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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Resenha: Neil Young – Peace Trail


Cantor e compositor parece estar no auge no quesito produção de discos

Neil Young tem se mostrado um dos músicos mais ativos de sua geração ao longo dos anos 2000. Só nos últimos quatro anos, ele lançou Americana (2012), Psychedelic Pill (2012), A Letter Home (2014), Storytone (2014) e The Monsanto Years (2015). Apesar de produtivo, incisivo nas letras críticas e cada vez mais indo além do registro anterior, a irregularidade tem sido um problema. Peace Trail é o 37º álbum de estúdio e marca o retorno da discografia do cantor aos serviços de streaming – os discos haviam sido retirados depois da fundação do Pono, concorrente do Spotify e da Deezer.

Gravado apenas com Young, Jim Keltner na bateria, Paul Bushnel no baixo e Rick Ruben na produção, o álbum começa com a faixa título trazendo uma certa esperança hippie de encontrar a paz no fim do dia. A segunda, "Can't Stop Workin'", traz a certeza de que os quatro tentaram manter tudo muito cru – tanto é que, segundo o próprio Young, tudo foi gravado em "um ou dois takes no máximo".

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A crise dos indígenas com o governo federal dos Estados Unidos é muito bem retratada em "Indian Givers", que também aproveita para dar uma cutucada na imprensa mainstream que dá pouca atenção ao assunto. "Show Me" trata de cobrar mais posição dos assuntos que estão na pauta, já "Texas Rangers" aposta em um ritmo mais compassado e na guitarra distorcida de Young para criar o clima necessário para faixa.

"Terrorist Suicide Hang Gliders" tem muito dos trabalhos anteriores, apesar de ser mais simples e objetiva da execução. A fictícia história do fazendeiro "John Oaks" é contada por Neil Young de maneira acústica. Um homem simples que decide enfrentar as grandes corporações e os políticos locais. A história não termina bem e podemos pensar: seria o próprio cantor contando sua luta usando um pseudônimo? É especulação, claro, mas não deixa de ser algo semelhante a que ele e milhares de fazendeiros locais estão fazendo nos últimos anos.

Em outra boa história transformada em letra, "My Pledge" trata de um esperançoso idoso está no tribunal e relembra os momentos da história que pôde presenciar ainda em vida. E ele jura ter visto tudo isso ao juiz, enquanto a tocante "Glass Accident" traz o lado um lado instrumental melódico em uma letra bem abstrata de Young. Para encerrar, uma das faixas mais experimentais do repertório recente: "My New Robot" começa como a maioria do disco, mas muda completamente na metade. E é aí que a crítica social foda aparece, quando um robô entra e toma conta da faixa. Uma óbvia porrada aos novos hábitos de consumo das pessoas e como essa nova engrenagem mudou a vida das pessoas.

Cada dia mais crítico e dia mais convicto de seus ideais de mundo em todos os aspectos da sociedade, Neil Young entregou um disco musicalmente mais interessante do que o anterior – The Monsanto Years. Sem firulas, sem rodeios e usando poucos recursos, ele conseguiu passar a mensagem que desejava para frente e de forma mais clara. Será ótimo se for sempre assim.

Tracklist:

1 - "Peace Trail"
2 - "Can't Stop Workin'"
3 - "Indian Givers"
4 - "Show Me"
5 - "Texas Rangers"
6 - "Terrorist Suicide Hang Gliders"
7 - "John Oaks"
8 - "My Pledge"
9 - "Glass Accident"
10 - "My New Robot"

Nota: 3,5/5



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