quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Resenha: Adele - 30


As pessoas podem até discordar, mas é difícil não apontar Adele como o grande fenômeno musical dos últimos anos. O primeiro disco foi lançado em 2008, mas foi com "21", de 2011, que ela escalou a montanha do sucesso e lá ficou. Milhões de discos vendidos, uma devoção inacreditável de fãs pelo mundo, música tema para um filme da franquia James Bond... Enfim, Adele tem um rosto e uma voz mais do que conhecidas.

Por isso, a chegada de "30" nas lojas e nas plataformas digitais foi cercada de expectativa por todos. Afinal, mais velha e mãe, ela voltaria com a mesma potência de antes? Faria a mesma coisa de antes? As respostas são sim e não — em parte.

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Ao abrir o disco com "Strangers by Nature", uma homenagem a Judy Garland, ela e Ludwig Göransson, vencedor do Oscar por "Pantera Negra", iniciam essa nova história com uma faixa que tem um quê da cantora e outros elementos não encontrados nos primeiros álbuns, mostrando que ela está disposta a avançar um pouco mais no estilo de composição das músicas. Mas, não se preocupem, a velha Adele volta com tudo na grudenta "Easy on Me", pronta para fazer parte de reality shows musicais pelo mundo.

Bem ao estilo baladas dos anos 1970, "My Little Love" explora a vida familiar de Adele com bastante peso e melancolia, enquanto "Cry Your Heart Out" chega com um arranjo mais animado para falar sobre divórcio e como essa decisão a afetou profundamente, chegando em "Oh My God", momento em que percebe estar solteira pela primeira vez desde a fama em uma faixa de arranjo mais experimental para os padrões da discografia.

Coescrita com os produtores suecos Max Martin e Shellback, "Can I Get It" já nasce para ser aquela outra faixa grudenta em que as pessoas vão cantar por aí alto sem motivo — pelo estilo, tem potencial para ser um dos singles do disco. E, como dizem os jovens, a canção potencial para virar hino é "I Drink Wine", 100% inspirada na fase anos 1970 de Elton John.

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O sampler de "No More Shadows", de Erroll Garner, em "All Night Parking" não ajuda a levantar muito a canção, perdida entre a anterior e a balada no violão "Woman Like Me", outra com potencial enorme entre os fãs pela mensagem e na forma como é passada, de maneira delicada com a voz de Adele dominando as ações, também caso da balada de teor gospel "Hold On".

A parte final traz de volta a Adele do começo da carreira na balada no piano "To Be Loved", outra canção que, em português, seria categorizada como sofrência e pronta para ser usada no The Voice e suas variáveis pelo mundo. E "Love Is a Game" parece ter sido feita para encerrar o disco, porque realmente tem cara de ser o ponto final de algo.

Com uma grande gravadora por trás, a Columbia, Adele teve mais dinheiro e recursos para fazer ainda mais com relação aos trabalhos anteriores. Cantando sobre os sabores e dissabores da própria vida, ela, com ajuda de alguns dos melhores produtores do mundo, entrega um trabalho à altura da expectativa dos últimos meses. Em um dos melhores discos da carreira, Adele se consolida como a voz das pessoas com o coração partido.

Tracklist:

1 - "Strangers by Nature"
2 - "Easy on Me"
3 - "My Little Love"
4 - "Cry Your Heart Out"
5 - "Oh My God"
6 - "Can I Get It"
7 - "I Drink Wine"
8 - "All Night Parking" (with Erroll Garner)
9 - "Woman Like Me"
10 - "Hold On"
11 - "To Be Loved"
12 - "Love Is a Game"

Avaliação: muito bom

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