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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Lendas da música: Kim Gordon


Kim Gordon fez parte de uma das bandas mais importantes da história da música alternativa: o Sonic Youth. Ao lado de Thurston Moore, seu ex-marido, conseguiu elevar o status da banda para algo imenso, algo admirável para quem fazia um sim completamente diferente e estranho para o padrão do mainstream dos anos 1980 e 1990. Por sua história incrível, ela foi escolhida no retorno do Lendas da música.

Filha de um professor universitário e de uma mãe que a incentivava a criatividade dentro de casa, Gordon foi estudar artes na Universidade até montar sua primeira banda. Ao mudar-se para Nova York, conheceu Lee Ranaldo e Moore, e eles formaram o Sonic Youth em 1981. Nos sete primeiros anos de atividade, lançaram Confusion is Sex (1983), Bad Moon Rising (1985), EVOL (1986), Sister (1987) e Daydream Nation (1988).



Mas o sucesso mesmo só veio no início dos anos 1990. Goo (1990) e Dirty (1992) são considerados as obras primas da banda, e Gordon teve participação em composições, arranjos e em vocais. No difícil mundo do ‘sexo, drogas e rock and roll’, uma mulher ser uma das líderes de uma banda era motivo para aplaudir – e estamos falando dos anos 1980 e 1990, quando poucas tinham entendimento que muitas têm hoje sobre feminismo e muitas outras pautas.



Kim Gordon não foi só parte na engrenagem do Sonic Youth, ela também fez muita coisa paralela ao então seu principal projeto. Ela produziu a estreia do Hole, por exemplo, colaborou com diversos músicos ao longo de quase 40 anos de carreira. Com o encerramento do Sonic Youth, formou o projeto Body/Head, que lançou um disco em 2013.

Mas ela também não é só isso.

Pintora e escritora, Gordon se envolve muito com arte – basta ver o Instagram dela. Ela já expôs quadros, esculturas e várias outras coisas em galerias pelo mundo. "Quando você está em uma banda, você está sempre compartilhando e é difícil sentir todos os benefícios de seu trabalho. Há alguns anos, comecei a sentir isso quando comecei a me concentrar na arte", disse.



Recentemente, ela lançou A Garota da Banda, autobiografia sobre seus anos na estrada, o casamento e o divórcio. Ela cita o último show da banda, no Brasil, no finado SWU, logo nas primeiras páginas do livro:

"Eu fui a última a entrar, me certificando de marcar alguma distância entre Thurston e eu. Estava exausta e atenta. Steve [Shelley] pegou seu lugar atrás de sua bateria (...), o resto nós estava com nossos instrumentos como um batalhão, um exército no aguardo do último bombardeio. Thurston e eu não estávamos nos falando. Tínhamos trocado talvez 15 palavras durante toda a semana. Após 27 anos de casamento, as coisas tinham desmoronado. O casal que todos acreditavam que era dourado, normal e eterno, era agora apenas mais um clichê de fim de relacionamento - uma crise de meia idade do sexo masculino, outra mulher, uma vida dupla” (leia aqui um relato daquele dia).



Em entrevista à NPR Music, ela falou sobre o fim: "As pessoas mudam. Não estou triste com isso, mas sinto que, de certa forma, talvez eu estivesse presa na minha vida. E é tipo de coisa que me libertou para fazer outras – ou fazer o que eu realmente queria. Então, pelo meu lado, vejo tudo isso de maneira positiva”.

Kim Gordon fez parte de uma das melhores bandas do mundo, mas, apesar de ver seus dois sonhos acabarem de maneira abrupta, conseguiu tirar boas lições e ainda está aí, fazendo outras coisas, coisas que gosta de fazer. Sem dúvida alguma, ela é uma lição para muita gente que acha que o fim é o fim. Ao contrário, o fim pode ser o início de outras coisas muito mais legais.



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