quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Resenha: Bombino – Deran


Guitarrista lançou novo disco de estúdio em maio

Último disco de Bombino, “Azel” foi um dos melhores álbuns de 2016 (clique aqui e leia a resenha). Com “Deran”, o mais recente, são cinco discos de estúdio em oito anos. Uma alta produtividade para quem só agora está ficando conhecido fora dos circuitos de quem acompanha a música no norte do continente africano e dos fanáticos por guitarristas. Acreditem em mim: Bombino é um dos melhores guitarristas do mundo, além de voz do povo tuareg, que, espalhado pelo norte da África, luta por reconhecimento e terras.

Produzido no Marrocos, o novo trabalho começa com "Imajghane", uma faixa dançante em que ele já traz a música que ouvia na infância com elementos das suas influências como músico – não é de graça que, muitas vezes, se referem a essa mistura como blues africano. A seguinte, "Deran Deran Alkheir", pegou no arranjo e é recomendável prestar bem atenção do início ao fim.

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Uma das coisas que mais gosto nesse tipo de música tocada por Bombino é o funcionamento da bateria e como ela preenche o espaço. Basta ouvir "Tehigren" para perceber isso. Os outros instrumentos são coadjuvantes, enquanto a bateria reina absoluta por pouco mais de quatro minutos. Percussão é fundamental na música africana de maneira geral, assim como "Midiwan" com seu ar mais clássico que é carregado de melancolia e delicadeza no violão.

"Tenesse" é a segunda maior faixa do disco ao ultrapassar os mais de cinco minutos. E isso é explicável, principalmente por longas – mas nem tanto assim – partes instrumentais em que Bombino mostra todo seu talento de maneira simples e em poucas notas, e "Ouhlin" é mais cheia de groove no arranjo para sobre como a guerra coloca irmãos – de sangue ou não – em lados opostos.

A melancolia retorna em "Adouni Dagh", como o lado mais animado também volta em “Tamasheq” – essa uma homenagem às línguas tuaregues e também com uma parte instrumental bem longa no final. E "Takamba", além de ser uma cidade do Níger, também é um estilo musical bem ritmado e com participação de muitas pessoas para preencher o arranjo, exatamente como a faixa instrumental mostra. O final retoma o lado mais tradicional com “Adouagh Chegren” para encerrar o disco.

Bombino apresenta um ótimo trabalho mais vez. Ainda lutando pela liberdade de seu povo e lamentando todas as perdas, ele ainda tem forças para seguir na luta. E não parece desistir disso tão cedo.

Tracklist:

1 - "Imajghane"
2 - "Deran Deran Alkheir"
3 - "Tehigren"
4 - "Midiwan"
5 - "Tenesse"
6 - "Ouhlin"
7 - "Adouni Dagh"
8 - "Tamasheq"
9 - "Takamba"
10 - "Adouagh Chegren"

Avaliação: ótimo




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