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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Resenha: Real Estate – In Mind


É o primeiro disco da nova formação da banda

Uma banda bem simpática que surgiu no início dos anos 2000 é o Real Estate. De discos bons no início da carreira, ele tinham em Atlas (2014) o último álbum de estúdio. Isso mudou em meados de março com o lançamento de In Mind, quarto trabalho deles e o primeiro com a nova formação – Martin Courtney, Alex Bleeker, Jackson Pollis, Julian Lynch (entrou na vaga do guitarrista e fundador do grupo Matt Mondanile) e Matt Kallman.

O novo álbum começa mostrando o motivo de o Real Estate ser uma das bandas mais melódicas da atualidade. "Darling" tem um início suave e é transformado em uma bonita balada sobre esperar o amor em algum luga. Detalhe interessante é que essa faixa foi a única não ter uma demo antes, sendo a única desenvolvida durante o trabalho em estúdio. A seguinte, "Serve The Song", traz um questionamento sobre seguir ou não em frente com a banda enquanto estão longe dos filhos e da família. Apesar de colocar um tema pesado na mesa, de novo, eles conseguem trabalhar tudo com muita suavidade.

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"Stained Glass" mantém o ritmo do álbum, mas o nível sobe muito em "After the Moon" – classificada pela própria banda como "indie clássico". Eles acertaram na mosca na classificação, porque tem algo muito próprio de grupos que nasceram no início dos anos 1990 e inspirado no Pixies, esses craques em ótimas melodias acima da média. A letra é bem boa e a parte instrumental é espetacular.

"Two Arrows" nasceu de um desafio proposto em estúdio: depois de tantas canções em ritmo lento, por que não tentar algo ainda mais lento? E deu certo, essa balada é das melhores lançadas por eles em quase 20 anos de atividade. Sobra do disco passado, "White Light" foi descartada por não encaixar muito bem na temática daquele trabalho, mas acabou sendo regravada de outro jeito neste. E o resultado a transformou em uma faixa de início acústico com um final instrumental animado pela guitarra agitada.

Uma brincadeira com o sintetizador em estúdio deu outra perspectiva para "Holding Pattern", outra faixa muito bonita gravada por eles. Se todos os elementos característicos do Real Estate estão presentes, o acréscimo de uma novidade deu um gás a mais no registro. "Time" foi a primeira música pronta a entrar no álbum e tem uma mistura da bateria eletrônica com uma harmonia muito bonita, tornando-a a mais complexa de todo trabalho.

Diferente de todo resto do disco, "Diamond Eyes" é mais agitada e até dançante, caso você queira dançar. A bateria dita todo ritmo da faixa, enquanto o vocal conta a história de alguém que apenas deseja ser livre. "Same Sun" entra logo depois e retorna com o ritmo mais lento das anteriores e, por fim, "Saturday" parece recolocar o disco na primeira faixa – um início melancólico que vai crescendo e ficando mais agitado. Ela resume bem a banda e seu estado de espírito.

O Real Estate cumpre muito bem o papel de ser a grande banda melódica de sua geração. As letras simples sobre a vida são embalada por harmonias complexas e cheias de vida, os colocando em um patamar um pouco acima de muitos de seus contemporâneos. Um disco que vale a pena ouvir com muita calma.

Tracklist:

1 - "Darling"
2 - "Serve The Song"
3 - "Stained Glass"
4 - "After the Moon"
5 - "Two Arrows"
6 - "White Light"
7 - "Holding Pattern"
8 - "Time"
9 - "Diamond Eyes"
10 - "Same Sun"
11 - "Saturday"

Nota: 4/5



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