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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Discos para história: Back to Black, de Amy Winehouse (2006)


A 115ª edição do Discos para história é sobre um dos clássicos do século 21: Back to Black. Segundo e último disco lançado por Amy Winehouse, o trabalho mostrou todo talento da cantora e a colocou entre as grandes de todos os tempos.

História do disco

O lançamento de Frank colocou Amy Winehouse na rota do sucesso. Cantora desde os 14 anos, ela conseguiu um bom agente aos 19, que logo a colocou para gravar um disco. Bem nas vendas e nas críticas, algumas pessoas começaram a ficar de olho no talento dessa cantora inglesa nascida em Londres. De voz espetacular, ela tinha tudo para ser uma das grandes – comparando até mesmo com as melhores, como Nina Simone, Aretha Franklin, Billie Holiday e outras.

A turnê acabou do disco acabou, prêmios foram levados para casa e um novo trabalho começou a ser montado. Se o primeiro disco era uma levada mais jazz, o segundo seria diferente. Primeiro, Winehouse demonstrou um interesse em ouvir mais coisas do R&B dos anos 1960, principalmente dos grupos formados por garotas. Mitch Winehouse, pai de Amy, conta em seu livro sobre a filha como ela olhava admirada para cantora Sharon Jones, do Dap-Kings

O encontro que mudaria os rumos do disco foi quando Winehouse foi ao programa de Mark Ronson na East Village Radio. Ele tocou as demos de "You Know I'm No Good" e "Rehab", e ficou impressionado com o que viu. Amy esperava um cara mais novo, Ronson gostou da postura dela no estúdio ao refutar o que não gostava. Então, os trabalhos começaram em Nova York para o segundo disco de estúdio dela.

Ronson e Salaam Remi – o primeiro produziu seis músicas, o segundo ajudou em cinco – foram os responsáveis pela produção do disco. A intenção era criar um clima de soul e R&B usando como base a temática triste das canções escritas por Amy, então em fim de relacionamento. Era uma lista com canções muito duras, recheadas de sinceridade e vindas de alguém que realmente estava sentindo a perda. Algumas tentativas de mixagem e de refazer algumas coisas foram feitas, mas tudo fazia tão sentido sendo quase cru, que Ronson apenas acrescentou alguns metais, cordas e percussão em Londres – o grosso do trabalho foi feito nos Estados Unidos em menos de um mês. Até por isso, muita gente é creditada no trabalho.

Lançado em 30 de outubro de 2006, Back to Black atingiu a terceira colocação da parada do Reino Unido e o sétimo posto nos Estados Unidos. Na medida em que o sucesso da cantora foi aumentando, as vendas também cresceram muito, principalmente ao longo de 2007 – sendo o segundo disco mais vendido da história no século 21 na Inglaterra, atrás apenas de 21, de Adele. No ano seguinte, ela foi a primeira cantora a conseguir colocar uma versão deluxe de um álbum no top-20 britânico.


Resenha de Back to Black

Inspirada em uma conversa com o pai sobre ir à habilitação, "Rehab" é o grande single do disco e uma das canções mais populares do século 21. Mark Ronson perguntou a Amy sobre o assunto e ela respondeu com que viria a ser o refrão, respondida pela batida tão conhecida. Eles voltaram ao estúdio para cantora desenvolver a letra, finalizada e gravada em menos de três horas. Um soul de primeira grandeza, a faixa abre Back to Black de maneira sublime. É impossível parar de ouvi-la depois que começa. Indo do soul para o blues, "You Know I'm No Good" geralmente encerrava as apresentações por ter uma longa suíte instrumental na parte final. A letra é extremamente autobiográfica, então é possível ter uma ideia do que a cantora estava passando naquele momento.



A curta "Me & Mr Jones" é a volta ao jazz, uma Amy Winehouse certeira tendo ao lado uma banda ótima, que consegue criar todo o clima para a canção. Contrastando com as anteriores, "Just Friends" tem uma base reggae em cima de outra letra bem pessoal (When will we get the time to be just friends/It's never safe for us not even in the evening/'Cos I've been drinking/Not in the morning where your shit words/It's always dangerous when everybody's sleeping/And I've been thinking/Can we be alone?/Can we be alone?).



