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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Documentário: Miss Sharon Jones!, de Barbara Kopple (2016)


Longa mostra a cantora tratando de um câncer pela primeira vez

Sharon Jones (1956-2016) conheceu os sucesso com quase 50 anos. Cantou em casamentos, trabalhou em uma prisão de segurança máxima, fez o que pode para ganhar um trocado e sobreviver. O talento estava ali, faltava o impulso. Ele veio quando ele se uniu aos Dap-Kings, banda de R&B e soul formada pelo dono da gravadora Daptone. Explodiu muito rápido com sua voz forte e performance no palco como poucas. Alguns a chamavam de sucessora de James Brown.

O documentário de Barbara Kopple pega o período mais difícil da vida da cantora: ela está com câncer no pâncreas, um dos tipos com a taxa de mortalidade mais alta. Enquanto o tratamento acontece em duras sessões de quimioterapia, podemos conhecer um pouco mais a vida de Jones e como ela se relaciona com as pessoas nesse momento de dificuldade em sua vida pessoal.

Algo que chama a atenção é como a edição mostra ao público que uma banda não é viver de aplausos e prêmios. Mesmo não sendo gigante, Sharon Jones and the Dap-Kings mantém uma estrutura para continuar funcionando, gente para manter as coisas em ordem. Com Jones afastada, não tem dinheiro. Sem dinheiro, as coisas ficam difíceis. Um dos membros da banda não conseguiu um empréstimo, outro ficou sem dinheiro depois de se divorciar. Os shows eram a única fonte de renda.

Veja também:
De David Bowie a George Michael: quem nos deixou em 2016
Resenha: Sharon Jones and The Dap-Kings – Give the People What They Want
Documentário: George Harrison – The Quiet One, de Ray Santilli (2002)
Festival: In-Edit Brasil 2016
Documentário: What Happened, Miss Simone?, de Liz Garbus (2015)
Documentário: Amy, de Asif Kapadia (2015)


A força que Sharon mostra em todo processo é impressionante. Mesmo cansada e sem forças pelo longo tratamento, ela faz o que pode para ter uma vida profissional normal. Todos contam com ela para seguir em frente. E ela faz de tudo para seguir em frente, mesmo fazendo planos e piadas para um possível funeral.

Acaba sendo um longa muito triste de se assistir. Não pelo fato do documentário em si, que mostra no fim uma Sharon Jones recuperada e no palco depois de uma longa ausência, mas pelo que aconteceu depois. O câncer voltou mais duas vezes, sendo a segunda ainda no período de filmagens. Na terceira, ela não resistiu e morreu no dia 19 de novembro de 2016, aos 60 anos.

Conquistar a fama é sempre algo complicado, porque são centenas de milhares de pessoas querendo a mesma coisa. Sharon Jones conseguiu isso nos últimos dias de sua vida, atraindo a atenção de um pequeno e fiel séquito de fãs em apresentações intensas e canções reais sobre sua vida. A lacuna que ela deixou ficará aberta para sempre.





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