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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Resenha: Rolling Stones – Blue & Lonesome


Veterana banda homenageia alguns dos heróis do blues dos Estados Unidos

Calculem o seguinte: desde a A Bigger Bang (2005), os Rolling Stones não lançavam material novo de estúdio. São 11 anos sem novidade, mas a banda ainda colhe os louros do sucesso ao vender edições especiais de seus antigos trabalhos e ao lotar estádios e lugares pelo mundo – como em Cuba, por exemplo. Lançado para celebrar o retorno às raízes do apaixonante blues americano, Blue & Lonesome é o 23º disco deles e traz principal fonte de inspiração do início dos então jovens inseridos na cena musical londrina, fazendo uma clara homenagem a seus heróis.

Um desses nomes da cena de blues dos Estados Unidos é Buddy Johnson (1915 - 1977), homenageado na curta "Just Your Fool". A gaita de Mick Jagger toca a plenos pulmões, e isso mostra como ele é ótimo no instrumento. A banda acompanha a levada suave de Charlie Watts, que mantém tudo no compasso em "Commit a Crime". Um clássico de Howlin' Wolf (1910 - 1976) ganhou uma versão de bar de beira de estrada e bem cafajeste, para deleite dos fãs.

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A melancólica "Blue and Lonesome" traz o blues como ele é visto: algum homem solitário empunhando seu instrumento em um bar fedido em troca de uma miséria. A improvisação de Keith Richards na guitarra é a guia para entender essa canção. Se "All of Your Love" tem um quê de jazz na melodia, "I Gotta Go" homenageia um dos maiores gaitistas do blues: Little Walter (1930 - 1968) – Jagger manda muito bem no instrumento mais uma vez.

Os Rolling Stones se juntaram para gravar "Everybody Knows About My Good Thing" em um certo dia deste ano. No estúdio vizinho, havia outro músico trabalhando em seu novo projeto e foi convidado para fazer uma participação especial na faixa. O convidado era Eric Clapton, o guitarrista certo para tocar neste álbum. É possível ouvir o estilo de Clapton de longe ao ouvir os primeiros acordes da guitarra preenchendo essa ótima versão. Claro que não poderia faltar Eddie Taylor (1923 - 1985), e "Ride 'Em On Down" ganhou uma versão com um andamento bem interessante.

A gaita retorna com tudo em "Hate to See You Go" e "Hoo Doo Blues", mas vemos mesmo um lado mais triste do blues na melancólica "Little Rain". As duas últimas são homenagens ao gênio Willie Dixon (1915 – 1992). "Just Like I Treat You" é dançante, mas não supera a excelente "I Can't Quit You Baby". Mais uma vez, podemos ouvir exatamente o que é blues de Chicago e como esse movimento de pessoas mudou os rumos da música nos anos 1960.

Mesmo tudo sendo friamente calculado por Jagger, esse novo disco dos Stones é muito bom. Porque recoloca a banda no início de seu caminho de sucesso, que passou por ouvir e aprender os acordes dos principais nomes da histórica cena do blues dos Estados Unidos. E eles entregam o melhor de si em grandes canções.

Tracklist:

1 - "Just Your Fool" (Buddy Johnson)
2 - "Commit a Crime" (Howlin' Wolf)
3 - "Blue and Lonesome" (Memphis Slim)
4 - "All of Your Love" (Magic Sam)
5 - "I Gotta Go" (Little Walter)
6 - "Everybody Knows About My Good Thing" (Miles Grayson and Lermon Horton)
7 - "Ride 'Em On Down" (Eddie Taylor)
8 - "Hate to See You Go" (Little Walter)
9 - "Hoo Doo Blues" (Otis Hicks and Jerry West)
10 - "Little Rain" (Ewart G.Abner Jr. and Jimmy Reed)
11 - "Just Like I Treat You" (Willie Dixon)
12 - "I Can't Quit You Baby" (Willie Dixon)

Nota: 4/5



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