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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Resenha: Wim Wenders - Desperado, de Eric Friedler e Campino


Filme está presente na programação da 25ª edição do festival É Tudo Verdade, que acontece entre os dias 23/9 e 4 de outubro

Um diretor europeu que precisou suar muito nos Estados Unidos para descobrir que nunca deixaria de ser um diretor europeu. Wim Wenders tem um estilo muito particular em tudo na vida -- do trabalho ao dinheiro, das palavras ao pensar em assuntos não relacionados ao trabalho. Tentar traduzi-lo é parte do que é mostrado no documentário "Wim Wenders - Desperado".

Wenders é um dos diretores do que ficou conhecido como Novo Cinema Alemão, feito por jovens cansados dos filmes "chatos e intermináveis", segundo Werner Herzog. Mas a dupla, lá pela metade do documentário, pula fora desse barco. Se ele não se assume nisso, então, o que ele é? Ele é simplesmente Wim Wenders. E isso já é muita coisa.

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Os diretores Eric Friedler e Campino o convida a reencenar algumas cenas clássicas de seus filmes famosos como "O Medo do Goleiro Diante do Pênalti" (1972), "Paris, Texas" (1984) e "Asas do Desejo" (1987) e também explora muitos entrevistados para ajudar a contar a história desse diretor tão imaginativo e livre em seus trabalhos -- às vezes, como é bem destacado na parte final, até demais.

A narrativa ajuda a colocar a imagem de Wenders ser um artista livre, um homem que precisa de espaço para criar e nem mesmo um roteiro é o suficiente para prendê-lo. Quem conseguiu defini-lo muito bem foi Patti Smith ao afirmar que o diretor se joga em tudo que faz sem se preocupar com nada, porque, no final, ele cria asas e pousa suavemente como se nada tivesse acontecido. E acaba sendo muito difícil não ficar encantado com esse personagem fascinante, e o documentário acerta muito nesse aspecto. Ou quando, segundo Ry Cooder, em poucas palavras, ele fez um convite de trabalho.

A produção ficcional diminuiu ao longo dos anos por conta das inúmeras mudanças na indústria ao passo que o interesse em documentários subiu, já que assim era possível manter seu estilo mais improvisado de filmar e moldar a narrativa. Ao dirigir o documentário "Buena Vista Social Club" (1999), acabou sendo um dos responsáveis pelo sucesso mundial de músicos cubanos reunidos no projeto musical de mesmo nome.

Pode-se dizer que Wenders é um sobrevivente no mundo atual e "Wim Wenders - Desperado" ajuda a entender esse aspecto. Ainda fazendo as coisas do seu jeito, ele mostra que não ceder aos caprichos da indústria é sempre tortuoso e complicado, mas o tempo ajuda a mostrar que não havia outra opção para seguir o próprio caminho.


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