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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Lendas da música: Keith Moon


Para muitos, o melhor baterista da história do rock, um gênio, um instrumentista à frente de seu tempo. Sem dúvida, Keith Moon mudou a relação entre o público e a bateria no período em que fez parte de uma das bandas mais explosivas da história do rock, o The Who.

Nascido em 1946 em uma família de classe média, Moon cresceu hiperativo e arrumou sua primeira banda aos 12 anos. Como não tinha muita habilidade para tocar baixo ou guitarra, resolveu tocar bateria. No caminho para escola, que logo viria a abandonar, ele passava no Macari's Music Studio on Ealing Road, local que teve suas primeiras aulas no instrumento.

Aos 14 anos, o futuro baterista abandonou os estudos na escola comum e partiu para uma técnica – um relatório da época o classificou como “retardado artisticamente, idiota em outros aspectos”, mas seu professor de música o classificou com “grande capacidade técnica e habilidade musical acima da média, mas com uma incrível tendência a se mostrar perante os outros. Ele deve ter cuidado nesse último item”.



A escola técnica permitiu a Moon trabalhar consertando rádios. O dinheiro não era muito, mas permitiu a ele comprar seu primeiro kit de bateria depois de alguns meses. Fã de jazz, também acabou sendo influenciado pela surf music e pelo R&B dos anos 1940 e 1950. Antes de chegar ao The Who, passou pelos grupos amadores Escorts e Beachcombers, porém seu desejo era tornar-se músico profissional. Em abril de 1964, ele fez um teste e entrou em sua futura banda. E assim começava sua história no rock.

Mas, como quase tudo na música, existem lendas sobre a entrada de Moon no The Who. Uma delas é que ele, depois de ir em um show da banda, simplesmente apareceu, tocou e ficou, alegando que era muito melhor que seu antecessor. Agora com quatro caras de personalidades fortes, literalmente havia uma briga por dia no estúdio ou nos shows ou em qualquer outro momento do dia. O interessante da mudança foi perceber que a banda mudou o som por conta da chegada do novo membro, não o inverso. Apesar de ser péssimo na hora de entrar nas melodias, Moon criou seu próprio som – por exemplo, ao posicionar as peças da bateria em lugares diferentes –, algo original e muito diferente à época.

Até a gravação de Who's Next, com Glyn Johns na produção, Keith Moon muitas vezes foi acusado de indisciplinado, de não colaborar com o grupo e foi chamado de irresponsável em várias sessões. Mesmo com sua colaboração sendo brilhante em todos os álbuns, foi no quinto disco de estúdio do The Who que ele atingiu o auge físico e técnico e passou a ser mais disciplinado no estúdio, e a entrar no tempo correto.

Falar sobre o trabalho dele no The Who é reescrever o que já foi dito e lido por milhares de pessoas, então é mais interessante falar que Moon trabalhou com o guitarrista Jeff Beck, o pianista Nicky Hopkins e Jimmy Page e John Paul Jones em “Bolero’s Beck”, do disco Truth, de 1968. Ele também trabalhou com os Beatles em "All You Need Is Love", em 1967, como vocal de apoio. O baterista também está em Some Time in New York City, disco ao vivo de John Lennon e Yoko Ono, retirado de um show beneficente realizado em 1969. Seu único disco solo, Two Sides of the Moon, lançado em 1974 foi um desastre na crítica especializada. Como tocou bateria em apenas três faixas, deixando o trabalho para amigos do calibre de Ringo Starr, ele cantou. E como cantor era um excelente baterista.



O estilo de vida destrutivo e excêntrico de Moon colaborou muito para sua morte precoce. Do vício em anfetaminas para drogas mais pesadas, foi um pulo. Ele não tinha pena e destruía todos os quartos de hotéis que passava. Um exemplo disso foi quando estava quase no aeroporto, mas pediu para o motorista voltar ao hotel ao afirmar que tinha esquecido algo. O baterista tinha se esquecido de arremessar a TV de seu quarto na piscina.

Claro que ser viciado em drogas, remédios e bebida cobraria seu preço. Em vários shows, ele chegou a desmaiar na bateria – uma vez, e isso não é lenda, o guitarrista Pete Townshend perguntou ao microfone se alguém poderia terminar a apresentação porque Moon não estava em condições. Acima do peso, quebrando quartos de hotéis, instrumentos e sem parar de se drogar, o falido baterista quase foi demitido do The Who em 1976, mas os outros três acharam melhor não fazer isso, pois a situação poderia piorar sem ter alguém para vigiá-lo.



Em 1978, Keith Moon tentou uma reabilitação por conta própria e começou a tomar uma série de remédios para tratar o vício em álcool. Mesmo assim, parecia que a situação só piorava. Em 6 de setembro, depois de um jantar com Paul e Linda McCartney, Moon brigou com sua esposa e, irritado, tomou 32 comprimidos de clometiazol, comprimido para tratamento psicológico que age em até 90 minutos depois de tomado. Quando a mulher retornou para casa, na tarde seguinte, viu que o baterista estava morto. Ele tinha 32 anos. Cremado, suas cinzas foram espalhadas na casa onde morava.

O legado de Keith Moon é uma das grandes coisas que a música proporcionou nos anos 1960 e 1970. Seu estilo de tocar até hoje influencia milhares de bateristas pelo mundo, de Neil Peart a Dave Grohl, todos são inspirados pela bateria, agilidade, criatividade e estilo de Moon. Uma pena que ele foi muito cedo.


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