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terça-feira, 21 de julho de 2015

Resenha: Neil Young – The Monsanto Years


Neil Young anda muito produtivo nesta segunda década do século 21. Com seis discos em cinco anos, sendo dois em um em 2010, dois em 2012, dois no ano passado e The Monsanto Years, colocado no mercado no fim de junho, o cantor mostra um ritmo de produção raramente visto nos tempos atuais. Se em A Letter Home, gravado e lançado pela Third Man Records, temos um Young mais cru, isso muda completamente em Storytone, disco em que está acompanhado por uma orquestra e peca pela irregularidade.

Por ter colocado dois discos tão diferentes no mercado, Neil Young colocou uma pulga atrás da orelha do pessoal, como diria minha mãe. Ninguém discute sua genialidade como compositor, no palco ou em defesa da música, mas o que esperar de The Monsanto Years? A pergunta começa a ser respondida em "A New Day for Love", faixa que abre o disco. Ele optou por fazer uma espécie de ode hippie ao mundo, só que a letra é muito pobre e longe de ser o melhor dele – o certo é o sucesso dessa música em algum momento no Verão do Amor.

A romântica "Wolf Moon" é uma balada folk country ao melhor estilo que consagrou Young na música. E é até boa, mas com o adendo de antes: esperava mais dele. O lado hippie se aflora mais uma vez na canção de protesto "People Want to Hear About Love", falando das corporações que roubam o dinheiro das pessoas, poluem o ar, os oceanos e deixam as pessoas mais pobres a cada ano. Por um lado, é ótimo vê-lo se manifestar assim, mas, por outro, será esse o papel dele perto de completar 70 anos? Sinceramente, não sei. Só sei que a canção também não é das melhores, apesar do bom acompanhamento instrumental.

Diretamente criticando a Citizens United, "Big Box" até que diz algumas verdades inquestionáveis sobre como estamos atualmente e, pelo estilo, deve funcionar bem ao vivo, apesar de soar uma cópia de alguma outra canção dele – às vezes, soa como um cover dele mesmo. Desta vez criticando o Starbucks, Young carrega a mão na letra de “A Rock Star Bucks a Coffee Shop", pedindo às corporações para “deixarem os agricultores plantarem o que quiser”. Outra que fala a verdade, outra muito abaixo do esperado.

Trabalhando na terceira pessoa, "Workin' Man", um country mais tradicional, e "Rules of Change", mais pesada e melancólica, falam de um homem que viu seu trabalho acabar quando a Monsanto, empresa de agricultura líder no setor, conseguiu de suas muitas vitórias na Suprema Corte e as consequências disso em sua vida. As duas últimas para encerrar o disco são "Monsanto Years", um resumo dos malefícios das empresas resumidos em pouco menos de oito minutos, e "If I Don't Know", uma balada chorosa sobre a atual situação da terra.

Enquanto protesto contra os absurdos das corporações para lucrarem cada vez mais, Neil Young não mente e consegue transmitir bem seu recado em um disco de protesto que visa dar cara a uma geração. Mas enquanto disco, The Monsanto Years não funciona muito bem por não ter nenhuma letra realmente boa, chamativa ou interessante ao soar como uma espécie de cover de si mesmo em alguns momentos e preguiçoso em outro. Young até passou um recado, mas é um disco bem esquecível.

Tracklist:

1 - "A New Day for Love"
2 - "Wolf Moon"
3 - "People Want to Hear About Love"
4 - "Big Box"
5 - "A Rock Star Bucks a Coffee Shop"
6 - "Workin' Man"
7 - "Rules of Change"
8 - "Monsanto Years"
9 - "If I Don't Know"

Nota: 2/5


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