, apresentando o single "Some Might Say". Nesse meio tempo, aconteceu a primeira saída de um membro original: Tony McCarroll foi dispensado pelos irmãos Gallagher. De acordo com Noel, o baterista não estava acrescentando nada musicalmente. Ele foi substituído por Alan White.

Logo depois da apresentação no famoso programa, o grupo foi ao País de Gales e entrou em estúdio para gravar o que viria a ser (What's the Story) Morning Glory?. E também aconteceu nessa época algo que marcaria a música britânica para sempre: a rivalidade entre Oasis e Blur. Tudo começou quando apenas Damon Albarn apareceu em um programa de TV em que o tema era o britpop – Noel e Liam não queria associar a banda deles a um movimento. Daí por diante, os fãs embarcaram nessa e essa rivalidade, apesar de já ter acabado, ainda alimenta algumas boas histórias e discussões ásperas.

Claro que a discussão colocou ainda mais fogo na carreira das duas bandas, ainda mais quando mais gente teve acesso aos discos. A popularidade do Oasis só aumentava. E eles só tinham um álbum gravado e três singles no mercado. Obviamente, era a chance de aproveitar esse estouro, então todos trabalharam muito duro no estúdio. Com Noel e Owen Morris na produção, a banda chegou a gravar e finalizar uma música por dia.

Pelo que contam, as primeira tensões entre os irmãos Gallagher começaram na gravação de (What's the Story) Morning Glory?. Noel avisou que gostaria de gravar os vocais de "Wonderwall" ou "Don't Look Back in Anger". Irritado com a imposição, Liam chegou a abandonar os trabalhos, mas não retornou à Londres. Noel abandonou a ideia de cantar em "Wonderwall" quando ouviu a gravação com seu irmão cantando a ficou satisfeito. A partir disso, a relação nunca mais foi a mesma.

Durante a sessão para "Champagne Supernova", Noel ficou extremamente nervoso porque Liam não conseguia atingir o tom necessário para a faixa. No dia seguinte, quando o Noel estava gravando "Don't Look Back in Anger", Liam foi a um bar local e retornou ao estúdio com muitas pessoas, incluindo um jornalista. Isso deixou o Gallagher mais velho furioso, e os dois começaram a brigar. Não uma briga de palavras, uma briga de verdade, com direito a chutes e socos.

Os irmãos só voltariam a se falar três semanas depois, então os trabalhos puderam ser retomados. A banda trabalhou mais duas semanas em estúdio antes de o disco ir para pós-produção. Juntando os dois períodos de gravação, o segundo álbum do Oasis foi gravado em 15 dias, tempo relativamente curto para fazer tudo que era necessário.

Lançado em 2 de outubro de 1995, o trabalho vendeu muito rápido – as lojas não estavam dando conta de repor o estoque. Foram vendidas 347 mil cópias na primeira semana, chegando ao posto de segundo disco mais vendido na história do Reino Unido, atrás apenas de Bad, de Michael Jackson. Por sete meses, (What's the Story) Morning Glory? se revezou nas primeiras três posições das paradas, comprovando o fenômeno que o Oasis havia virado. Após isso, eles ficaram mais conhecidos fora da Inglaterra, aumentando ainda mais as vendas. São apenas mais motivos para comprovar que o segundo trabalho de estúdio deles é fundamental para entender os anos 1990.


Resenha de (What's the Story) Morning Glory?

Apesar de começar com alguns acordes de “Wonderwall”, "Hello" é aquela música que qualquer banda deseja para começar um disco: é forte, empolgante e prende o ouvinte. É o trunfo de qualquer cantor e/ou compositor para começar qualquer trabalho. Segundo single do álbum, "Roll with It" usa muito do reverb, overdubs, duplicação de vozes e guitarra para dar e vender na construção da melodia – foi essa canção que causou, ao menos para imprensa, a rivalidade entre Oasis e Blur porque foi lançada no mesmo dia que o single do “rival”.

