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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Resenha: Flaming Lips – Oczy Mlody


Novo álbum de estúdio do grupo é um dos lançamentos importantes de janeiro

Uma banda assustadoramente encantadora é o Flaming Lips. O sucesso chegou no excelente Yoshimi Battles The Pink Robots (2002), mas eles entraram de cabeça no mundo psicodélico de uns tempos para cá. Cada vez mais eles experimentam nos discos e nas apresentações – até hoje muita gente não entendeu o show deles no Lollapalooza Brasil em 2013. Oczy Mlody, o novo disco de estúdio, é sucessor da estranha releitura de With a Little Help from My Friends, dos Beatles, e de The Terror (2013), registros que mostram bem como a banda entrou de cabeça em um estilo bem próprio de fazer música.

A faixa título é toda instrumental e traz um ar que só o Flaming Lips consegue dar: uma viagem profunda ao desconhecido sem passagem de volta. "How??" te coloca vez nesse processo, mas também pode ser um problema. Porque quem acompanha a banda há algum tempo sabe dessa tendência em explorar possibilidades musicais infinitas; quem não sabe, pode ficar espantado com essa guinada dos últimos anos.

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No quesito esquisitice, "There Should Be Unicorns" supera as duas primeiras de longe. Para ser o caso: quanto mais desafiam Wayne Coyne e sua trupe, mais fundo eles vão. Eles também sabem aliviar um pouco no experimentalismo e conseguem mostrar uma ótima faixa em "Sunrise (Eyes of the Young)". É bem mais suave em comparação com a anterior e ainda carrega um quê meio pop – um pop bem Flaming Lips, diga-se – da primeira década dos anos 2000.

Outras músicas difíceis são a instrumental "Nigdy Nie (Never No)", a "falada" "Galaxy I Sink", a cheia efeitos e barulhos "One Night While Hunting for Faeries and Witches and Wizards to Kill" e a psicodélica "Do Glowy". Difíceis no sentido de não ser nada parecido com o que anda tocando por aí, apesar de ter uma beleza que pode ser apreciada. Basta se acostumar com esse tipo de trabalho.

"Listening to the Frogs With Demon Eyes" parece ser uma versão cheia de LSD de uma continuação de Blackstar, de David Bowie. Não sei o motivo, mas fiquei com isso na cabeça desde a primeira vez que a ouvi. Por isso, existe a dúvida em apontar se é ela ou a absurdamente boa "The Castle" a melhor do disco. Poucos conseguiriam mesclar uma letra fácil e tocante com um arranjo completamente lisérgico. "Almost Home (Blisko Domu)", de teor mais eletrônico, e "We a Famly", faixa que oficializa Miley Cyrus como uma integrante não-fixa da banda, encerram o disco.

Cada vez mais indo fundo nas possibilidades musicais, o Flaming Lips dificilmente será entendido pela maioria. Mas, se você estiver disposto a dar uma chance, não sairá desapontado.

Tracklist:

1 - "Oczy Mlody"
2 - "How??"
3 - "There Should Be Unicorns" (featuring Reggie Watts)
4 - "Sunrise (Eyes of the Young)"
5 - "Nigdy Nie (Never No)"
6 - "Galaxy I Sink"
7 - "One Night While Hunting for Faeries and Witches and Wizards to Kill"
8 - "Do Glowy"
9 - "Listening to the Frogs With Demon Eyes"
10 - "The Castle"
11 - "Almost Home (Blisko Domu)"
12 - "We a Famly" (featuring Miley Cyrus)

Nota: 3,5/5



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