quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Resenha: Damon Albarn - The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows


Há muito tempo, Damon Albarn não pode mais ser chamado apenas como "o cara do Blur". Desde a criação do Gorillaz, projeto musical de enorme sucesso, até explorar a variada música feita na África, ele se transformou em um dos nomes da música pop em que acompanhar o trabalho dele é não saber o que virá pela frente — pode ser qualquer coisa, incluindo aí o retorno com a antiga banda em 2012.

Sete anos após o lançamento de "Everyday Robots", primeiro disco solo, Albarn encontrou um tempo para compor e trabalhar nas músicas de "The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows". O segundo trabalho assinado apenas por ele mostra um lado experimental que ele gosta de explorar com uma delicadeza bem presente e um lado mais sombrio nos arranjos.

Veja também:
Resenha: Snail Mail - Valentine
Resenha: ABBA - Voyage
Resenha: The War on Drugs - I Don't Live Here Anymore
Resenha: Elton John - The Lockdown Sessions
Resenha: Jarvis Cocker - Chansons d'Ennui Tip-Top
Duas resenhas: Coldplay e Alessia Cara

Estou no Twitter e no Instagram. Ouça o podcast, compre livros na Amazon e fortaleça o trabalho do blog!

Inspirado pelas vezes em que esteve na Islândia, Albarn faz do trabalho uma espécie de diário sobre seus dias e pensamentos. Por exemplo, "The Cormorant" fala sobre ele nadar na mesma praia há 25 anos ou descrever, a partir da perspectiva dele, como é ver a neve caindo e cobrir os locais na animada — se é que isso é possível — "Royal Morning Blue".

O lado experimental aparece de vez na "estranha" e bonita "Combustion", enquanto "Daft Wader" é inspirada na união que as religiões trazem para as comunidades. Duas canções de ares diferentes, mas igualmente na proposta delicada de todo álbum, que tem como um dos destaques a linda "Darkness to Light", essa sobre como o amanhecer tardio na Islândia muda a relação com a passagem diária do tempo.

Dentre todas as canções, "The Tower of Montevideo" é a mais parecida com as faixas do primeiro disco solo e é outro destaque do trabalho, assim como "Polaris" — essa traz de leve as influências musicais dos últimos 20 anos que ajudaram a construir a reputação de Albarn pós-Blur.

Albarn usou a própria influência para ir além na música e fazer mais na carreira solo e em outros projetos. No fim, tudo deságua nesse segundo disco solo em que a maturidade musical chegou em um nível muito alto em um trabalho delicado e sombrio embalado em uma beleza cheia de nuances e histórias.

Tracklist:

1 - "The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows"
2 - "The Cormorant"
3 - "Royal Morning Blue"
4 - "Combustion"
5 - "Daft Wader"
6 - "Darkness to Light"
7 - "Esja"
8 - "The Tower of Montevideo"
9 - "Giraffe Trumpet Sea"
10 - "Polaris"
11 - "Particles"

Avaliação: ótimo

Continue no blog: