quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Resenha: John Grant – Love is Magic


Disco foi lançado exatamente três anos após o anterior

Os últimos anos de John Grant têm sido extremamente produtivos na carreira solo – são cinco discos, sendo um ao vivo. Exatos três anos após o lançamento do último trabalho em estúdio (clique aqui e leia a resenha), Grant retorna com “Love is Magic”, quarto trabalho da carreira solo. E um aviso: se surpreender será a marca desse álbum.

Ao abrir o disco com "Metamorphosis", Grant apresenta de cara uma canção sobre desabafo e como ele ainda não havia colocado para fora a frustração de não ter ficado ao lado da mãe, que sofria de câncer – segundo ele mesmo, preferiu entrar de cabeça na comunidade gay assim que retornou da Alemanha em meados dos anos 1990. Essa faixa, toda eletrônica, mostra um caminho completamente diferente do disco anterior.

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Um pouco mais leve do que a anterior – até dá para chamar de balada –, a faixa-título é bem melancólica para falar de amor. A seguinte, "Tempest", segue essa mesma linha, mas aposta em algo mais poético e com mais referências da vida pessoal do cantor, assim como a dançante a agitada "Preppy Boy". O ritmo muda completamente em "Smug C**t", essa mais lenta e mais cheia de impropérios para dar uma visão bem pessoal sobre Donald Trump.

Em "He's Got His Mother's Hips", Grant fala abertamente sobre uma noite pra lá de animada, enquanto "Diet Gum" é aquela faixa que tem potencial imenso para ganhar um clipe e virar o próximo single. O jeito como ele trabalhou os efeitos e tudo mais deu outra cara à letra, que fala sobre um manipulador sem escrúpulos.

De maneira um pouco abrupta, "Is He Strange" surge mais parecida com o trabalho feito no disco passado. É uma faixa muito bonita, de arranjo simples e de letra com tom bem poético. Por ter ficado espremida entre a anterior e a última, "The Common Snipe" acaba sendo a única não tão boa quanto as outras – o tom fantasmagórico não ajuda muito também. E "Touch and Go", uma balada bem bonita em homenagem a Chelsea Manning, encerra o disco.

Em uma grata surpresa, John Grant conseguiu mudar completamente de um disco para o outro e, ainda assim, manter o alto padrão de suas letras. Ele apresenta um disco consistente, atual e bem experimental, algo que acaba sendo um diferencial. Mudar é bom, mas saber fazer isso é ainda melhor.

Tracklist:

1 - "Metamorphosis"
2 - "Love Is Magic"
3 - "Tempest"
4 - "Preppy Boy"
5 - "Smug C**t"
6 - "He's Got His Mother's Hips"
7 - "Diet Gum"
8 - "Is He Strange"
9 - "The Common Snipe"
10 - "Touch and Go"

Avaliação: muito bom




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