Tem algo muito especial em "Back to Black". Para qualquer um que passou por algum rompimento traumático, a letra pega de jeito. Se você não passou por isso, é difícil não se colocar no lugar da pessoa e olhar o que aconteceu. Um depoimento pessoal aqui: tinha 17 para 18 anos quando a música saiu, então não entendia direito o significado. Hoje, de 27 para 28, foi difícil conter as lágrimas ao ouvi-la novamente. Porque não é só uma música, é a vida de uma pessoa destrinchada para quem quiser ouvir. E ela nem está mais aqui, o que dá ainda mais peso para essa melodia triste, a levada soul digna de muitas cantoras históricas e uma banda sublime.



Depois de uma paulada, uma balada também paulada: "Love Is a Losing Game" é muito triste. O mérito aqui é ser quase crua, então é possível sentir Amy a cantando do fundo do coração. Os instrumentos de sopro dão o tom de "Tears Dry on Their Own", agora o romance acaba com o sol se pondo – na letra mais poética do disco. Mais uma letra triste, mais um bom andamento da banda: "Wake Up Alone" tem um ar soul clássico e moderno ao mesmo tempo, ela é dessas que merece um pouco mais de atenção.



"Some Unholy War" traz uma sensação de improviso maior do que as outras, já "He Can Only Hold Her" recoloca o jazz no caminho e, por fim, "Addicted" fala de drogas, mas poderia ser sobre o ex-namorado. Amy Winehouse conseguiu entregar um disco espetacular, hoje eternizado como um dos grandes trabalhos feitos na primeira década do século 21.

Ficha técnica:

Tracklist:

1 - "Rehab" (3:34)
2 - "You Know I'm No Good" (4:17)
3 - "Me & Mr Jones" (2:33)
4 - "Just Friends" (3:13)
5 - "Back to Black" (Winehouse/Mark Ronson)
6 - "Love Is a Losing Game" (2:35)
7 - "Tears Dry on Their Own" (Winehouse/Nickolas Ashford/Valerie Simpson) (3:06)
8 - "Wake Up Alone" (Winehouse/Paul O'Duffy) (3:42)
9 - "Some Unholy War" (2:22)
10 - "He Can Only Hold Her" (Winehouse/Richard Poindexter/Robert Poindexter) (2:46)
11 - "Addicted" (2:45)

Todas as músicas foram compostas por Amy Winehouse, exceto as marcadas.

Gravadora: Island
Produção: Mark Ronson, Salaam Remi
Duração: 34min56s

Amy Winehouse: vocais, vocais de apoio e guitarra

Convidados:

John Adams: órgão, piano e Rhodes piano
Ade/Zalon: vocais de apoio
Troy Auxilly-Wilson: bateria, pandeireta
Victor Axelrod: palmas, Wurlitzer piano
Perry Montague-Mason/Peter Hanson/Liz Edwards/Mark Berrow: violino
Binky Griptite/Thomas Brenneck: guitarra
Andy Mackintosh/Chris Davis: saxofone alto
Richard Edwards: trombone tenor
Chris Elliott: condução e arranjo da orquestra
Dave Bishop/Ian Hendrickson-Smith/Cochemea Gastelum: saxofone barítono
Steve Sidwell/Dave Guy: trompete
Vincent Henry: saxofone tenor, alto e barítono, clarinete baixo, celesta, clarinete, flauta, guitarra, piano e saxofone
Anthony Pleeth/John Heley/Joely Koos: violoncelo
Frank Ricotti/Sam Koppelman: percussão
Vaughan Merrick: palmas
Nick Movshon: baixo
Boguslaw Kostecki /Everton Nelson/ Tom Pigott-Smith/ Jonathan Rees: violino
Bruce Purse: trompete baixo, fliscorne e trompete
Salaam Remi: baixo, bateria, guitarra, piano e contrabaixo
Mark Ronson: arranjos, palmas e pandeireta
Homer Steinweiss: bateria
Mike Smith /Neal Sugarman/ Jamie Talbot: saxofone tenor
Bruce White/ Katie Wilkinson/Jon Thorne/ Rachel Bolt: viola
Chris Tombling/ Warren Zielinski: violino
Helen Tunstall: harpa



Veja também:
Discos para história: Highway 61 Revisited, de Bob Dylan (1965)
Discos para história: “Heroes”, de David Bowie (1977)
Discos para história: Led Zeppelin III, do Led Zeppelin (1970)
Discos para história: A Tábua de Esmeralda, de Jorge Ben (1974)
Discos para história: My Generation, do The Who (1965)
Discos para história: Doolittle, do Pixies (1989)
Discos para história: Tonight's the Night, de Neil Young (1975)

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