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terça-feira, 2 de maio de 2017

Resenha: BIKE – Em Busca da Viagem Eterna


Segundo disco da banda saiu no início do mês passado

Da nova safra da bandas que surgiu nos últimos cinco anos no Brasil, uma bem agradável de ouvir é o BIKE. O primeiro disco deles, 1943 (2015), mostrou como essa nova geração conseguiu aliar bem as influências psicodélicas antigas (Mutantes) com as novas (Tame Impala) em um dos melhores trabalhos daquele ano. Inspirado nas viagens da banda pelo Brasil durante a turnê, Em Busca da Viagem Eterna foi disponibilizado no Bandcamp há pouco menos de um mês.

Um ponto favorável ao trabalho da banda são as melodias bem construídas. A primeira faixa desse segundo disco, "Enigma dos Doze Sapos", mostra como eles conseguem levar o ouvinte junto ao fazê-lo prestar atenção em cada detalhe da canção ao longo dos pouco mais de três minutos ao falar da situação da banda de sempre olhar para o futuro. Como diriam os antigos, é uma piração total, bicho. A seguinte, "Do Caos ao Cosmos", caberia muito bem na proposta do primeiro trabalho. Começa instrumental, tem uns gemidos e depois vem a letra. Em resumo: funciona muito bem.

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A parte final é das mais animadas e emenda com "A Divina Máquina Voadora", de início e letra tranquilos, e também tem uma parte instrumental propícia para uma viagem sem sair do chão para falar das experiências do grupo nas estradas do Brasil. Com seus mais de seis minutos, "Terra em Chamas" faz uma boa reflexão sobre a vida e ainda traz um experimentalismo maior do que das anteriores. "Transe" tem apenas pouco mais de dois minutos, mas é suficiente para colocar o ouvinte para se mexer um pouco em uma espécie de transe com tons de pop.

Melhor do álbum, "A Montanha Sagrada" tem tudo para ser o ápice do BIKE nas apresentações. A duração, a letra grudenta e o arranjo ajudam a decorá-la rapidamente. Além disso, na metade final, o lado experimental volta com tudo e deixa tudo com um quê de Sonic Youth psicodélico. "Sete Flechas e o Rei Lagarto" (uma poesia musicada de bom arranjo), "Psicomagia" (nome de um dos filmes mais famosos do diretor e psicólogo chileno, Alejandro Jodorowsky, influência do grupo no novo álbum) e "O Retorno de Saturno" (uma viagem muito própria da banda pelo espaço e dentro de si) fecham o trabalho.

O BIKE entrega um trabalho muito bom, assim como foi o primeiro. Usando as experiências adquiridas nas turnês, nas idas e vindas, eles construíram um disco dos mais legais para ouvir. Porque o ouvinte precisa prestar bastante atenção para sacar as referências e tudo o que eles querem dizer. Para ouvir sem dó por horas seguidas.

Tracklist:

1 - "Enigma dos Doze Sapos"
2 - "Do Caos ao Cosmos"
3 - "A Divina Máquina Voadora"
4 - "Terra em Chamas"
5 - "Transe"
6 - "A Montanha Sagrada"
7 - "Sete Flechas e o Rei Lagarto"
8 - "Psicomagia"
9 - "O Retorno de Saturno"

Nota: 4/5



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