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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Lendas da música: Jack Bruce

Foto: Jack Bruce/Facebook/Marek Hofman

O baixista reabre a seção depois de um longo período parada

Jack Bruce teve muitas dificuldades na infância para adaptar-se a qualquer escola, porque seus pais eram músicos e viviam se mudando, tanto é que frequentou 14 delas no curto período em que foi um estudante regular do sistema educacional inglês. Aos 14, descobriu o contrabaixo e nunca mais foi o mesmo. Por seu talento no instrumento, conseguiu uma vaga na Royal Scottish Academy of Music and Drama, que não permitia o estudo do jazz à época. Resultado: Bruce saiu da escola para nunca mais voltar.

A partir dessa decisão, dedicou-se à música, ao jazz e blues particularmente, com afinco. Não só consegui dominar os dois gêneros, como também conseguiu tocar música celta. Tudo isso acabou sendo fundamental em seus caminhos e escolhas musicais pelo resto da vida. Em 1962, a primeira chance em uma banda apareceu. Era a Blues Incorporated, que teve Alexis Korner, Cyril Davies, Charlie Watts, Long John Baldry e Bruce na primeira formação. Mesmo com o sucesso nas apresentações, chegando a ser a grande banda da cena underground britânica do blues, Watts acabou indo para os Rolling Stones. Ele foi substituído por Ginger Baker.



Quando o grupo acabou, ele foi para o Graham Bond Quartet em que trocou o contrabaixo pelo baixo elétrico. Pouco tempo depois, foi parar no John Mayall & the Bluesbreakers, momento em que trabalhou com Eric Clapton pela primeira vez – antes, Bruce chegou a lançar um single solo, chamado "I'm Gettin Tired". Mas o sucesso comercial só veio mesmo quando fez parte, por poucos meses, do Manfred Mann – o tipo de banda que só os ingleses entendem. O single "Pretty Flamingo" foi lançado na época em que ele fez parte da formação, garantindo algumas idas à TV para divulgá-lo.

Esse troca-troca de grupo era extremamente comum à época, principalmente pela quantidade de lugares e bandas disponíveis sempre procurando novos músicos. A última empreitada antes do sucesso foi no Eric Clapton and the Powerhouse, que nunca chegou a gravar um disco cheio antes de encerrar as atividades. Mas acabou sendo a oportunidade para Jack Bruce e Eric Clapton firmarem laços musicais e montarem um trio juntos. Para a bateria, eles chamaram Ginger Baker. Pronto, estava formado o Cream.

Discos para história: Fresh Cream, do Cream (1966)
Show completo: Cream Farewell Concert (1968)

Para ser breve sobre a já conhecida história do Cream: foi o primeiro trio que ganhou a alcunha de supergrupo da história e é considerado por muitas pessoas uma das melhores formações de todos os tempos. Com Bruce nos vocais, Clapton na guitarra e Baker na bateria, o Cream entrou para os livros sobre rock mesmo com apenas poucos anos de atividade – de 1966 até 1968.

Bruce deixou o Cream por achar que eles estavam se afastando da proposta inicial para formar o grupo. Ao sair, ficou livre para fazer o que queria. E fez. Juntou todo tipo de influência possível – jazz, rock, blues, clássica, world music – em seus discos solos e colaborativos. Trabalhou com John McLaughlin, Lou Reed e Frank Zappa, e vários e vários tipos diferentes de músicos ao longo de mais de 50 anos de carreira.



Ele também teve sérios problemas com drogas – heroína principalmente – e ficou muitas vezes internado em clínicas de reabilitação. Teve câncer no fígado no início dos anos 2000 e quase morreu no pós-operatório quando o corpo rejeitou o novo órgão. Em 2005, juntou-se aos antigos companheiros de Cream para três shows especiais históricos no Madson Square Garden, em Nova York.

Com sérios problemas hepáticos desenvolvidos com o passar dos anos, não resistiu e morreu no dia 25 de outubro de 2014. Foi homenageado por amigos e fãs que nunca esquecerão sua obra. "Todos nós temos papéis na vida. Eu sou pai, marido, isso e aquilo, mas basicamente só sinto minha existência justificada quando estou no palco”, disse ele certa vez. Jack Bruce foi um apaixonado por música e teve a chance de fazer parte da história. E a dividiu com todos nós.



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