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terça-feira, 14 de abril de 2020

Resenha: The Strokes - The New Abnormal


Nove de cada 10 adultos em 2020 cantou "Last Nite", música mais famosa dos Strokes, em algum momento da vida. A banda nova-iorquina fez imenso sucesso no início dos anos 2000 e consolidou-se como uma das bandas clássicas daquela época em que tudo parecia ser o grande momento de nossas vidas. Depois dos dois primeiros álbuns, para muitos, eles entraram em declínio; para outros, como no meu caso, foi um amadurecimento natural do material e da evolução deles como músicos.

Sete anos depois do lançamento do ótimo "Comedown Machine" (2013) -- já falava isso à época e reouvir o trabalho é apenas comprovar a opinião --, o Strokes retorna com "The New Abnormal", o quinto álbum de estúdio, que começa com a mesma pegada eletrônica do anterior com uma letra feita para bater nos donos dos grandes negócios pelo mundo. O nome do disco vem da crise climática que o mundo passa no momento, aumentada com os incêndios no início do ano -- parece outra vida, não é?

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O fundamental do trabalho é saber que, na faixa dos 40 anos, os integrantes estão mais soltos para apostar no tipo de música que desejam apresentar nos Strokes. Cada um tem sue projeto solo para colocar para fora sua criatividade de forma mais individual, então o grupo acabou virando algo mais coletivo com uma ideia para seguir. Em "Selfless", é possível ouvir um pouco daquele grupo ainda no início de carreira e pronto para virar uma das maiores atrações de festivais pelo mundo.

Mas é na melhor e mais inspirada faixa do álbum que vemos o resultado de tudo isso, quando o vocalista Julian Casablancas canta que aquelas bandas dos anos 1980 são passado e está na hora de seguir em frente. Musicalmente, o uso do sintetizador em "Brooklyn Bridge To Chorus" mostra que a inspiração veio dessa década, porém ele também aponta para a grande maioria dos fãs ainda no aguardo da próxima "Last Nite". Isso não vai acontecer. O importante é ouvir como ainda conseguem entregar algo da qualidade dessa terceira faixa ou ainda conseguem colocar o pessoal para dançar e reforçar a mensagem aos fãs da anterior em "Bad Decisions".

A segunda parte não é tão boa quanto a primeira, sendo "At The Door" o destaque. É uma boa balada sobre decepção e como é difícil estabelecer certas coisas na vida quando não existe nenhum tipo de controle sobre o destino ou sobre os atos das outras pessoas. Como diria o poeta, é deixar acontecer naturalmente.

Produzido por Rick Rubin, conhecido recentemente por trabalhar com músicos veteranos que desejam retornar às raízes, "The New Abnormal" funciona como uma consolidação das ideias apresentadas desde "Angles" (2011). Não tem retorno para lugar nenhum, apenas o prosseguimento natural de um caminho considerado certo por eles. E, de novo, eles acertaram muito nesse álbum. Não é tão bom como os dois anteriores, mas foi melhor aceito pelas pessoas -- tenho quase certeza que essas mesmas pessoa vão gostar de "Angles" e "Comedown Machine" se dessem uma chance.

Os Strokes não voltam porque eles não acabaram em nenhum momento. Ainda mais maduros, entregam um trabalho bem instigante musicalmente falando e ainda, em alguns curtos momentos, relembram os garotos do passado em busca de um sonho.

Tracklist:

1 - "The Adults Are Talking"
2 - "Selfless"
3 - "Brooklyn Bridge To Chorus"
4 - "Bad Decisions"
5 - "Eternal Summer"
6 - "At The Door"
7 - "Why Are Sunday's So Depressing"
8 - "Not The Same Anymore"
9 - "Ode To The Mets"

Avaliação: muito bom



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