Para valer, "Wonderwall" é uma das canções mais marcantes da discografia do grupo. Composta durante a estada de Noel Gallagher e da banda no País de Gales, ela ganhou um tratamento especial para a melodia se destacar. A letra fala sobre a então namorada de Noel, Meg Mathews. A faixa causou a primeira briga dos irmãos Gallagher, porque Liam precisou escolher entre ela e "Don't Look Back in Anger" para cantar, já que o irmão mais velho queria uma das duas. Como todos gostaram do vocal, a próxima ficou com Noel.



"Don't Look Back in Anger" tem uma influência de David Bowie assumida por Noel na composição. Quem já ouviu, não precisa de mais explicações; quem ainda não fez isso, faça. É uma das melhores canções dos anos 1990 com, talvez, o segundo melhor refrão daquela década – atrás apenas de “Nevermind”, do Nirvana. No show, seja do Oasis ou de Noel, ela é cantada como um hino de redenção em que todos caem no choro. É espetacular o sentimento que vem à tona depois de ouvi-la.

“Hey Now” recoloca o disco no caminho de canções mais pesadas e alivia um pouco o ouvinte depois de duas baladas seguidas. O verso The first thing I saw/ As I walked through the door/ Was a sign on the wall that read/ It said you might never know/ That I want you to know/ What is written inside of your head é muito, muito bom. A primeira de duas chamadas “Untitled” serve para pavimentar o caminho para "Some Might Say", lançada como primeiro single. Foi ela que causou a saída de Tony McCarroll da banda, porque Noel não viu potencial nele para dar conta de acompanhar os outros.



Mais uma balada, "Cast No Shadow" não é tão genial como as outras, mas é muito boa – qualquer compositor daria um braço para tê-la em seu repertório. Com um quê country, "She's Electric" é mais cheia de ritmo e a presença da banda é mais perceptível como um todo. Segundo a lenda sobre "Morning Glory", Noel compôs a música durante um porre de bebida com cocaína e, por isso, ela cheia de referências a algumas canções muito populares à época. Como ele diz que não se lembra de muita coisa, nunca saberemos se é verdade ou não. Mesmo assim, usando recursos parecidos com os de “Wonderwall”, a melodia ganha muito destaque, enquanto o vocal quase gritado de Liam faz toda diferença.

O segundo “Untitled” funciona como abre para o clássico "Champagne Supernova", outro clássico dos anos 1990 e é outra que ganhou um poder ao vivo absurdo, não é de graça que ganhou o status de hino adorado por todos os fãs do Oasis sem exceção. A parte instrumental entre os versos, o efeito na voz de Liam, a repetição de palavras, tudo funciona absurdamente bem.

Depois de (What's the Story) Morning Glory?, o Oasis nunca mais conseguiu lançar um disco do mesmo calibre, mas não precisava mais. Com seus dois primeiros álbuns, essa banda inglesa já estava na história da música.



Ficha técnica:

Tracklist:

1 - "Hello" (Gallagher, Gary Glitter, Mike Leander)
2. - "Roll with It"
3 - "Wonderwall"
4 - "Don't Look Back in Anger"
5 - "Hey Now!"
6 – “Untitled” (ou "The Swamp Song — Excerpt 1")
7 - "Some Might Say"
8 - "Cast No Shadow"
9 - "She's Electric"
10 - "Morning Glory"
11 – “Untitled” (ou "The Swamp Song — Excerpt 2")
12 - "Champagne Supernova"

Todas as músicas foram escritas por Noel Gallagher, exceto a marcada.

Gravadora: Creation
Produção: Owen Morris e Noel Gallagher
Duração: 50min06s

Liam Gallagher: vocais e pandeiro
Noel Gallagher: guitarra, violão, vocais em "Don't Look Back in Anger", baixo, piano, mellotron e Ebow
Paul "Bonehead" Arthurs: guitarra, violão, piano e mellotron
Paul McGuigan: baixo
Alan White: bateria e percussão
Tony McCarroll: bateria em "Some Might Say"

Convidado:

Paul Weller: guitarra e vocais de apoio em “Champagne Supernova” e gaita em "Untitled" (1 e 2)


Veja também:
Discos para história: Bringing It All Back Home, de Bob Dylan (1965)
Discos para história: The Stone Roses, do Stones Roses (1989)
Discos para história: The Smiths, dos Smiths (1984)
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