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segunda-feira, 30 de março de 2020

Resenha: Pearl Jam - Gigaton


O Pearl Jam é uma banda que precisou aprender na dor que é impossível manter qualquer relação de trabalho saudável sem um distanciamento momentâneo. "Lightning Bolt" (2013), então último disco de estúdio da banda, foi lançado quando os integrantes estavam beirando os 50 anos. Sete anos depois, parece que o mundo virou de ponta cabeça no momento em que eles estão se aproximando dos 60 e pronto para se tornarem oficialmente idosos.

Chamado "Gigaton", o novo disco chegaria com vários eventos de pré-lançamento, incluindo uma exibição no cinema em uma "experiência audiovisual". Tudo foi cancelado por conta da pandemia, mas a banda manteve a data original do lançamento do trabalho por um simples motivo: o tema central do trabalho envolve "necessidade de conexão humana nesses tempos", segundo o guitarrista Mike McCready. E esse tema em meio ao atual momento do mundo é bem importante, ainda mais vindo de uma banda do tamanho do Pearl Jam.

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O trabalho anterior soava uma diminuição de ritmo do grupo, mas, ao que parece, o Pearl Jam não parece estar muito satisfeito com a situação atual do mundo. E se existe uma banda que consegue canalizar a raiva interior em música, essa banda é o Pearl Jam. A abertura já mostra toda utilização possível do arsenal: um refrão bem fácil de decorar com a guitarra McCready bem afiada e uma explosão após uma parte mais calma.

O álbum aborda muito as relações humanas, erros e acertos, auto-perdão, e também abre espaço para um lado mais experimental, presente em "Dance of the Clairvoyants". Segundo o baixista Jeff Ament, a faixa foi uma construção do grupo ao longo do processo de composição do novo trabalho. Cada um colaborou de um jeito, tornando a canção a única composição assinada pelos cinco. O lado mais experimental continua presente em "Quick Escape", em que soa como uma homenagem a Chris Cornell ao usar o estilo de composição do vocalista morto em 2017.

Também há espaço para músicas mais lentas ("Alright", "Seven O'Clock" e "Comes Then Goes") que soam quase uma repetição de outras do mesmo estilo lançadas por eles ao longo dos últimos 30 anos com aquela pitada de nostalgia para homenagear os ídolos Neil Young e The Who. E outro destaque do álbum é "Never Destination", uma faixa tão Pearl Jam que acho que o Pearl Jam deve ter se surpreendido com isso.

Quem é fã sabe muito bem que o Pearl Jam muda vidas, uniu pessoas e é uma banda que vai muito além da música em qualquer aspecto. "Gigaton" chega em um momento muito difícil para todos nós, mas o trabalho aponta para união e esperança das pessoas, por mais que a situação não esteja das melhores -- e já não estava antes. Melhor do que o anterior e com pelo menos cinco faixas boas para os shows, o novo disco não é um acréscimo formidável na discografia. Isso importa? A resposta é não. O bom mesmo é vê-los ativos e ainda com energia para lutar usando as armas que têm.


Tracklist:

1 - "Who Ever Said"
2 - "Superblood Wolfmoon"
3 - "Dance of the Clairvoyants"
4 - "Quick Escape"
5 - "Alright"
6 - "Seven O'Clock"
7 - "Never Destination"
8 - "Take the Long Way"
9 - "Buckle Up"
10 - "Comes Then Goes"
11 - "Retrograde"
12 - "River Cross"

Avaliação: muito bom



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