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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O novo círculo vicioso na música

Crédito da foto: https://pixabay.com

Novos elementos começam a tomar conta da produção de discos e dos festivais

Muitos bons discos foram lançados em 2017, o que é sempre um bom alento. Mas uma coisa tem me chamado a atenção recentemente: o fato de muitos cantores, cantoras e bandas contratarem um grande número de produtores para trabalhar em seus discos ou contratar um específico para conseguir atingir um determinado tipo de público.

Concrete and Gold, novo disco do Foo Fighters, contou com a produção de Greg Kurstin. Ele trabalhou com Adele, Sia, Beck, Kelly Clarkson, Ellie Goulding, Pink, the Shins, Tegan and Sara, Lily Allen e Liam Gallagher, e está envolvido no próximo disco de Paul McCartney. Nova cara do pop, Harry Styles contou com contou com cinco compositores para formatar seu disco, sendo que quatro deles também assinam a produção do álbum. Lady Gaga também usou desse artifício em Joanne (2016), assim como Taylor Swift em 1989 (2014) – com dez pessoas assinando como produtores, além dela própria.

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A música voltou a ser um negócio lucrativo para as gravadoras. Depois de uma década batendo cabeça contra a pirataria e compartilhamento gratuito de arquivos, os serviços de streaming chegaram e organizaram a coisa de tal modo a dar comodidade a todos. O público não precisa mais ter o trabalho de fazer o download de um programa para baixar a música, correr o risco de pegar vírus e, muitas vezes, ser enganado; a indústria não precisa mais se preocupar com downloads ilegais, porque a prática, se não acabou, foi drasticamente minimizada com o passar dos anos; e os artistas extremamente populares terão suas principais músicas executadas todos os dias, garantindo o sucesso e a presença em diversas playlists.

Nesta semana, o site do jornal Valor publicou uma ótima matéria, assinada por Thiago Ney, sobre os bastidores de Spotify e Deezer na montagem de playlists. Me chamou a atenção o critério na escolha das músicas que entram nessas playlists (clique aqui e leia a matéria completa). Resumindo, a música só fica em determinada lista caso obedeça a critérios dos editores. É uma forma de agradar ao público e manter determinada playlist com alta rotatividade nos fones de ouvido.

Nisso tudo, entra a escolha de determinados artistas para quem vai produzir seu futuro disco. Não adianta mais estabelecer um nicho se quiser alta popularidade – no caso, fazer parte de centenas de milhares de playlists. Cada vez mais, o artista terá que se adequar ao público geral, não apenas aos fãs. Por esses motivos, a música mainstream caminha para algo totalmente genérico e sem identidade, formando um público também completamente genérico e sem identidade.

Isso também será refletido nos festivais. Como já escrevi na época do Lollapalooza Brasil deste ano, a música está virando algo descartável até em eventos que deveria ser a principal estrela. As pessoas estão indo mais pela tal experiência do que pela música, já que, em muitos casos, a maioria só conhece uma ou duas faixas de cada artista. É quase certo que ela ouviu essas duas em alguma playlist para malhar ou faxinar a casa.

Não sei se dá para culpar alguém por esse irreversível movimento ou se foi algo calculado para conseguir gerar ainda mais dinheiro. São indagações sem respostas. Mas, na nova edição do Rock in Rio que começa nesta sexta-feira (15), veremos a música ser tratada em terceiro ou quarto plano. E assim a tal da experiência vai tomando cada vez mais conta.

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