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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Lendas da música: Ian Curtis


Se tivesse morrido aos 27 anos, Ian Curtis seria lembrado algumas vezes durante o ano por estar no seleto grupo de músicos, cantores e cantoras que morreram com essa idade. Mas o vocalista do Joy Divison se suicidou aos 23 anos, quando a banda que liderava estava conquistando o coração de muita gente. Essa é a história do retorno do Lendas da música.

Poucos dias antes de completar 24 anos, Curtis foi encontrado com uma corda em seu pescoço na tarde de um domingo. Segundo o laudo, ele se matou no início da manhã daquele dia – foram encontrados uma carta a sua ex-mulher Deborah e um disco de Iggy Pop rodando na vitrola. Nunca descobriram os motivos da tal atitude de um dos caras mais brilhantes da música britânica dos anos 1970. Falam em cansaço pelos constantes ataques de epilepsia que sofria, outros falam do peso da separação de sua mulher e outros dizem que ele não aguentou a pressão da primeira turnê americana do Joy Division, prevista para começar dali a poucos dias.



Nascido em 15 de julho de 1956, em Manchester, Curtis nunca ficou muito empolgado pela escola ou por cursar uma faculdade. Seu objetivo, aumentado ainda mais durante a adolescência, era entrar no mundo da música, muito inspirado por David Bowie, Iggy Pop e do Velvet Underground – bandas de cabeceira dele. Ao conseguir um emprego em uma loja que só vendia discos raros, seu interesse e gosto musicais foram expandidos. Mas seu desejo de virar cantor só foi colocado para fora quando assistiu uma apresentação do Sex Pistols, em 1976. Pronto, ali ele decidiu investir tempo e foi atrás de gente com o mesmo desejo.

E isso demorou, até que ele conheceu Bernard Sumner e Peter Hook, que procuravam um vocalista para formar uma banda. Após uma conversa, Curtis entrou no grupo sem uma audição. Para Summer e Hook, bastava que o gosto musical e ideias fossem semelhantes, sendo o suficiente para admitir o novo membro no grupo no que viria a ser chamado de Warsaw. Um tempo depois, eles mudaram para Joy Division.



Foi nesse período que o agora vocalista começou a trabalhar em composições e melodias enquanto trabalhava como funcionário público em Manchester. Em 1978, ele chegou ao limite, saiu do emprego e dedicou-se exclusivamente ao grupo. No ano seguinte, eles assinaram com a gravadora RCA. Daí em diante, o Joy Division faria história na música britânica.

Epiléptico, fumante inveterado, personalidade volátil, excêntrico, mas um grande amigo, segundo pessoas que convieram com ele, Curtis começou a ter problemas sérios de saúde e foi internado algumas vezes em 1979. Nesse mesmo período, conseguiu escrever músicas como "She's Lost Control", "New Dawn Fades" e “Shadowplay", todas de Unknown Pleasures, primeiro disco do Joy Division, o disco Closer, uma das obras-primas dos anos 1980, e o single “Love Will Tear Us Apart”, uma clara mudança na sonoridade do grupo com o acréscimo de teclados.



“É a solução permanente de um problema temporário”, disse Peter Hook, anos depois, sobre o suicídio o amigo. Hook tem razão. Mas graças ao talento de Curtis, o pós-punk não foi mais o mesmo.

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