quarta-feira, 4 de julho de 2018

Resenha: Natalie Prass – The Future and the Past


Cantora disponibilizou o segundo disco de estúdio recentemente

Há pouco mais de três anos, Natalie Prass fez uma ótima estreia em estúdio com o disco que leva seu nome (clique aqui e leia a resenha). E dessa nova geração de cantoras que surgiu nos últimos anos, ela ainda não tem o devido destaque, mas é uma das mais talentosas. “The Future and the Past”, disponibilizado no início de junho nos serviços de streaming, é o segundo registro cheio.

"Oh My" surpreende logo de cara por trazer um lado mais “funkeado”, com uma batida feita para dançar. A ideia do disco era uma, falar mais sobre o lado bom e ruins dos relacionamentos, mas a eleição de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos acrescentou algo a mais no trabalho. Essa primeira faixa fala sobre ter o coração partido, tema que encaixa perfeitamente nos dois temas, já em "Short Court Style" – também um funk –, a cantora traz uma faixa bem animada sobre encontrar alguém.

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Depois do interlúdio “Your Fire”, “The Fire” tem uma pegada mais pop que encaixaria com qualquer cantora de sucesso dos anos 1980 – era só colocar o sintetizador e pronto. Uma das faixas compostas em meio ao furacão da política dos Estados Unidos é "Hot For the Mountain", um recado para avisar que ninguém está sozinho, mas o caminho para uma reviravolta precisa ser aberto de maneira brutal. Mas é em "Lost" que a cantora abre totalmente o coração ao falar do abuso que sofreu e como foi difícil superá-lo em uma época sem #MeToo e movimentos unificados em prol da mulher.

E continua em "Sisters", um R&B sobre união das mulheres para enfrentar os problemas (Keep your sisters close/ You gotta keep your sisters close to ya/ Keep your sisters close/ You gotta keep your sisters close to ya). O clima mais leve do disco retorna em "Never Too Late", faixa ao melhor estilo Steely Dan por ser animada, meio melosa em termos românticos, muito pop e muito boa, sendo apenas um leve momento de alta. O lado político volta em "Ship Go Down", canção que a cantora admitiu ser inspirada na Tropicália e em como eles falavam de política no Brasil em plena época da ditadura militar, que fala sobre não ficar de joelhos quando alguém muito poderoso aponta o dedo para você – o arranjo é dos melhores ao misturar vários elementos.

"Nothing To Say" mistura o R&B já apresentado antes com um lado mais eletrônico, enquanto "Far From You" é uma linda balada no piano bem simples e muito tocante para homenagear Karen Carpenter (1950-1983), baterista da banda Carpenters. Por fim, "Ain't Nobody" encerra o disco com um tom mais alegre ao falar de resistência.

Pela segunda vez na carreira, Natalie Prass entregou um ótimo disco de estúdio. Partindo principalmente do funk e R&B, ela construiu um trabalho que mistura um tema bem atual (política nos Estados Unidos) com algo atemporal (relacionamentos). Vale muito a pena dar uma chance não só a esse disco, como no anterior também.


Tracklist:

1 - "Oh My"
2 - "Short Court Style"
3 - "Interlude: Your Fire"
4 - "The Fire"
5 - "Hot For the Mountain"
6 - "Lost"
7 - "Sisters"
8 - "Never Too Late"
9 - "Ship Go Down"
10 - "Nothing To Say"
11 - "Far From You"
12 - "Ain't Nobody"

Avaliação: ótimo



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