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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Resenha: Green Day - Father of All...


O Green Day não estava lá muito bem no início do século 21, até que a minha geração redescobriu o grupo com o excelente "American Idiot" (2004). Aliado com os fãs mais velhos que conheciam a banda desde "Dookie" (1994), o trio explodiu como nunca havia feito na carreira antes. Gravou DVDs ao vivo e lançou projetos ousados, como três discos no mesmo ano -- "¡Uno!", "¡Dos!" e "¡Tré!", todos de 2012.

O sucesso estrondoso não foi mais o mesmo, muito pelo fato de o álbum seguinte ser uma cópia do anterior ("21st Century Breakdown" [2009]), o projeto dos três discos ser um passo muito maior do que as pernas e "Revolution Radio" (2016) ser um álbum bem esquecível. E, além disso, o vocalista Billie Joe Armstrong passou pela reabilitação por problemas com álcool. Depois de tudo, o Green Day precisava dar a volta por cima. Infelizmente, isso não acontece em "Father of All...", 13º álbum de estúdio do trio.

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Esses momentos recentes fizeram o trio partir para o lado mais fácil de quando se está sem ideias para um novo trabalho: um retorno às raízes. Mas o grande problema desse novo disco é que soa como uma versão infantilizada dos melhores momentos da banda, algo como se meninos de 15 anos sem nenhum tipo de repertório ou vivência se sentassem para gravar o primeiro trabalho de suas vidas. O título, com um palavrão censurado, mostra essa necessidade de chocar. Mas é bom lembrar: estamos falando de uma banda que fez um trabalho político ao criticar as consequências das Guerras no Iraque e no Afeganistão quase em tempo real. Sair disso para algo menor, até mesmo artisticamente, não soa bem.

Um ponto positivo é a duração. Com menos de 30 minutos, o tempo passa e você nem sente. Mas também as letras são tão infantilizadas que a duração acaba importando muito -- ninguém aguentaria músicas longas e ruins. A experimental "Oh Yeah!", a dançante "Meet Me on the Roof" e a que realmente remete às origens "Sugar Youth" funcionam, mas quando eles se levam à sério, como em "I Was a Teenage Teenager", a coisa perde qualidade e cai de maneira inacreditável. Mas não se preocupem, também cai nas músicas mais curtas -- o pastiche "Stab You in the Heart" é constrangedor de tão ruim.

O Green Day se rebaixou ao pior nível possível ao soar como se o Ed Sheeren, depois de pensar que é rapper por fazer meia dúzia de rimas, gravasse um álbum punk para meninos e meninas revoltados. Não sei eles precisavam de um trabalho de inéditas agora. E se precisavam, definitivamente não era esse. É um retrocesso na carreira ao apresentar algo tão ruim e esquecível.

Tracklist:

1 - "Father of All..."
2 - "Fire, Ready, Aim"
3 - "Oh Yeah!"
4 - "Meet Me on the Roof"
5 - "I Was a Teenage Teenager"
6 - "Stab You in the Heart"
7 - "Sugar Youth"
8 - "Junkies on a High"
9 - "Take the Money and Crawl"
10 - "Graffitia"

Avaliação: ruim



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