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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Resenha: BIKE – 1943


Baixista do Macaco Bong, Julito Cavalcante é o cabeça do BIKE, banda de música psicodélica que lançou seu disco de estreia em agosto. A psicodelia é um gênero que teve até que certo sucesso por aqui, principalmente no momento em que a Tropicália apareceu. Quem conseguiu fazer sucesso foram os Mutantes, um dos melhores grupos brasileiros de todos os tempos e uma das referências mundiais no estilo.

"1943", que dá nome ao disco, começa bem Tame Impala – voz distorcida e melodia completamente fora da curva de qualquer coisa que se ouve por aí. A diferença é que é em português. Ou seja, a influência da banda australiana está fazendo acontecer uma espécie de redescoberta da psicodelia como forma de música. "Enigma Do Dente Falso" mantém isso, mas, principalmente, usa mais do artifício dos instrumentos para construir uma faixa que chama bastante atenção e tem tudo para prender a atenção do ouvinte.

Em "Stardust", a impressão que o álbum passa é de não ser um projeto com várias músicas, mas uma única música subdividida em vários pedaços interligados, com duração variada, entre si de maneira muito sutil. Já em "Alucinações E Viagens Astrais", temos algo mais leve e mais dentro do mundo psicodélico dos australianos do Pond, por exemplo (aliás, o que está saindo de bandas desse estilo na Austrália é uma grandeza).

Mais pesada de todas por incluir um momento muito bom da guitarra, "Isso/Daquilo" tem o tamanho certo para deixar o ouvinte na secura por mais de tão boa que é, enquanto "Filha Do Sol" retoma o mesmo ritmo do início do trabalho – mais leve, etéreo e bem hippie final dos anos 1960 e início dos anos 1970, auge do movimento paz e amor, da maconha e de filhos que hoje são pais caretas.

Viagem de verdade acontece com "A Vida É Uma Raposa", sendo que essa nem precisa de qualquer tipo de estimulante para sair do lugar, se é que vocês me entendem. E "Luz, Som E Dimensão" encerra o álbum e faz uma comprovação: a música psicodélica está de volta e não está para prosa. O BIKE é só um projeto paralelo, mas mostra que é possível fazer coisas bacanas, sair da estrada do comum e fazer um disco cheio de boas referências e bem competente.

Tracklist:

1 - "1943"
2 - "Enigma Do Dente Falso"
3 - "Stardust"
4 - "Alucinações E Viagens Astrais"
5 - "Isso/Daquilo"
6 - "Filha Do Sol"
7 - "A Vida É Uma Raposa"
8 - "Luz, Som E Dimensão"

Nota: 4/5



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