segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resenha: Charles Bradley – Black Velvet


Disco póstumo do cantor é homenagem ao trabalho e curto legado

Charles Bradley era um dos últimos representantes do R&B legítimo, daquele cantado com a alma em que a interpretação de qualquer letra ficava ótima quando ele assumia os vocais. Morto em 23 de setembro do ano passado (clique aqui e leia a resenha do último disco lançado ainda em vida), ele deixou um curto, mas importante legado para fãs e admiradores de seu trabalho. No caso, que a fama tardia traz a experiência necessária para não se iludir com o showbiz.

“Black Velvet", apelido do cantor, foi escolhido para ser o título do disco póstumo. O registro traz gravações que Bradley deixou prontas ou muito próximo disso e, com ajuda da Menahan Street Band, o trabalho foi arranjado e completado para ser lançado na semana em que o cantor completaria 70 anos.

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Difícil não entrar no clima proposto por Bradley em suas faixas logo no início desse novo disco. "Can’t Fight The Feeling" coloca todo suingue do cantor em vida e como ele realmente era especial em fazer algo muito bom de ouvir usando muito pouco, que também acontece em "Luv Jones".

A terceira faixa, chamada "I Feel A Change", coloca muita carga dramática. E foi nesse tipo de interpretação que Bradley ganhou o coração dos fãs, por justamente dar tudo de si e fazer crer que aquele sentimento dilacerante era real. A sequência formada por "Slip Away" e a faixa-título mistura o clima de alegria e melancolia do disco, sendo duas boas faixas – a segunda é inteiramente instrumental.

Uma das ótimas características do trabalho do cantor era conseguir dar uma cara muito própria aos covers que fazia. Foi assim com “Changes”, do Black Sabbath. Neste álbum, ele apresentou dois novos covers. O primeiro foi "Stay Away", do Nirvana, com sua carga ainda mais dramática do que a cantada por Kurt Cobain. Mas é em "Heart Of Gold", de Neil Young, que ele mostra o motivo de ter sido um dos grandes intérpretes dessa década. O tom autobiográfico caiu muito bem em Bradley, que a transformou em sua sem fazer esforço.

A interpretação dele em "(I Hope You Find) The Good Life" é dessas de chorar de tão emocionante, enquanto "Fly Little Girl" trata da liberdade sem ser e amar quem você quiser. E encerrar o disco com "Victim Of Love" é dessas sacanagens feitas para fazer qualquer um chorar ao final da audição.

Enquanto esteve vivo, Bradley conseguiu admiração e fãs em uma curta, mas eletrizante carreira musical. Esse disco póstumo – e espero que seja o único – traz sua visão única para música em interpretações comoventes de canções que não teriam o mesmo peso se não fosse por ele. Ele faz muita falta. E esse disco mostra o motivo.

Tracklist:

1 - "Can’t Fight The Feeling"
2 - "Luv Jones"
3 - "I Feel A Change"
4 - "Slip Away"
5 - "Black Velvet"
6 - "Stay Away" (Nirvana cover)
7 - "Heart Of Gold" (Neil Young cover)
8 - "(I Hope You Find) The Good Life"
9 - "Fly Little Girl"
10 - "Victim Of Love" (Electric Version)

Avaliação: ótimo




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