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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Resenha: The Strokes – Comedown Machine

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No início dos anos 2000 inventaram que o rock estava em crise porque nenhum artista do gênero estava nas paradas de sucesso, então preenchida com 'N Sync, Backstreet Boys, Britney Spears e outros nomes do pop. Foi nesse momento que os Strokes apareceram e ganharam a alcunha de “salvadores” das guitarras.

Com o sucesso do EP The Modern Age, a banda formada por Julian Casablancas, Albert Hammond Jr., Nick Valensi, Nikolai Fraiture e Fabrizio Moretti foi disputada a tapa, até que acertou com a gravadora RCA. Claro, eles estouraram e o resto da história todo mundo conhece (ou deveria conhecer).

Muito além do rótulo que colocaram na testa dos quatro garotos, eles faziam um som fácil, divertido e Is This It envelheceu bem e segue ótimo quase 12 anos depois. Mas os meninos cresceram, e isso ganhou uma pequena amostra em Angles, lançado em 2011, e o primeiro após uma pausa de seis anos. Na lista de melhores daquele ano, o quarto álbum da banda nova-iorquina ficou entre os 20. Com uma mistura de ritmos, o grupo mostrava enorme tendência a se aventurar por outros caminhos. O que ninguém contava é que esse outro caminho apareceria tão rápido.

Para surpresa geral, no dia 25 de janeiro, eles lançaram “One Way Trigger” e anunciaram Comedown Machine, quinto trabalho de estúdio. Com uma linda capa, simples e retrô, os Strokes chamaram a atenção mais uma vez para si.


Graças ao riff de guitarra de "Tap Out", você logo pensa que vai ouvir um álbum de rock, mas, logo que a batida entra, Comedown Machine dá a impressão que não é bem isso. Mas é. Mais guitarras aparecem em "All the Time", porém com uma pegada mais pop, e lembra muito algumas músicas de First Impressions of Earth.

A terceira canção é "One Way Trigger", e gerou muita discussão nas redes sociais quando muitas pessoas relacionaram a música com o atual hype que o tecnobrega ganhou nos últimos meses. O que, claro, é um oportunismo barato para querer audiência. Primeiro, as pessoas que fazem sucesso com esse novo ritmo não precisam aparecer, pois têm feito isso muito bem com seu próprio esforço; segundo, o disco solo de Casablancas, Phrazes for the Young, de 2009, é inteiro eletrônico. Ou seja, a referência não tem nada com o novo ritmo do Pará. Mais fácil falar que eles copiaram o Julian do que o inverso. Falando da canção: é boa.

“Welcome to Japan” também entra na lista pop-dançante com sua batida eletrônica, mas está abaixo de "One Way Trigger", por exemplo. "80s Comedown Machine" é bem legal, mas a voz modificada de Casablancas não ficou bem, diferente da parte instrumental - que ficou de alto nível. Já em “50/50” temos uma canção mais densa. Ignorada por aí, foi uma que mais chamou minha atenção, e é uma das grandes do álbum.

Mais teclado distorcido em “Slow Animals”, uma dessas em que tudo funciona muito bem, e Valensi e Hammond Jr. estão afiados em seus riffs. “Partners in Crime” também vai na linha mais densa, com Julian tendo seu momento Jake Shears, do Scissor Sisters. Em “Chances”, a banda rompe com seu passado e faz um som completamente diferente de suas raízes. E também ficou bom.

Perto do fim, há uma referência clara aos anos 1980 em “Happy Ending”, com os sintetizadores e a distorção em excesso das guitarras. Não é uma das melhores, mas casa com o trabalho como um todo. Encerrando, “Call It Fate, Call It Karma” coloca um clima meio bossa nova, mas não é a primeira vez que a banda flerta como o gênero que dominou o Brasil nos anos 1950 e 1960. “Life Is Simple In The Moonlight”, de Angles, também tem esse clima. “Call It...” encerra o LP com muita dignidade.

O disco trabalha com referências do pop dos anos de 30 anos atrás, lembrando os bons momentos de A-Ha, a segunda fase de David Bowie e o início da música eletrônica no pop. Se você esperava por algo indie, cheio de frescura e besteira, esqueça. Não escute. Não compre. Não chegue perto. Agora, se você gosta de um bom rock de garagem, sujo, divertido e sem compromisso, coloque Comedown Machine na sua coleção o mais rápido possível. Você pode até não gostar e argumentar que os Strokes deixaram de fazer o som do início da carreira, mas é um claro recado: crescer faz bem, é bom, e é divertido quando se tem bons amigos para isso.

Tracklist:

01 - "Tap Out"
02 - "All the Time"
03 - "One Way Trigger"
04 - "Welcome to Japan"
05 - "80’s Comedown Machine"
06 - "50/50"
07 - "Slow Animals"
08 - "Partners in Crime"
09 - "Chances"
10 - "Happy Ending"
11 - "Call It Fate, Call It Karma"

Nota: 4/5

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=TJC8zeu3MHk]


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