quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Resenha: Baco Exu do Blues – Bluesman


É o segundo disco de estúdio do rapper

Desde o disco “Esú” (2017), Baco Exu do Blues entrou no primeiro escalão do rap nacional, ao lado de nomes como Emicida, Criolo, Rincón Sapiência e outros – só falando apenas dos mais recentes. E, como vem sendo apontado por diversos críticos, o rap virou o estilo de maior combate a qualquer tipo de preconceito preestabelecido pela sociedade e também virou a voz da periferia contra o que há de errado.

“Bluesman” é o segundo disco de estúdio cheio do cantor, que abre com a faixa-título. Ela traz um sample de Muddy Waters, dando o tom o disco – no caso, mostrar todo leque de influências presente no trabalho. É um discurso muito direto e pode chocar quem não está familiarizado com a luta diária contra o preconceito. A segunda faixa do trabalho chama-se “Queima Minha Pele" e traz o primeiro convidado. Tim Bernardes, vocalista d’O Terno e com uma sólida carreira solo, coloca seu estilo a ajuda a incrementar no mais próximo possível de um blues romântico bem doloroso.

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Com participação da cantora 1LUM3, "Me Desculpa Jay-Z" abre o lado pessoal do rapper ao abordar a dualidade de sentimentos presente nos seres humanos. E ao abordar Jay Z no título, ele vê no ídolo a tal perfeição inalcançável para os meros mortais em uma faixa muito sincera e muito melódica, diferente da seguinte. "Minotauro de Borges" é pura percussão, é pura Bahia. Esse elemento misturado com rap e uma letra pesada funciona muito bem.

A grande faixa do álbum é "Kayne West da Bahia", em que o rapper se compara com Kayne West no sentido de não abaixar a cabeça para ninguém. O discurso é forte, tem participação da DKVPZ e Bibi Caetano e também traz referências de outros ídolos negros do esporte e da música. Sexta faixa, "Flamingos" é uma balada bem bonita com uma referência ao grupo de pagode Exaltasamba.

Uma famosa pintura inspirou Baco em "Girassóis de Van Gogh". O cantor usa a referência do quadro para falar da vida e, principalmente, sobre a liberdade de amar. Das letras mais poéticas do disco, já "Preto e Prata" aborda a busca pelo sucesso em que a palavra ouro é usada como metáfora para isso. Também é um recado aos rappers que só buscam isso ao invés de fazer música com sinceridade. E logo no fim da anterior, começa "BB King". O uso do “Rei do Blues” no título é para mostrar a independência do rap já existe e não há rótulo para enquadrá-los mais.

“Bluesman” é um disco muito forte no discurso, ainda mais no tempo em que vivemos. Misturando diversos gêneros e contando com bons convidados, Baco Exu do Blues entrega um trabalho sincero e feito para fazer pensar quem quer pensar sobre as pautas das músicas. E se alguém mudar de ideia ou começar a se policiar depois de ouvir, já é uma vitória.

Tracklist:

1 - "Bluesman"
2 - “Queima Minha Pele" (com Tim Bernardes)
3 - "Me Desculpa Jay-Z" (com 1LUM3)
4 - "Minotauro de Borges"
5 - "Kayne West da Bahia" (com DKVPZ e Bibi Caetano)
6 - "Flamingos" (com Tuyo)
7 - "Girassóis de Van Gogh"
8 - "Preto e Prata"
9 - "BB King"

Avaliação: ótimo




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