sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Resenha: Anderson .Paak - Oxnard


É o terceiro disco cheio do rapper, o primeiro pela gravadora de Dr. Dre

Não tem como não ficar admirado com o trabalho do rapper Anderson .Paak nos últimos anos. A inventividade do trabalho feito em "Malibu" (2016) o levou a outro patamar e o fez ser notado por mais gente fora do hip-hop. Isso o levou a ser contratado pela Aftermath, gravadora do produtor Dr. Dre. Sim, o DJ do N.W.A e o figurante nos primeiros clipes do Eminem.

Pouco mais de dois anos após o último disco de estúdio, Paak retorna em "Oxnard", terceiro trabalho cheio da carreira. Esse lotado de produtores e de participações especiais, tudo como manda o atual figurino do rap. Começando pela participação de Kadhja Bonet em "The Chase", em que o delicado arranjo, que soa muito como a trilha do filme "Shaft", potencializa a abordagem da letra sobre fama, glória e de como sair de determinadas situações.

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Emendando uma faixa na outra, algo comum nesse trabalho, "Headlow" surge sem muita cerimônia com uma batida muito sensual - com participação da cantora Norelle. A seguinte, "Tints", traz novamente a parceria entre Paak e Kendrick Lamar, e a dupla consegue fazer algo dançante, potente e cheio de ritmo. O detalhe dessa parceria é que eles nunca trabalharam juntos em estúdio. Tudo foi feito via celular. E essa faixa lembra muito Prince.

O sentido desse disco é contar uma história com tintas diferentes. Na mais pesada "Who R U?", o personagem principal sente-se pronto para virar um artista de cinema de maneira definitiva, já "6 Summers" tem um tom político absurdamente forte ao, sem meias palavras, falar dos últimos acontecimentos na política americana. No fim, há uma mensagem de paz por parte do rapper, mas não sem antes dar uns tapas.

Se "Saviers Road", rua onde o rapper morou por anos, é usada em um jogo de palavras entre ser salva e famosa pelo morador ilustre, "Smile / Petty" soa duas faixas diferentes que foram unidas e, graças ao trabalho da edição, ganhou sentido. Ela soa ma mistura de Prince com algo mais moderno.

Partindo para o lado mais 'gangsta' do hip-hop, "Mansa Musa" surge como título o nome de um dos homens mais ricos da história da humanidade. Mansa Musa foi imperador do que hoje é conhecido como Mali, quando foi conhecido como o maior produtor de ouro do mundo. A faixa é um paralelo com a força de Dr. Dre no mundo do rap, em que tudo que toca vira ouro. E "Brother's Keeper" coloca Paak e Pusha T cantando uma letra autobiográfica sobre os bastidores do mundo dos negócios.

Snoop Dogg e Dodgr aparecem em "Anywhere". De ritmo lento, ela apela para a nostalgia do rap dos anos 1980 e 1990, e funciona muito bem. "Trippy" desacelera um pouco as coisas e, para finalizar, "Cheers" é uma celebração aos amigos que não estão mais entre eles, mas seguem vivos com sua obras e nos corações dos fãs.

"Oxnard" não é o melhor disco de Anderson .Paak, mas a forma como ele faz a música presente aqui mostra que ele está disposto a expandir os horizontes musicais. Movimento também fica claro ao assinar com Dr. Dre para esse trabalho. Sem dúvida, com esse disco e esse chefe, ele está em boas mãos para voar mais alto.

Tracklist:

1 - "The Chase" (featuring Kadhja Bonet)
2 - "Headlow" (featuring Norelle)
3 - "Tints" (featuring Kendrick Lamar)
4 - "Who R U?"
5 - "6 Summers"
6 - "Saviers Road"
7 - "Smile / Petty" (featuring Sonyae Elise)
8 - "Mansa Musa" (featuring Dr. Dre & Cocoa Sarai)
9 - "Brother's Keeper" (featuring Pusha T)
10 - "Anywhere" (featuring Snoop Dogg & The Last Artful, Dodgr)
11 - "Trippy" (featuring J. Cole)
12 - "Cheers" (featuring Q-Tip)

Avaliação: muito bom




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